Estenose aórtica

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O nosso coração possui quatro câmaras: duas superiores e menores (átrios) e duas inferiores e maiores (ventrículos). Cada ventrículo possui uma válvula de entrada e outra de saída, totalizando quatro, que normalmente conduzem o sangue em apenas um único sentido.

O sangue pobre em oxigênio flui através da válvula tricúspide do átrio direito para o ventrículo direito, e da válvula pulmonar do ventrículo direito para as artérias pulmonares (circulação pulmonar), para ser oxigenado.

O sangue oxigenado no átrio esquerdo passa pela válvula mitral até o ventrículo esquerdo e, por último, sai do ventrículo esquerdo em direção à artéria aorta através da válvula aórtica (circulação sistêmica).

Quais as doenças que podem surgir nas válvulas cardíacas ?

As válvulas cardíacas doentes podem permitir um vazamento anormal do sangue (insuficiência valvular) ou dificultar a passagem normal do sangue por não apresentarem uma abertura adequada (estenose valvular).

Estas anormalidades das válvulas (valvulopatias) podem apresentar graus variados de gravidade (leve, moderada ou severa), interferindo na capacidade de bombeamento do sangue pelo coração.

Uma válvula pode eventualmente apresentar os dois tipos de anormalidades de uma forma simultânea (insuficiência mitral leve associada a uma estenose mitral severa, por exemplo), o que chamamos de dupla lesão valvular.

Estenose aórtica

A estenose aórtica caracteriza-se pelo estreitamento do orifício da válvula aórtica, dificultado a saída de sangue do coração quando esse se contrai (sístole ventricular).

-Causas:

A estenose aórtica é a doença valvular mais comum no idoso, sendo geralmente causada pela degeneração e calcificação dessa válvula com o avançar da idade, embora também possa ser causada pela moléstia reumática ou surgir aina a partir de uma válvula aórtica bicúspide (anomalia congênita na qual a válvula aórtica tem dois folhetos ao invés de três).

A doença é mais comum a partir da sexta década de vida. Em um estudo com ecocardiograma (exame que avalia as estruturas cardíacas através de ondas de ultrassom) demonstrou que cerca de 2% das pessoas com mais de 65 anos apresentava estenose aórtica calcificada e 29% algum grau de esclerose da válvula, que é considerada a etapa inicial da doença. A presença de diabete melito e dislipidemia (anormalidades do colesterol) são fatores de risco para o desenvolvimento da esclerose da válvula aórtica.

-Sinais e sintomas: 

O sinal típico da doença é a presença de um sopro cardíaco. Em termos de sintomas, a estenose aórtica calcificada poderá causar dispneia (falta de ar), síncope (desmaio) e dor torácica.

Embora o paciente possa permanecer assintomático por um longo período de tempo, após o surgimento dos sintomas a sobrevida média é de 2 a 3 anos, se não for instituído um tratamento definitivo.

-Diagnóstico:

Baseia-se no exame clínico, eletrocardiograma e, principalmente, no ecocardiograma. Este último exame confirma o diagnóstico e estabelece a gravidade da estenose aórtica, por estimar a área da válvula e seus gradientes máximo e médio (pressão que o jato de sangue determina ao passar pela válvula estreitada).

A tomografia de tórax pode quantificar o grau de calcificação da válvula, informação útil em portadores de estenose aórtica severa  assintomática (1.650 UA em homens e 1.250 UA em mulheres).

-Classificação:

A válvula aórtica normal tem uma área de 2,6 até 3,5 cm².

*Estenose aórtica leve: a área da válvula é maior que 1,5 cm², e gradiente médio menor que 25 mmHg (o gradiente é a pressão que o jato de sangue exerce ao passar pelo orifício da válvula estreitado).

*Estenose aórtica moderada: a área da válvula situa-se entre 1,0 e 1,5 cm², e gradiente médio entre 25 e 40 mmHg.

*Estenose aórtica severa: a área da válvula é menor que 1,0 cm², e gradiente médio maior que 40 mmHg.

-Tratamento:

O tratamento da estenose aórtica calcificada severa é cirúrgico, já que os resultados com medicamentos são desapontadores.

São indicativos da necessidade de troca da válvula na estenose aórtica severa: presença de sintomas, evidências de que o coração está fraco (disfunção ventricular esquerda ) e a necessidade de cirurgia por outras causas, como a cirurgia de ponte de safena (faz-se as dois procedimentos cirúrgicos juntos).

No idosos, pela expectativa de vida, e também por não haver a necessidade de usar anticoagulantes (medicamentos que aumentam o risco de sangramentos), costumamos optar por trocar a válvula e colocar uma prótese biológica.

Em pacientes de risco cirúrgico alto, o implante de bioprótese aórtica transcateter (TAVI) é uma opção de tratamento com bons resultados. Essa prótese é aberta dentro da válvula doente, sendo implantada a partir da artéria femural, localizada na virilha. Esse procedimento apresenta menor risco, proporciona um menor tempo de internação e uma recuperação mais rápida que o tratamento cirúrgico. Pacientes com estenose aórtica grave e risco cirúrgico moderado à grave são candidatos ao implante de uma TAVI.

A dilatação da válvula aórtica através de cateter balão poderá ser realizada em pacientes de alto risco cirúrgico, enquanto se aguarda um tratamento definitivo com TAVI.

-Prevenção da endocardite infecciosa:

Qualquer pessoa que tenha uma válvula artificial em seu coração (inclusive a TAVI) ou que tenha tido um episódio prévio de endocardite infecciosa deverá tomar antibióticos antes de ser submetida a um tratamento odontológico para evitar a ocorrência de endocardite infecciosa.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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