Consequências das anormalidades do colesterol e suas frações

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As gorduras, também denominadas de ácidos graxos ou lípides, são substâncias que funcionam como fonte de energia  para  os processos metabólicos do organismo.

As dislipidemias, também chamadas de hiperlipidemias, são anormalidades na concentração das gorduras circulantes no sangue,  fato que predispõe os indivíduos ao aparecimento da aterosclerose  (formação de placas de gordura ou ateromas na parede das artérias).

As dislipidemias não costumam causar sintomas, sendo o seu diagnóstico primordialmente laboratorial. Raros casos podem apresentar alterações da pele, como os xantomas e xantelasmas.

Os triglicerídeos quando muito elevados (acima de 500 mg/dl) no sangue podem causar uma pancreatite aguda (inflamação do pâncreas), a qual costuma cursar com dor abdominal intensa.

A aterosclerose e suas consequências são a principal causa de morte no Brasil. As gorduras são obtidas dos alimentos (15%) ou são formadas em nosso próprio corpo (85%), principalmente no fígado, podendo serem armazenadas nas células gordurosas (adiposas) para um uso futuro. As células adiposas isolam o corpo contra o frio e ajudam a protegê-lo contra traumas. As gorduras  são componentes essenciais das membranas celulares, das bainhas de mielina das células nervosas e da bile.

Aterosclerose

A aterosclerose é uma doença crônica que afeta a parede das artérias de médio e grosso calibres, levando à formação de placas de gordura (ateromas) que podem comprometer o fluxo de sangue através dessas artérias.

A doença  pode afetar as artérias do cérebro, coração, rins e de outros órgãos vitais, assim como as artérias dos membros superiores e inferiores.

Quando a aterosclerose ocorre nas artérias que suprem o cérebro (artérias carótidas) ela poderá provocar uma isquemia cerebral transitória, acidente vascular cerebral (derrame cerebral) e morte.

Quando a aterosclerose ocorre nas artérias que suprem o coração (artérias coronárias) ela poderá provocar angina do peito, infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca e morte.

Nos Estados Unidos, e na maior parte do mundo, a aterosclerose e suas manifestações clínicas são as principais causa de doença e morte.

Apesar dos importantes avanços da medicina, o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral são responsáveis por mais mortes que todas as demais causas combinadas.

Fatores de risco para a aterosclerose

O  surgimento e a progressão  da aterosclerose relacionam-se com a presença dos fatores de risco cardiovascular.  Os principais são:  hipertensão arterial, dislipidemias (níveis sanguíneos elevados de “colesterol ruim” ou LDL-colesterol e níveis baixos de “colesterol bom” ou HDL-colesterol ), tabagismo , diabete melito , obesidade    (principalmente a obesidade central, ou seja, da cintura para cima), sedentarismo, estresse psicossocial e o envelhecimento.

O fato de um indivíduo ter um parente de primeiro grau (pais, irmãos e avós) que  tenha desenvolvido aterosclerose precoce (parente homem com menos de 55 anos e parente mulher com menos de 65  anos), também é um importante fator de risco (história familiar positiva para aterosclerose prematura).

Na hipercolesterolemia familiar, outra doença hereditária, níveis sanguíneos de colesterol extremamente altos estimulam a formação de ateromas nas artérias coronárias muito mais do que nas demais artérias do organismo.

Causas da aterosclerose

A aterosclerose começa quando os monócitos (um tipo de glóbulo branco de defesa) migram da corrente sanguínea para a parede da artéria, transformando- se em células que acumulam gordura. No decorrer do tempo, esses monócitos gordurosos acumulam-se e provocam um espessamento em forma de placas no revestimento interno da artéria.

Cada área de espessamento (chamada de placa aterosclerótica ou ateroma) é constituída por diversos materiais como o colesterol, células musculares lisas e células do tecido conjuntivo.

Os ateromas podem localizar-se em artérias de médio e grande calibre mas, geralmente, eles formam-se nos locais de ramificação das artérias, supostamente porque a turbulência do sangue  constante nessas áreas  lesa a parede arterial, tornando-as mais susceptíveis a formação dos ateromas.

As artérias afetadas pela aterosclerose perdem sua elasticidade, e a medida que os ateromas crescem, tornam-se mais estreitas. Com o passar do tempo os ateromas acumulam depósitos de cálcio, podem tornando-se mais frágeis e propensas à ruptura.

O sangue então pode penetrar em um ateroma rompido aumentando seu tamanho e diminuindo ainda mais a luz arterial. O ateroma roto também pode liberar seu conteúdo gorduroso, dando início a formação de um coágulo sanguíneo (trombo). Este processo é conhecido como “acidente da placa de ateroma”.

O coágulo pode diminuir ainda mais a luz da artéria ou mesmo obstruí-la ou ele pode desprender-se e produzir uma oclusão (embolia ) em um segmento distal da circulação.

O acidente de uma placa de ateroma em uma artéria coronária costuma manifestar-se de uma forma aguda, levando à angina instável, infarto do miocárdio ou morte súbita.

Sinais e sintomas da aterosclerose

Em geral, a aterosclerose não causa sintomas até haver produzido um estreitamento importante da artéria ou até provocar uma obstrução súbita (“acidente da placa de ateroma”).

Os sintomas dependem do local de desenvolvimento da aterosclerose. Por essa razão, eles podem refletir problemas no coração, cérebro, membros inferiores ou em praticamente qualquer região do corpo.

Quando aterosclerose afeta uma artéria de forma considerável, as áreas do corpo por ela supridas podem não receber uma quantidade suficiente de sangue, o qual transporta oxigênio para os tecidos . Este  processo é conhecido como isquemia tecidual. Por exemplo, durante a prática de exercícios a pessoa sente dor torácica (angina de peito) em decorrência da falta de oxigênio ao coração, ou ao caminhar sente câimbras nas pernas (claudicação intermitente), decorrente da falta de oxigenação nas pernas.

Em geral, esses sintomas desenvolvem-se gradualmente, conforme a aterosclerose vai evoluindo e estreitando a luz da artéria. Infelizmente quando uma obstrução ocorre de modo súbito (“acidente da placa de ateroma”), ou seja, quando um coágulo sanguíneo surge repentinamente em uma artéria, os sintomas surgem de forma aguda.

Angina do peito instável, infarto do miocárdio, isquemia cerebral transitória e o derrame cerebral são consequências comuns desse processo agudo.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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