Disfunção erétil é preditora independente de eventos cardiovasculares

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A disfunção erétil é definida como uma dificuldade ou incapacidade persistente de se obter e/ou manter uma ereção suficiente para uma vida sexual satisfatória.

A disfunção erétil e as doenças cardiovasculares compartilham de fatores de risco comuns, incluindo obesidade, hipertensão arterial (pressão alta), síndrome metabólica, diabete melito e tabagismo.

A disfunção erétil e as doenças cardiovasculares também apresentam mecanismos fisiopatológicos comuns, ou seja, anormalidades que determinam o aparecimento dessas doenças, como a disfunção endotelial (que implica em uma menor capacidade de relaxamento dos vasos), inflamação e aterosclerose (formação de placas de gorduras, chamadas de ateromas, nas artérias).

Apesar dessas relações estreitas, as evidências de que a disfunção erétil seria um preditor de risco independente para eventos cardiovasculares, como o infarto do miocárdio (ataque cardíaco) e acidente vascular cerebral (derrame cerebral), eram limitadas.

O estudo MESA (Multi-Ethnic Study of Atherosclerosis) avaliou o papel da disfunção erétil (autorrelatada por homens) para prever o desenvolvimento de doenças cardiovasculares em indivíduos que não apresentavam histórico dessas doenças antes de ingressar no estudo.

Para tal, um total de 1.914 homens responderam questionários sobre a presença de disfunção erétil. Sintomas compatíveis com disfunção erétil foram relatados por 877 (45,8%) dos participantes.

Um total de 1.757 homens concluíram o estudo, e foram acompanhados por cerca de 3,8 anos para verificar a ocorrência de eventos cardiovasculares, incluindo infarto do miocárdio (ataque cardíaco), acidente vascular cerebral (derrame cerebral), parada cardíaca ressuscitada e morte por doenças cardiovasculares.

Após afastar vários fatores de confusão, os autores do estudo observaram que uma proporção significativamente maior dos homens que relataram sintomas de disfunção erétil apresentaram eventos cardiovasculares durante o período de 3,8 anos de acompanhamento.

Esse estudo fornece a evidência científica mais robusta até o momento de que a disfunção erétil é um preditor independente para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares.

Fonte: Circulation.

Comentário do autor:

Homens com queixas de disfunção erétil, principalmente aqueles casos em que a disfunção erétil não parece ser de origem psicológica (disfunção erétil orgânica), e ainda, que apresentam fatores de risco cardiovascular, como obesidade, hipertensão arterial, diabete melito e tabagismo, devem ser acompanhados clinicamente com o objetivo de implementar medidas preventivas que possam diminuir o risco de eventos cardiovasculares no futuro.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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