Novo estudo reforça a importância da MAPA na avaliação de pacientes hipertensos

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A monitorização ambulatorial da pressão arterial, conhecida como MAPA, é um método de medição automática da pressão arterial realizada através de um aparelho que é colocado na cintura do paciente, e que infla uma bolsa de borracha chamada de manguito, posicionada no braço.

As medidas da pressão arterial são feitas a cada 15 a 20 minutos durante o dia e a cada 20 a 30 minutos durante a noite, sendo este processo semelhante ao realizado durante as consultas médicas. O exame deverá ter uma duração próxima de 24 horas. As medidas são armazenadas neste dispositivo e, posteriormente, são transferidas para um programa de computador que permite a análise dos dados coletados.

Segundo pesquisadores espanhóis, a MAPA é o melhor método para prever o risco de morte em pacientes hipertensos na prática clínica, sendo melhor que as medidas realizadas em ambiente médico. Muitas vezes, médicos adotam como o único parâmetro de avaliação do tratamento do seus pacientes hipertensos as medidas realizadas durante as consultas médicas (medida casual da pressão arterial).

Em um seguimento médio de 4,7 anos, a média da pressão arterial sistólica de 24 horas avaliada por meio da MAPA apresentou uma associação mais forte com a mortalidade cardiovascular e por todas as causas do que a pressão sistólica avaliada em consultas médicas. O estudo avaliou 63.910 adultos inscritos em um registro médico na Espanha.

Os resultados desse estudo corroboram achados de estudos prévios que mostraram que a MAPA prediz melhor a ocorrência de eventos cardiovasculares do que a medida da pressão arterial do consultório, observaram os pesquisadores.

A medida da pressão arterial no consultório apresenta limitações

A medida da pressão arterial é um ato médico aparentemente simples, mas que apresenta inúmeras limitações, relacionadas ao paciente, ao médico, aos equipamentos utilizados e a técnica empregada para a medida da pressão arterial.

A pressão arterial poderá alterar-se significativamente por influência do ambiente médico ou de consultório. Este fato dificulta o correto diagnóstico da hipertensão arterial, bem como o acompanhamento da doença. Neste contexto, poderão ocorrer as seguintes situações em relação à pressão arterial:

Não ocorrer nenhuma alteração significativa (corresponde a maioria dos casos). Surgir o “efeito do avental branco”, ou seja, uma elevação da pressão arterial que ocorre em pessoas com ou sem hipertensão arterial, mas que não altera o seu diagnóstico definitivo (em pessoas sem hipertensão arterial essa elevação não é suficiente para colocá-lo na categoria de um paciente hipertenso, ou seja, com pressão arterial igual ou maior que 140/90 mmHg).

A “hipertensão do avental branco” caracteriza-se por uma elevação da pressão arterial a um nível de hipertensão arterial (pressão arterial maior ou igual a 140/90 mmHg) em uma pessoa que fora do consultório apresenta uma pressão arterial normal.

A “normotensão do consultório” caracteriza-se por uma queda da pressão arterial a níveis menores que 140/90 mmHg, em pacientes que são realmente hipertensos fora do consultório.

Fonte: New England Journal of Medicine.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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