Doenças do músculo cardíaco

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A miocardite é a inflamação da parede muscular  ( miocárdio ) das câmaras inferiores e maiores do coração ( ventrículos ) . Esta doença é potencialmente grave e , muitas vezes , fatal ( miocardite fulminante ) .

As  miocardites podem ter inúmeras causas : vírus , bactérias  , medicamentos , doenças auto-imunes , etc… As miocardites podem ser reversíveis ou evoluírem para   um quadro de  miocardiopatia dilatada ( leia adiante ). Geralmente , as miocardites manifestam-se com sintomas de insuficiência cardíaca , com um início súbito. 

As miocardiopatias são doenças progressivas que alteram a estrutura e comprometem a função de bomba da parede muscular ( miocárdio ) , das câmaras inferiores e maiores do coração ( ventrículos ). Existem inúmeras causas para as  miocardiopatias , no entanto , alguns casos não têm uma causa identificável ( casos idiopáticos ).

Tpos de miocardiopatias :

Existem três tipos distintos de miocardiopatias :  miocardiopatia dilatada ( MCD ) , miocardiopatia hipertrófica ( MCH ) e a miocardiopatia restritiva ( MCR ). O ecocardiograma ( exame que avalia a estrutura e a função do coração através de imagens obtidas por ultrassom ) , costuma ser o principal exame para o diagnóstico dos diversos tipos de miocardiopatias. 

– Miocardiopatia dilatada:

O termo miocardiopatia dilatada ( MCD ) indica um grupo de doenças cardíacas nas quais os ventrículos dilatam , sendo incapazes de bombear um volume de sangue suficiente para suprir as necessidades metabólicas do organismo , acarretando o quadro de  insuficiência cardíaca.

A causa identificável mais comum da miocardiopatia dilatada é a doença arterial coronariana  , caracterizada por depósitos de gordura na parede das artérias do coração ( ateromas ). A  doença arterial coronariana  leva a uma irrigação sangüínea inadequada ao miocárdio , podendo causar-lhe uma lesão permanente.

Como conseqüência, a parte do miocário não-lesada , sofre um espessamento para compensar a perda da função de bombeamento do coração. Quando esse espessamento não compensa adequadamente , surge uma dilatação cardíaca. Uma inflamação aguda do miocárdio ( miocardite ) por uma infecção viral , pode ainda ser a causa da miocardiopatia dilatada futura .

No Brasil e , em outros países da américa latina , o comprometimento cardíaco pela doença de Chagas, é uma das principais causas de miocardiopatia dilatada. Alguns distúrbios hormonais crônicos , como o diabete melito , obesidade mórbida e os distúrbios da glândula tireóide, podem causar uma miocardiopatia dilatada.

O problema também pode ser causado por drogas, como o álcool e a cocaína, e por medicamentos, como a doxirrubicina ( usada em quimioterapias ). Raramente, a gravidez ( miocardiopatia peri-parto ) ou doenças do tecido conjuntivo, como a artrite reumatóide, podem causar a miocardiopatia dilatada.

Muitos casos de miocardiopatia dilatada não apresentam uma causa aparente , chamados de miocardiopatia dilatada idiopática. Em alguns casos, podem ter um caráter genético. 

Sinais , sintomas e diagnóstico:

Os primeiros sintomas da miocardiopatia dilatada  costumam ser a dificuldade respiratória durante os exercícios ( dispnéia ) e a fadiga ( cansaço fácil )  , decorrentes do quadro de insuficiência cardíaca. Quando a miocardiopatia dilatada é decorrente de uma infecção, os primeiros sintomas podem ser uma febre súbita e sintomas similares aos de uma virose.

Qualquer que seja a causa, a freqüência cardíaca aumenta, a pressão arterial costuma ser normal ou baixa, ocorre retenção de líquido nos membros inferiores , abdômen e nos pulmões ( edema pulmonar ). A dilatação do coração , faz com que as válvulas cardíacas abram e fechem inadequadamente e , aquelas que permitem a passagem do sangue aos ventrículos ( válvulas mitral e tricúspide), freqüentemente, apresentam uma insuficiência ( regurgitação ).

Um fechamento valvular inadequado produz um sopro, o qual pode ser auscultado pelo médico com o auxílio de um estetoscópio. A lesão miocárdica e a dilatação podem  alterar o ritmo cardíaco , acarretando o aparecimento de arritmias cardíacas . Essas anormalidades interferem ainda mais na função de bomba do coração .

