Conheça cinco regras básicas quando o assunto é tratamento da obesidade

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No Brasil, a pesquisa do Ministério da Saúde, Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), realizada em 2016, demonstrou que 53,8% dos brasileiros adultos estavam acima do peso ideal. A proporção de pessoas obesas com mais de 18 anos de idade era de 18,9%.

Abaixo enumeramos cinco regras básicas sobre o tratamento da obesidade:

-Regra 1:

O tratamento da obesidade não deve visar apenas objetivos estéticos. O tratamento do obeso visa melhorar seu bem-estar e a saúde de seu metabolismo, diminuindo os riscos de desenvolvimento de doenças, aumentando sua perspectiva de vida. Outro aspecto que não pode ser ignorado é a melhoria da imagem corporal e da autoestima. Embora com frequência a obtenção de resultados estéticos seja uma das expectativas principais do paciente, isto não deve ser o objetivo principal do tratamento.

-Regra 2:

Perdas de peso na ordem de 5 a 10% podem não parecer o ideal, mas acarretam inúmeros benefícios para à saúde. O conceito de melhora da saúde metabólica (que visa reverter as anormalidades do metabolismo associadas à obesidade) têm como aspecto básico a perda de peso, que é, apenas a fase inicial do tratamento, sendo a manutenção do peso perdido o objetivo principal.

O sucesso no tratamento da obesidade tem sido influenciado por evidências que indicam que perdas modestas de peso, inferiores aquilo que seria o ideal, podem produzir ganhos significantes para a saúde.

Perdas da ordem de 5% a 10% podem melhorar a pressão arterial, as anormalidades do colesterol e suas frações, redução do número de apneias e hipopneias durante o sono e diminuir o risco de desenvolver diabete melito. Deve-se, portanto, redefinir como sucesso num tratamento para obesidade “reduzir a gravidade da obesidade” em vez de “normalizar o peso corporal”.

Desta forma, até mesmo a estabilização sem perda de peso representa um modesto sucesso, comparado com a história natural de ganho de peso progressivo. Deve-se encorajar objetivos “atingíveis”, com expectativas realistas em vez de criticar falhas que levam a pensamentos negativos.

-Regra 3:

A utilização dos recursos para o tratamento da obesidade deve ser cuidadoso e racional.

As opções atuais do tratamento da obesidade incluem: tratamento nutricional, prática regular de exercícios físicos, terapia cognitiva comportamental,  medicamentos (Orlistat, Sibutramina e Liraglutide), implante de balão intra-gástrico e a cirurgia bariátrica. O tratamento da obesidade deve ser racional.

A utilização de medicamentos e, principalmente da cirurgia bariátrica, apresentam riscos reais, devendo ser instituídas apenas quando justificadas pelo quadro clínico do paciente. O índice de massa corporal (peso dividido pela altura ao quadrado), chamado de IMC, e a presença de outros fatores de risco cardiovascular associados à obesidade são fundamentais na hora de decidir sobre o melhor tratamento.

É também importante observar que os obesos que tem uma maior influência genética, pois provavelmente necessitarão uso indefinido de remédios. Mais ou menos 50% dos pacientes precisam de apenas um tratamento voltado para uma reeducação alimentar e uma prática regular de atividades físicas. Teoricamente são aqueles com um excesso de peso discreto, na faixa de IMC entre 25 a 30 kg/m² e sem complicações do excesso de peso (diabete melito, anormalidades do colesterol ou hipertensão arterial).

Cerca de 40% dos pacientes vão precisar de medicamentos, porque já têm um risco aumentado de doenças associadas com seu excesso de peso. São aqueles com IMC entre 25 e 30 kg/m² com diabete melito, anormalidades do colesterol ou hipertensão arterial, além dos situados entre 30 e 40 kg/m² de IMC.

-Regra 4:

A maioria dos obesos não tem indicação para a uma cirurgia bariátrica. Da totalidade de pacientes obesos, mais ou menos 10 a 15% têm um IMC maior que 40 kg/m² (obesidade mórbida), condicionando um risco altíssimo de complicações. Para estes, assim como para os situados na faixa entre 35 e 40 kg/m² de IMC com diabete melito, hipertensão arterial ou anormalidades do colesterol, recomenda-se atualmente a cirurgia para emagrecer, desde que o tratamento clínico não leve a resultados satisfatórios. O que é fundamental ressaltar à medida a gravidade do excesso de peso aumenta, a probabilidade de que esta pessoa tenha uma maior tendência genética para a obesidade também aumenta.

-Regra 5:

Evite terapias  alternativas para o tratamento da obesidade. Não se engane. A medicina atual deve ser sempre baseada em evidências, ou seja, para instituirmos alguma forma de tratamento para obesidade,  este deve estar respaldado em trabalhos científicos sérios, aprovados pelos especialistas da área de nutrição, endocrinologia e metabolismo. Consulte seu médico antes de inciar qualquer tratamento para à obesidade.

Fonte: Obesidade – Grupo Editorial Moreira Júnior.

“O Portal do Coração adverte: nunca inicie, substitua ou suspenda uma medicação sem orientação médica”.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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