Estenose aórtica calcificada é a doença valvular mais comum no idoso

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A estenose (estreitamento) da válvula aórtica é a doença valvular mais comum no idoso, sendo geralmente causada pela degeneração e calcificação dessa válvula.

A doença é mais comum a partir da sexta década de vida. Em um estudo com ecocardiograma (exame que avalia as estruturas cardíacas através de ondas de ultrassom) demonstrou que cerca de 2% das pessoas com mais de 65 anos apresentava estenose aórtica calcificada e 29% algum grau de esclerose da válvula, que é considerada a etapa inicial da doença.

A presença de diabete melito e dislipidemia (anormalidades do colesterol) são fatores de risco para o desenvolvimento da esclerose.

Sinais e sintomas 

O sinal típico da doença é a presença de um sopro cardíaco. Em termos de sintomas, a estenose aórtica calcificada poderá causar dispneia (falta de ar), síncope (desmaio) e dor torácica.

Embora o paciente possa permanecer assintomático por um longo período de tempo, após o surgimento dos sintomas a sobrevida média é de 2 a 3 anos, se não for instituído um tratamento definitivo.

Diagnóstico

Baseia-se no exame clínico, eletrocardiograma e, principalmente, no ecocardiograma. Este último exame confirma o diagnóstico e estabelece a gravidade da estenose aórtica, por estimar a área da válvula e seus gradientes máximo e médio (pressão que o jato de sangue determina ao passar pela válvula estreitada). A tomografia de tórax pode quantificar o grau de calcificação da válvula, informação útil em portadores de estenose aórtica severa  assintomática (1.650 UA em homens e 1.250 UA em mulheres).

Classificação

A válvula aórtica normal tem uma área de 2,6 até 3,5 cm².

-Estenose aórtica leve: a área da válvula é maior que 1,5 cm², e gradiente médio menor que 25 mmHg (o gradiente é a pressão que o jato de sangue exerce ao passar pelo orifício da válvula estreitado).

– Estenose aórtica moderada: a área da válvula situa-se entre 1,0 e 1,5 cm², e gradiente médio entre 25 e 40 mmHg.

– Estenose aórtica severa: a área da válvula é menor que 1,0 cm², e gradiente médio maior que 40 mmHg.

Tratamento

O tratamento da estenose aórtica calcificada severa é cirúrgico, já que os resultados com medicamentos são desapontadores.

São indicativos da necessidade de troca da válvula na estenose aórtica severa: presença de sintomas, evidências de que o coração está fraco (disfunção ventricular esquerda ) e a necessidade de cirurgia por outras causas, como a cirurgia de ponte de safena (faz-se as dois procedimentos cirúrgicos juntos).

No idosos, pela expectativa de vida, e também por não haver a necessidade de usar anticoagulantes (medicamentos que aumentam o risco de sangramentos), costumamos optar por trocar a válvula e colocar uma prótese biológica.

Em pacientes de risco cirúrgico alto, o implante de bioprótese aórtica transcateter (TAVI) é uma opção de tratamento com bons resultados. Essa prótese é aberta dentro da válvula doente, sendo implantada a partir da artéria femural, localizada na virilha. Esse procedimento apresenta menor risco, proporciona um menor tempo de internação e uma recuperação mais rápida que o tratamento cirúrgico.

A dilatação da válvula aórtica através de cateter balão poderá ser realizada em pacientes de alto risco cirúrgico, enquanto se aguarda um tratamento definitivo com TAVI.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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