Fome no inverno

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No frio a sensação de fome é maior. É verdade, é comum e não é à toa. O organismo gasta mais energia para produzir calor e manter a temperatura corporal em torno de 37°C, por causa da perda do calor interno para o ambiente externo. O resultado é que o corpo sinaliza que precisa de mais alimento. Ou seja, aumenta a sensação de fome.

A fonte de energia usada na manutenção da temperatura corporal é obtida a partir do metabolismo do carboidrato (fonte mais rápida de energia) e da gordura (cuja quebra das moléculas é mais lenta). O corpo, na medida do possível, tenta preservar a gordura estocada porque ela atua como isolante térmico. No inverno, os estoques de glicogênio (forma com que o corpo armazena o carboidrato) se esgotam mais rapidamente, também por causa da ação física da perda de calor interno para o ambiente. O problema está no quanto é preciso comer a mais, sem desequilibrar a balança.

Segundo Raquel Dias, professora de Nutrição e de Educação Física da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e mestre em Ciência da Saúde pela mesma instituição, temperaturas a partir de 10°C podem aumentar o metabolismo basal de 10% a 15%. Para um corredor de 70 kg, 30 anos e 1,80 m de altura, isso equivale a 172 calorias (cinco bolachas tipo água e sal ou três esfihas abertas de carne ou duas maçãs ou um sanduíche de pão francês com uma fatia de blanquet de peru).

Já uma mulher de 30 anos, 1,60 m e 55 kg pode ingerir apenas 133 calorias a mais (uma fatia pequena de bolo de banana ou uma bola de sorvete de chocolate ou um flan de baunilha ou duas laranjas ou duas bananas-maçãs ou uma embalagem de chocolate de 28 gramas ou quatro suspiros). “Com o frio, as pessoas ficam mais preguiçosas, não querem acordar tão cedo pra treinar e, com isso, tendem a fazer menos atividade física. É preferível mudar o horário da corrida a deixar de fazê-la”, sugere Heloísa Guarita, nutricionista especializada em fisiologia do exercício pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), sócia-diretora da RG Nutri Consultoria Nutricional, nutricionista do Projeto Mulher e coordenadora do departamento de nutrição da Academia Reebok de São Paulo.

Por isso, antes de se animar com o fato de poder comer um pouco a mais é necessário adotar uma postura de cautela ao lidar com a sensação de fome e não descuidar da prática da atividade física. Confira abaixo algumas dicas para chegar ao verão sem engordar.

:: Coma apenas um pouco mais de gorduras e carboidratos.

O percentual das gorduras pode subir para 25%, mas não deve ultrapassar 30% da ingestão calórica diária total. Vale lembrar que cada grama de gordura corresponde a nove calorias. As gorduras de origem vegetal (abacate, caqui e a das sementes oleaginosas, como a castanha de caju, castanha-do-pará, amêndoas) são as mais indicadas por elevarem os estoques do HDL (que combate o colesterol ruim, o LDL). Incremente também o carboidrato, que pode subir para 65% das calorias do dia.

:: Refeições líquidas

As sopas e os caldos, que hidratam e aquecem, são boas opções para o jantar. No entanto, devem ser preparados com pouca gordura (azeite, manteiga, óleo, creme de leite). Para fazer uma refeição equilibrada, o prato deve conter entre seus ingredientes uma fonte de carboidrato (arroz, macarrão, batata, cará, inhame, mandioca, batata salsa etc.), uma de proteína (carne, frango, lentilha) e dois tipos de vegetais (espinafre, escarola, catalônia, couve-flor, broto de bambu, alcachofra, abobrinha, cenoura, chuchu, abóbora etc). As hortaliças são fontes de fibras, mas o nutriente pode ser reforçado com aveia, farelos, grãos integrais e talos de verduras, para aumentar a sensação de saciedade. Se preferir a consistência cremosa, troque o creme de leite pelo iogurte desnatado.

:: Cuide da hidratação

Tenha à mão uma garrafa térmica com chá. Prefira os

 

 Fonte: Por Flavia Galembeck

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