O diagnóstico é baseado nos sintomas e no exame físico. O eletrocardiograma  ( exame que avalia a atividade elétrica do coração ao repouso ) pode revelar alterações decorrentes da doença . A radiografia do tórax revela um aumento da área cardíaca. O ecocardiograma ( exame que utiliza ondas ultrassônicas para gerar uma imagem das estruturas cardíacas) costuma ser o exame mais importante para o diagnóstico de miocardiopatia dilatada.

A ressonância magnética  , o caterismo cardíaco e cineangiocoronariografia e a biópsia do miocárdio , poderão ser  indicados para uma melhor elucidação do quadro.

Prognóstico e tratamento: 

O prognóstico dos pacientes com miocardiopatia dilatada,  piora à medida que as paredes cardíacas tornam-se mais dilatadas e a função cardíaca deteriora. As alterações do ritmo cardíaco também indicam um prognóstico ruim. A  miocardiopatia dilatada causada pela doença arterial coronariana  , também costuma ter uma pior evolução .

Aproximadamente 50% das mortes são súbitas, provavelmente em razão de arritmias cardíacas. O tratamento das causas subjacentes específicas, como a cessação de ingesta alcóolica , por exemplo , poderão ajudar a prolongar a vida do paciente. No indivíduo com doença arterial coronariana, a irrigação sangüínea deficiente poderá provocar angina do peito .

Nestes pacientes , o uso de medicamentos , a angioplastia coronariana e a cirurgia de ponte de safena, podem melhorar o quadro de miocardiopatia dilata. Em geral , os portadores de miocardiopatia dilatada necessitarão da utilização de vários medicamentos ( diuréticos , vasodilatadores , etc… ) , que visam melhorar os sintomas e prolongar a expectativa vida .

O coração dilatado ou com fibrilação atrial ( arritmia cardíaca ) , é mais propenso a formação de coágulos sangüíneos , os quais podem migrar do coração e obstruir uma artéria à distância , causando , por exemplo , um derrame cerebral. Para evitar esse complicação , pode ser necessário o uso de anticoagulantes.  

ocorrência  , poderão ser utilizadas as drogas anticoagulantes. Um marcapasso artificial ( terapia de ressincronização cardíaca ) poderá ser indicado em pacientes conm sintomas severos e que apresentam , em seu eletrocardiograma , uma anormalidade chamada de bloqueio completo do ramo esquerdo.

Um desfibrilador automático implantável ( dispositivo que identifica e suprime uma arritmia cardíaca imediatamente , através de um choque elétrico ) poderão ser indicados para o tratamento de uma miocardiopatia dilatada, visando evitar a morte súbita.

No entanto, a menos que a causa da miocardiopatia dilatada possa ser tratada, é provável que a insuficiência cardíaca acarrete a morte do paciente. Devido a esse prognóstico adverso , a miocardiopatia dilatada é a indicação mais comum para a realização de um transplante cardíaco.

– Miocardiopatia hipertrófica :

O termo miocardiopatia hipertrófica ( MCH ) indica  um grupo de doenças cardíacas caracterizadas por um espessamento  anormal das paredes ventriculares ( hipertrofia ). A  miocardiopatia hipertrófica pode ser um defeito genético-hereditário. Ela também pode ocorrer em adultos com acromegalia, um distúrbio resultante do excesso de hormônio do crescimento no sangue ou em portadores de feocromocitoma, um tumor que produz adrenalina.

Geralmente, qualquer espessamento das paredes musculares do coração ( hipertrofia ) , representa a uma reação  a um aumento da carga de trabalho , como ocorre na hipertensão arterial ou no estreitamento da válvula aórtica ( estenose aórtica ) . Estes dois distúrbios , aumentam a resistência da saída de sangue do coração.

No entanto, os indivíduos com miocardiopatia hipertrofica não apresentam essas condições. A intensa hipertrofia dos ventrículos,  dificulta que estes relaxem para receber o sangue que vem oxigenado dos  pulmões. Uma das conseqüências , é um acúmulo de líquido nos pulmões ( edema pulmonar ) e, conseqüentemente, uma dificuldade respiratória ( dispnéia ).

Sinais , sintomas e diagnóstico:

Os sintomas  típicos da miocardiopatia hipertrófica são a falta de ar ,  dor torácica,  palpitações , lipotímia ( sensação de desmaio ) ou até mesmo , a  síncope ( desmaio  ). Em decorrência dos batimentos cardíacos irregulares ( arritmias cardíacas ), pode ocorrer a morte súbita. Geralmente, o médico suspeita de uma  miocardiopatia hipertrófica através do exame clínico.

O diagnóstico é confirmado por um ecocardiograma. No caso do médico aventar a possibilidade de uma cirurgia, pode ser necessária a realização de uma  cateterismo cardíaco e cineangiocoronariografia.

