Boas e más notícias sobre a hipertensão arterial ( pressão alta )

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Um recente estudo , avaliando a hipertensão arterial , durante dois períodos separados por 10 anos, descobriu que mais adultos dos Estados unidos apresentam hipertensão arterial do que em qualquer momento anterior. A prevalência da doenças aumentou de quase 25%, durante o primeiro período da pesquisa (1988 – 1994), para 28,9%, no segundo período (1999 – 2004). 

Um dos autores do estudo americano , o Dr. Paul D Sorlie  declarou o seguinte : este achado  é algo que não nos agrada , entretanto, há também boas notícias. O conhecimento, o tratamento e o controle da hipertensão arterial  melhoraram, mais do que nunca, o que acreditamos ser uma boa coisa.

O Dr. Sorlie ainda declarou que a elevação da obesidade na população dos Estados Unidos , entre esses mesmos períodos, é a maior  responsável  pelo   aumento dos casos de  hipertensão arterial, principalmente em homens. No entanto , este fato , não parece ser tão  verdadeiro para mulheres, por razões não compreendidas totalmente. Sabendo da relação entre a obesidade e hipertensão arterial , podemos dizer que o controle e a prevenção da obesidade, tem que representar um alvo mais importante agora, pois esta doença contribuiu muito para a acentuação da hipertensão arterial observada neste período.

Prevalência da hipertensão aumentando duas vezes mais rápido em mulheres

Os pesquisadores do NHLBI compararam os achados sobre hipertensão da terceira National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES III), realizada de 1988 a 1994, com dados dos primeiros 6 anos (1999 a 2004) da NHANES atual, que coleta informações, continuadamente, em blocos de 2 anos. Eles examinaram os dados dos 16.351 respondedores do NHANES III e das 14.430 pessoas pesquisadas, de 1999 a 2004, todas com, pelo menos, 18 anos de idade.

A taxa de prevalência padronizada por idade da hipertensão cresceu de 24,4% para 28,9%. Estar com sobrepeso ou ser obeso contribuiu para parte, mas não para todo o aumento da hipertensão, entre diferentes idades, sexos e raças/etnias.

A elevação foi maior para mulheres do que para homens — a proporção de mulheres com pressão arterial alta está crescendo duas vezes mais rapidamente do que em homens — o que ocorreu em todas as raças ou grupos étnicos.

Dependendo do sexo e da raça/etnia, uma proporção de 20 a 80% do aumento pode ser responsabilizada pela elevação do índice de massa corporal, referem os pesquisadores.

“Vemos que muito da magnitude em homens é decorrente da obesidade, mas [isso é menos verdadeiro para] mulheres, possivelmente devido a algumas alterações não exploradas nos fatores de risco para hipertensão”, declara Dr. Sorlie.

Fatores estes que, além da obesidade, que provavelmente contribuiu para a acentuação da hipertensão, incluem o fato de que há mais pessoas vivendo com esta doença do que morrendo por causa dela. “O controle está melhor, então, talvez estejamos vendo muito mais pessoas sobrevivendo, sem evoluir, por exemplo, para infartos”, sugeriu.

Os pesquisadores especulam que outros aspectos que podem ter contribuído para estes crescimentos nos índices de pressão arterial elevada são os estilos de vida cada vez mais sedentários, o consumo crescente de sódio e a falta de acesso aos planos de saúde ou a serviços preventivos.

Foco, agora, sobre mulheres e americanos com descendência mexicana

Em termos de conhecimento, entre os hipertensos, houve um aumento global discreto, de 68,5% a 71,8% (p = 0,04), geralmente, com maior aprimoramento nos homens (de 61,6% a 69,3%) e permanecendo, mais ou menos, da mesma forma em mulheres. De forma geral, os índices de conscientização permaneceram maiores entre as pessoas do sexo feminino, mas a diferença foi consideravelmente estreitada.

O tratamento melhorou, também, de 53,1% a 61,4%, assim como o controle da hipertensão, de 26,1% a 35,1% (p < 0,001 para ambos). Os maiores aumentos ocorreram entre homens não-hispânicos brancos e pessoas negras não-hispânicas, especialmente do sexo masculino (embora negros jovens ainda apresentem baixas taxas de controle, em 20,3%).

No total, as mulheres negras, entretanto, possuíam as melhores taxas de conhecimento e de tratamento e quase o maior controle de seus quadros hipertensivos, declarou Dr. Sorlie.

Ele acredita que isso indica que o alvo para certos grupos étnicos, devido à maior prevalência de hipertensão entre eles, tem tido sucesso: “Eles parecem estar entendendo a mensagem”.

Entre brancos, entretanto, os homens, hoje, apresentam melhor controle de sua doença do que as mulheres, “o que é um tipo de reverso”, comentou. “Embora isso não tenha sido estatisticamente significativo, é interessante ressaltar que essa direção mudou pela primeira vez”, declarou.

Necessita-se de melhor compreensão a respeito do que está impedindo o progresso no tratamento da hipertensão em mulheres, especialmente as brancas, acrescentou.

Mas o grupo que precisa de mais atenção consiste, no momento, em americanos mexicanos, destaca o Dr. Sorlie. Embora não tenha havido melhora nas taxas de tratamento ou de controle da hipertensão, neste grupo étnico, elas permanecem “longe do desejável” e substancialmente inferiores do que aquelas para outras raças, declarou o pesquisador (em 47,4% para tratamento e 24,3% para controle da hipertensão).

As taxas de controle são particularmente pequenas entre homens americanos mexicanos jovens (em 16%) e mulheres mais idosas (19%).

“Americanos mexicanos necessitam de uma melhora enorme no conhecimento, no tratamento e no controle da hipertensão”, ressaltou ele. “Talvez seja porque grande parte disso esteja relacionada com o acesso às unidades de saúde”. Isso demonstra uma forte necessidade do emprego de esforços focados nesta subpopulação, acrescentou.

Kotchen concorda: “Estratégias eficazes e culturalmente sensíveis deverão ser desenvolvidas a fim de atingir o objetivo do Healthy People 2010, cuja meta para hipertensão consiste em uma taxa de controle de 50%, e isso precisará de uma melhor compreensão das barreiras”.

Referências bibliográficas

Cutler JA, Sorlie PD, Wolz M et al. Trends in hypertension prevalence, awareness, treatment and control rates in United States adults between 1988-1994 and 1999-2004. Hypertension 2008;

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