Atividade física não compensa o risco de infarto do miocárdio em pacientes com excesso peso, diz estudo

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A atividade física não compensa o risco de infarto do miocárdio em pacientes com excesso peso. Essa é a constatação principal de um estudo realizado na Universidade Ártica da Noruega, chamado de Tromsø study.

“Parece que não ajuda muito estar fisicamente ativo se você está acima do peso”, disse o Dr. Bente Morseth, um dos autores do estudo.

O Tromsø study avaliou 16.104 pessoas que responderam a perguntas sobre sua atividade física em uma pesquisa que foi realizada nos anos de 1979/80. Posteriormente os pesquisadores avaliaram os registros hospitalares dessas pessoas até o ano 2013.

No início do estudo os participantes tinham entre 20 e 54 anos de idade. Durante o período de estudo de 34 anos, 1.613 infartos do miocárdio foram registrados na população estudada.

Os autores do estudo classificaram os participantes em quatro categorias (baixa, moderada, alta e vigorosa), com base na atividade física relatada durante a pesquisa.

Um total de 3.316 participantes relataram participar de atividades físicas, como caminhar ou fazer jardinagem, menos de 4 horas por semana, e foram categorizados no grupo de baixa atividade física. Os 8.963 participantes que relataram realizar atividades físicas por menos 4 horas por semana caíram na categoria de moderada atividade física. Os 3.278 que se engajaram em correr, andar de bicicleta ou realizar outros exercícios físicos por pelo menos 4 horas por semana caíram na categoria de alta atividade física. E os 547 que competiam em esportes caíram na categoria de vigorosa atividade física.

Ao longo dos anos a atividade física conferiu um benefício inquestionável. Após o ajuste para fatores de confusão, como idade, sexo, índice de massa corporal (IMC) e tabagismo, as pessoas na categoria de atividade física moderada tinham 13% menos chances de ter um infarto do miocárdio do que as pessoas na categoria de baixa atividade.

Pessoas na categoria de alta atividade física foram 12% menos propensas a ter um infarto do miocárdio do que aqueles na categoria de baixa atividade física, e as pessoas na categoria de atividade física vigorosa foram 37% menos propensos a ter um infarto do  miocárdio.

Os participantes com IMC acima de 30 kg/m² foram considerados obesos, e tinham 2,7 vezes mais chances de ter um infarto do miocárdio do que aqueles com IMC na faixa normal, ou seja, até 24,9 kg/m².

Os participantes com um IMC de 25 a 29,9 kg/m² foram  considerados com tendo sobrepeso, e apresentaram 1,54 vezes mais chances de ter um infarto do miocárdio do que pessoas com um IMC na faixa normal.

Quando os pesquisadores dividiram os participantes em apenas duas categorias de atividade – ativa e inativa – e avaliaram o risco de infarto do miocárdio por categoria de peso, usando participantes ativos de peso normal como referência, eles descobriram que o risco foi apenas ligeiramente atenuado pela atividade física.

Obesos ativos e inativos tinham um risco de infarto do miocárdio 2,74 e 3,2 vezes maior, respectivamente. Esse dado demonstra um risco significativamente aumentado em obesos, mesmo entre eles que eram fisicamente ativos.

Fonte: American College of Sports Medicine.

Comentário do autor:

Estudos demonstraram que a obesidade é um fator de risco para doenças cardiovasculares, mortalidade cardiovascular e mortalidade por outras causas. Além disso, a obesidade é responsável pelo número crescente de novos casos de diabete melito e hipertensão arterial, dois dos mais importantes fatores de risco cardiovascular.

O aspecto principal para a redução do peso é a restrição calórica. A atividade física, principalmente aquela de maior intensidade, como correr, também é um elemento que pode contribuir para a perda de peso. Sabemos que correr pode ser inapropriado para muitos obesos. Nesses casos, uma caminhada mais prolongada pode ser uma boa opção. Recomenda-se 300 minutos por semana de uma atividade física predominantemente aeróbica, como correr, caminhar ou pedalar.

Casos selecionados poderão usar medicamentos. No Brasil dispomos de três medicamentos aprovados para o tratamento da obesidade: Liraglutida, Orlistat e Sibutramina.

A cirurgia bariátrica pode ser indicada em obesos mórbidos ou obesos menos graves, mas que apresentem doenças graves associadas à obesidade (comorbidades).

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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