Prognóstico e tratamento:

Anualmente, cerca de 2% das pessoas com miocardiopatia hipertrófica  morrem. Geralmente, a morte é súbita. A morte por insuficiência cardíaca crônica é menos comum. Pode ser necessário o aconselhamento genético para os indivíduos que apresentam esse distúrbio de natureza congênita e que desejam ter filhos.

O tratamento tem como objetivo principal ,  reduzir a resistência cardíaca à entrada de sangue que chega oxigenado dos pulmões , entre cada batimento cardíaco. Administrados de forma isolada ou simultânea, alguns medicamentos são a base do  tratamento.

Uma forma de tratamento da miocardiopatia hipertrófica , é através da obstrução de uma artéria , chamada de septal , que irriga a parte espessada do músculo cardíaco. Desta forma , este procedimento ( realizado por cateterismo cardíaco ) , acarreta a destruição desta porção do músculo  , aliviando os sintomas da doença e evitando uma cirurgia.

A cirurgia de remoção de parte do miocárdio melhora o refluxo do sangue do coração, mas essa operação é realizada apenas em indivíduos cujos sintomas são incapacitantes apesar da terapia medicamentosa. A cirurgia pode reduzir os sintomas, mas não diminui o risco de vida.

O implante de um marcapaso artificial poderá ser indicada em portadores de miocardiopatia hipertrófica, podendo melhorar a disfunção cardíaca causada pela doença. O desfibrilador automático implantável , é um dispositivo que identifica arritmias cardíacas e as trata imediatamente , através de um choque elétrico. Alguns pacientes com miocardiopatia hipertrófica , serão candidatos ao implante deste dispositivo. 

– Miocardiopatia restritiva :

O termo miocardiopatia restritiva ( MCR ) , indica um grupo de doenças cardíacas nas quais as paredes ventriculares tornam-se endurecidas, mas não necessariamente apresentam espessamento , produzindo uma resistência ao enchimento normal de sangue que chega oxigenado dos pulmões , entre cada batimento cardíaco ( diástole ).

É a forma menos comum de miocardiopatia e, geralmente , a sua causa é desconhecida. Em um de seus dois tipos básicos, o miocárdio é substituído gradualmente por tecido cicatricial ( endomiocardiofibrose ). Em outro tipo, ocorre uma infiltração de um material anormal no miocárdio como, por exemplo, um certo tipo de glóbulo branco ( eosinófilo ) .

Outras causas de miocardiopatia restritiva  são  a amiloidose e a sarcoidose. Quando o organismo possui uma quantidade excessiva de ferro, esse metal pode acumular-se no miocárdio, como ocorre na hemocromatose  ( sobrecarga de ferro nos tecidos ).

Sinais , sintomas e diagnóstico: 

A miocardiopatia restritiva  causa insuficiência cardíaca acompanhada de dificuldade respiratória ( dispnéia ) . O diagnóstico baseia-se, no exame clínico,  eletrocardiograma e , principalmente , no ecocardiograma ( exame que analisa a estrutura e função cardíaca através de imagens ultrassônicas ).

A ressonância magnética pode fornecer informações adicionais sobre a estrutura do coração. Um diagnóstico  mais preciso poderá exigir  um cateterismo cardíaco e cineangiocoronariografia, para a mensuração das pressões ou uma biópsia do miocárdio ( remoção e exame microscópico de uma amostra ), a qual pode permitir a identificação da substância infiltrada.

Uma condição que pode causar um quadro clínico semelhante ao da miocardiopatia restritiva , é uma doença do pericárdio , chamada de pericardite constritiva crônica.

Prognóstico e tratamento: 

Cerca de até 50% dos indivíduos com miocardiopatia restritiva  podem morrer nos primeiros cinco anos que sucedem ao início dos sintomas. Para a maioria das pessoas com esse distúrbio, não existe uma terapia satisfatória. Por exemplo, os diuréticos, que normalmente são utilizados no tratamento da insuficiência cardíaca, podem reduzir o volume sangüíneo que chega ao coração, agravando o problema em vez de melhorá-lo.

As drogas normalmente utilizadas em casos de insuficiência cardíaca que visam reduzir a carga de trabalho do coração, em geral, não ajudam, pois elas podem produzir uma redução excessiva da pressão arterial. Algumas vezes, a causa da MCR pode ser tratada para prevenir uma piora da lesão cardíaca ou mesmo para reverter o quadro.

Por exemplo, nos casos de uma sobrecarga de ferro, a remoção de sangue em intervalos regulares reduz a quantidade de ferro depositado no coração. Os indivíduos com sarcoidose podem utilizar corticosteróides . A cirurgia na MCR pode melhorar os sintomas da doença , mas não prolonga a vida do paciente.  

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