Angioplastia coronariana

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A angioplastia coronariana é uma modalidade de tratamento que consiste na destruição mecânica de uma placa de gordura, chamada de ateroma, por meio de um cateter balão. Esse cateter é introduzido a partir de uma artéria localizada no punho (radial), braço (braquial) ou virilha (femural).

Os stents coronarianos são estruturas metálicas que, na maioria das vezes, são liberadas por um cateter durante uma angioplastia coronariana. Os stents podem ser providos de uma droga (stents farmacológicos) ou ser apenas compostos pela sua estrutura metálica (stents convencionais). Essas drogas são substâncias que diminuem substancialmente o risco de uma das complicações da angioplastia coronariana, a reestenose coronariana (leia adiante).

Indicações

A angioplastia coronariana  poderá ser realizada de forma emergencial, como no infarto do miocárdio ou angina do peito instável de alto risco, ou eletivamente, para tratar obstruções coronarianas estáveis que apresentem indicação de tratamento por meio desse procedimento.

As obstruções por placas de ateroma podem causar sintomas, como a angina do peito, ou ainda, serem totalmente assintomáticas, sendo descobertas a partir de algum exame complementar, como o teste de esforço, cintilografia de perfusão miocárdica ou outros.

Orientações antes do procedimento

– Jejum de pelo menos seis horas. É necessário a presença de um acompanhante, preferencialmente um familiar, durante o procedimento. O paciente permanecerá internado por até 24 horas após procedimentos que transcorrem sem complicações. O procedimento poderá ser feito apenas com uma anestesia local e sedação ou com uma anestesia geral de curta duração.

– Medicações de uso habitual não devem ser suspensas, exceto os anticoagulantes orais que inibem a síntese dos fatores de coagulação que dependem da vitamina K (Varfarina e Femcoprumona, pelo risco de sangramento), anticoagulantes diretos (Apixabana, Dabigatrana e Rivaroxabana, pelo risco de sanframento) e Metformina (medicação usada para o tratamento do diabete melito, pelo risco de interação adversa com o contraste).

– Pacientes alérgicos ao contraste deverão fazer um preparo prévio ao exame com medicações antialérgicas (anti-histamínico e corticoide administrados por via oral).

– Pacientes com disfunção renal poderão necessitar de uma internação prévia para hidratação com soro fisiológico, visando minimizar riscos de disfunção renal associada ao uso do contraste. Pacientes renais crônicos poderão fazer diálise no dia que antecede o exame ou após o procedimento.

Complicações

– Alergias:

A angioplastia coronariana é realizada com contraste, podendo acarretar reações alérgicas de gravidade variável. Alergias graves (choque anafilático com risco de morte) ocorrem em cerca de 0,1% dos casos de angioplastia coronariana. Caso você seja alérgico ou já tenha tido uma reação alérgica prévia com o uso de contraste avise o seu médico assistente imediatamente.

– Dano renal:

O contraste da angioplastia coronariana poderá piorar uma disfunção renal prévia , fato comum em hipertensos crônicos e diabéticos. Raramente, pacientes com disfunção renal podem desenvolver uma insuficiência renal crônica que agudizada, a qual poderá necessitar de uma diálise.

– Complicações vasculares:

São as mais comuns. Pacientes  que serão submetidos a uma angioplastia coronariana estão, muitas vezes, sob efeito de medicamentos para afetam o processo de coagulação (antiplaquetários, como o Ácido Acetilsalicílico e Clopidogrel, os antitrombóticos, como as heparinas e anticoagulantes). Estes medicamentos,  associados a punção arterial durante a angioplastia coronariana,  aumentam os riscos de sangramentos, formações de hematomas e pseudo-aneurismas. Complicações vasculares que necessitam de cirurgia  ocorrem em cerca de 1,5% dos casos de angioplastia coronariana.

– Reestenose coronariana:

É o estreitamento da artéria causado por uma proliferação anormal da parede do vaso, reativo à insuflação do cateter balão sob alta pressão. A reestenose costuma ocorrer dentro de três a seis meses após uma angioplastia coronariana (pico de aparecimento no quarto mês). A utilização dos stents farmacológicos diminuiu muito os índices de reestenose coronariana (inferiores a 5%). Pacientes diabéticos, artérias finas e lesões longas, são  mais propensos ao processo de reestenose.

– Trombose do stent :

É a formação de um coágulo devido ao contato do sangue com a estrutura metálica do stent. Esta complicação é mais comum com stents farmacológicos (aqueles que liberam drogas). Embora seja uma complicação rara, a trombose do stent apresenta-se na maioria das vezes com quadro de infarto do miocárdio ou até morte súbita.

A utilização do Ácido Acetilsalicílico e outro antiplaquetário (Clopidogrel, Prasugrel e Ticagrelor) diminui muito o risco deste tipo de complicação. A trombose do stent, após o implante de um stent farmacológico poderá ocorrer principalmente dentro do primeiro ano, embora existam casos descritos após um ano. Com o uso de stents convencionais essa complicação, em geral, só ocorre no primeiro mês.

– Outras :

Reação vaso-vagal severa  (queda da pressão arterial acompanhada de palidez e sudorese) em 0,1% , derrame cerebral em 0,1% , infarto do miocárdio em 0,3%, arritmias cardíacas que necessitam de cardioversão elétrica em 0,6% dos casos.

Vantagens e desvantagens dos tipos de stents

– Stents sem drogas (convencionais): suas principais vantagens  são o seu preço (bem mais baratos que aos stents farmacológicos) e a menor possibilidade de formação de coágulos tardios (trombose do stent).  A sua principal desvantagem desse tipo de stent é que ele é menos efetivo no combate da reestenose coronariana.

– Stents com drogas (farmacológicos): sua principal vantagem é o baixo índice de reestenose. Suas desvantagens são o preço e uma maior possibilidade de formação de coágulos  (trombose do stent). Por esse fato, exigem de dois medicamentos para evitar a agregação das plaquetas no sangue, os quais, dependendo do contexto, podem ser usados por até um ano (Ácido Acetilsalicílico mais Clopidogrel ou Prasugrel ou Ticagrelor).

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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