Espiritualidade em cardiologia

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A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) publicou suas diretrizes sobre espiritualidade e fatores psicossociais.

Mas por que uma sociedade médica entrou nessa área da espiritualidade? Ao longo do texto você vai entender!

Primeiro, precisamos definir o que é espiritualidade. Não é espiritismo ou religião, apesar da religiosidade ser um dos principais braços da espiritualidade. O conceito defendido pela SBC é: “espiritualidade é um conjunto de valores morais, mentais e emocionais que norteiam pensamentos, comportamentos e atitudes nas circunstâncias da vida de relacionamento inter e intrapessoal”.

Com isso, a religião é uma forma de espiritualidade, mas pessoas agnósticas e ateus também podem expressar espiritualidade por meio de crenças, valores e atitudes. A espiritualidade está associada à compaixão, sentimentos positivos e qualidade de vida:

  • Perdão;
  • Gratidão;
  • Relaxamento e meditação;
  • Resiliência.

Há embasamento científico?

Sim, sendo a maioria apoiados em estudos observacionais populacionais. Não há como fazermos um estudo clínico com pessoas que recebam espiritualidade e outras não.

Como todo estudo prospectivo, podem haver fatores confundidores. Por exemplo, é sabido que pessoas em cuidados de fim de vida procuram mais o apoio da religiosidade, e isso poderia criar um viés de maior mortalidade em quem pratica religião. Só que os estudos com melhor desenho e controle de viés, como o Nurse Health Study, mostram que pessoas com espiritualidade, nas suas diversas formas, se associam com melhor qualidade de vida, menos adoecimento e maior sobrevida

Como avaliar a espiritualidade?

Este é pra mim o ponto forte da diretriz. Ela traz várias ferramentas para implementação desta avaliação na prática médica. De forma geral, devemos ter a boa prática e o bom senso de qualquer consulta médica:

  • Pergunte de modo aberto sobre as crenças e valores do paciente;
  • Ouça-o atentamente;
  • Não julgue;
  • Não faça pregação ou defesa de alguma crença específica, mesmo que diferente da sua – respeite;
  • Integre as crenças e valores da pessoa no plano terapêutico que você traçou.

Dos diversos métodos apresentados na diretriz, destaco do modelo HOPE:

  1. H – Há fontes de esperança? Quais suas crenças e valores?
  2. O – Organização religiosa: você faz parte de alguma? Como enxerga isso?
  3. P – Práticas espirituais pessoais.
  4. E – Efeitos no tratamento. Se quer que seja feita alguma prática espiritual e se alguma delas afeta seu tratamento.

Autor: Dr. Ronaldo Gismondi.

Fonte: PEBMED.

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