Filhos e limites

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A primeira idéia que me ocorre ao ouvir algo relacionado ao tema de limites é: "não se pode dar aquilo que não se tem." Uma posição radical que auxilia a refletir sobre a não unilateralidade deste problema tão comum, ou seja, se o filho está sem limites pode ser que os cuidadores estejam impossibilitados de limita-lo. Geralmente os problemas de limites que chegam à terapia familiar estão associados a outras faltas e demandam uma atenção cuidadosa para que não se transforme e intensifique.

De forma geral as crianças buscam uma coerência e são astutas observadoras. Esta é a razão da importância da a reflexão sobre nossas ações e condições pessoais de lidar com os limites, antes de sair aplicando fórmulas e receitas para com os pequenos.

No passado havia uma boa regra a palmada e ai se não obedecer!! Alguns eram mais efusivos e partiam para a surra. Enquanto outros perdiam a cabeça e espancavam. Um passado que não foi totalmente ultrapassado! Então, a partir da posição de não compartilhamento da palmada como método educativo é que outras alternativas podem ser elaboradas. A criança pode até parecer que esta pedindo, mas cabe ao adulto discernir e ter condições para poder optar e driblar a situação com outras técnicas.

A violência da criança deve ser enfrentada de uma maneira contundente e emocional. Caso contrário a criança não se dará conta de que o outro também está vivo. Pois se a raiva da criança não for enfrentada por uma raiva autêntica, a criança virá a crer que tampouco o amor do outro seja autêntico (Winnicott, 1958).

Esta idéia de Winnicott é bem interessante, ele não está inferindo que os cuidadores devam se furtar ou fingir que nada é nada e muito menos em bater na criança. Winnicott está colocando sobre a possibilidade que os cuidadores têm de demonstrar em suas ações: afeto, carinho, amor, raiva, ódio, tristeza, desapontamento, alegria, etc. Na passagem acima "raiva autêntica" é apenas raiva. Será que só batendo é que se pode expressar a raiva? Os limites são criados pelos modos e nuanças das relações e não só nas ordens explicitas de comportamento. Ensinar limites é mais que ensinar regras de comportamento social, é, também, ensinar: emoções, possibilidades, alternativas, negociação, coerência, denominações possíveis, autenticidade, etc.

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