Dieta pobre em carboidratos (low carb) ou dieta pobre em gorduras (low fat)?

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Muitas pessoas que querem perder peso tentam dietas “da moda”, que envolvem a drástica redução do consumo de um tipo de alimento (macronutriente), substituindo-o por outro.

Na década de 1960, dietas com pouca gordura, como inicialmente recomendadas pela American Heart Association, tornaram-se populares, tendência encorajada pela indústria do açúcar.

Dietas com pouca gordura ainda são populares, apesar das evidências de estudos científicos indicarem que elas não são mais bem-sucedidas do que outras dietas. As dietas com baixo teor de gordura, também estão associadas a alto consumo de carboidratos, o que tem sido relacionado com aumento do risco de mortalidade.

Mais recentemente, as dietas pobres em carboidratos e ricas em proteínas, como a dieta de Atkins, também têm sido amplamente adotadas, tendo mostrado benefícios em curto e longo prazo na perda de peso em estudos científicos, embora também tenham sido associadas a aumento da lipoproteína de baixa densidade do colesterol (LDL-colesterol, do inglês Low-Density Lipoprotein, conhecido como “colesterol ruim”). No entanto, independentemente de quais macronutrientes os pacientes decidem adotar, a adesão a qualquer uma dessas dietas é baixa, pois é difícil restringir carboidratos por longo tempo.

“Sou muito desconfiado do paradigma dessas diferentes dietas”, disse o Dr. Kenneth W. Lin, professor da Georgetown University School of Medicine. “A dieta mediterrânea tradicional ou a DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) são as dietas sobre as quais eu costumo conversar com os pacientes. É inútil se concentrar na quantidade de gordura que um alimento contém, especialmente quando já é rotulado como ‘baixo teor de gordura’ e, para início de conversa, não há nenhuma razão especial para que tenha gordura”.

O Dr. Lin observa que as orientações alimentares agora concentram-se em restringir a ingestão de gorduras saturadas e trans, em vez de todas as gorduras. A dieta mediterrânea tem mais probabilidade de conter gorduras poli-insaturadas e monoinsaturadas, as chamadas “gorduras boas”, ressalta.

O Dr. Lin finaliza: “uma dieta equilibrada é preferível a qualquer dieta concentrada em macronutrientes”.

Fonte: Medscape.

Comentário do autor:

Três padrões alimentares demonstraram um efeito positivo na redução da pressão arterial e complicações cardiovasculares. Observem que elas apresentam elementos comuns.

-A dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) enfatiza o consumo de frutas, hortaliças e laticínios com baixo teor de gordura; inclui a ingestão de cereais integrais, frango, peixe e frutas oleaginosas; preconiza a redução da ingestão de carne vermelha, doces e bebidas com açúcar. Ela é rica em potássio, cálcio, magnésio e fibras, e contém quantidades reduzidas de colesterol, gordura total e saturada.

-A dieta do Mediterrâneo também é rica em frutas, frutos secos (damasco, tâmara) hortaliças e cerais integrais, porém possui quantidades generosas de azeite de oliva (fonte de gorduras monoinsaturadas) e inclui também consumo de oleaginosas, queijo branco, peixes e frutos do mar, além da ingestão moderada de vinho. A ingestão de carne vermelha é ocasional.

-As dietas vegetarianas preconizam o consumo de alimentos de origem vegetal, em especial frutas, hortaliças, grãos e leguminosas; excluem ou raramente incluem carnes; e algumas incluem laticínios, ovos e peixes.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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