Cirurgia bariátrica : Técnicas cirúrgicas

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A cirurgia para tratar a obesidade ( bariátrica ) , costuma ser indicada para pacientes com índice de massa corporal ou IMC ( que é o peso dividido pela altura ao quadrado ) , acima de 40 kg/m2 ou em pacientes  com valores acima de 35 kg/m2 , mas com doenças associadas à obesidade ( como a hipertensão arterial , diabete melito ou anormalidades do colesterol ) . Existem três modalidades de cirurgias bariátricas :

Cirurgias que causam malabsorção dos nutrientes pelo intestinos: 

As cirurgias causadoras de malabsorção foram as primeiras a serem realizadas no tratamento da obesidade em 1970 . O bypass jejuno-ileal , que é a ligação  de 35cm do jejuno ( parte do intestino delgado ) com 10cm do íleo terminal ( outra parte do intestino  ), causa um quadro clínico de síndrome do intestino curto . É eficaz na perda de peso, mas o desenvolvimento de esteatose hepática ( fígado gorduroso ), pedra nos rins por oxalato de cálcio, supercrescimento bacteriano na alça cega ( alça do intestino que fica sem contato com os alimentos ) , anemia por deficiência de folato, vitamina B12 e outras carências vitamínicas são complicações freqüentes que inviabilizam a sua aplicação .

O bypass bíleopancreático, cirurgia caracterizada por uma retirada parcial do estômago , associada a uma ligação deste orgão com o jejuno-íleo terminal, é uma outra forma de se provocar malabsorção ( técnica de Scopinaro ). Além desse aspecto, a diminuição da capacidade de reservatório do estômago gera uma saciedade precoce e diminui a quantidade de alimento ingerido. Por ter os mesmo efeitos colaterais que a cirurgia anterior, seu uso só é justificável nos super obesos.

Cirurgias causadoras de restrição do tamanho do estômago: 

Existem algumas formas de se causar diminuição do volume gástrico, gerando saciedade precoce . A forma ideal é criar um pequeno compartimento de até 40ml de volume na porção superior do estômago. Este compartimento  deve ser criado de forma  longitudinal para evitar a  uma estagnação  dos alimentos  e o supercrescimento bacteriano, além de facilitar a abordagem por  endoscopia , que poderá ser necessária depois da cirurgia.

O uso de "stapler"  é ineficaz em longo prazo, pois permite a dilatação do compartimento formado, resultando em aumento de peso . Usando-se um anel de material não elástico ( banda gástrica ), envolvendo o compartimento, é possível contornar este problema . Curiosamente, muitos pacientes rapidamente voltam ao seu peso inicial quando descobrem que líquidos hipercalóricos como sorvetes e milk shakes podem ser ingeridos sem provocar saciedade precoce. Em um estudo realizado com 70 pacientes, apenas 38% deles mantinham menos de 50% do excesso de peso prévio . Apesar desses resultados pobres, esta cirurgia continua sendo defendida pela sua segurança e pela ausência de efeitos colaterais metabólicos importantes.

Uma nova cirurgia restritiva, que não tem tempo suficiente para conclusões definitivas, consiste no uso de um anel ajustável de silicone na porção superior do estômago . O anel tem seu diâmetro ajustável através de um tubo de insuflação de água que tem uma válvula colocada no músculo reto abdominal . Os resultados são controversos e, quando indicada, a cirurgia é realizada preferencialmente por via laparoscópica por ter menos complicações e diminuir o tempo de internação.

Cirurgias causadoras de restrição do tamanho do estômago e esvaziamento rápido deste orgão ( Dumping ): 

O bypass gástrico consiste na construção de um pequeno compartimento ( 10 a 30ml apenas ) na parte superior do estômago , separado totalmente do restante do estômago distal , seguido de uma ligação deste compartimento ao uma alça do intestino delgado ( a maioria dos cirurgiões faz a ligação dessa pequena parte do estômago com o jejuno , sob a forma de Y de Roux ). Por último , coloca-se um anel na saída desse pequeno compartimento do estômago ( a maior parte do estômago remanescente , fica excluído ). Esta é a cirurgia preferida pela maioria dos grupos que têm experiência na cirurgia para tratamento da obesidade ( técnica de Capela ).

Além de causar uma saciedade precoce, alimentos hipercalóricos, causam síndrome de dumping ao chegarem no jejuno , limitando a sua ingesta pela sensação desagradável percebida pelos pacientes. Em um estudo com 134 pacientes submetidos a bypass gástrico, observados durante 5,5 anos em média, 60% dos pacientes com obesidade mórbida permaneceram com IMC abaixo de 30Kg/m2 e 33% abaixo de 35Kg/m2 durante todo o período de observação. Neste mesmo estudo, nos super obesos a resposta foi pior, embora bem superior às outras cirurgias descritas em outros estudos. O número de complicações pós-operatórias é pequeno, sendo a anemia por deficiência de ferro e/ou vitamina B12 freqüentes, havendo necessidade de reposição.

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