Área eletricamente inativa (AEI)

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O termo área eletricamente inativa (AEI), frequentemente empregado em laudos de eletrocardiograma, indica uma região do coração onde não existe uma atividade elétrica normal dos ventrículos (câmaras cardíacas maiores e inferiores do coração).

A causa mais comum da área eletricamente inativa é o infarto do miocárdio prévio, situação na qual há necrose (morte das células) de parte do ventrículo, geralmente após a obstrução de uma artéria coronariana. Essa parte necrosada do ventrículo perde sua atividade elétrica normal.

A área eletricamente inativa geralmente, mas nem sempre, é confinada a uma determinada área do coração. Por exemplo, um infarto do miocárdico causado pela obstrução total da artéria coronária direita determina o aparecimento de uma área eletricamente inativa na parede inferior do ventrículo esquerdo, pois essa parede do ventrículo é irrigada por essa artéria.

O diagnóstico da área eletricamente inativa no eletrocardiograma é feito através da presença de ondas Q patológicas (anormais). A onda Q é um elemento normal do complexo QRS do eletrocardiograma. Esse complexo traduz a despolarização ventricular, ou seja, a descarga elétrica que permite a contração dessa câmara cardíaca.

A área eletricamente inativa poderá ser observada através de outros exames, como o ecocardiograma (presença de área acinética), cintilografia de perfusão miocárdica e ressonância magnética cardíaca (presença de área de fibrose).

Existem algumas doenças que levam ao aparecimento de ondas Q com características patológicas no eletrocardiograma, mas essas não traduzem uma área eletricamente inativa secundária a um infarto do miocárdio prévio. Exemplos: bloqueio do ramo esquerdo, cardiomiopatia hipertrófica, síndrome de Wolf-Parkinson-White, hipertrofia do ventrículo esquerdo, doença pulmonar obstrutiva crônica, entre outras.

Áreas eletricamente inativas poderão ser observadas em pacientes idosos sem antecedentes de infarto do miocárdio prévio ou outras doenças que justifiquem sua presença.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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