Glossário de nutrição pelo Ministério da Saúde

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Conheça alguns termos utilizados no ramo da Alimentação e Nutrição, publicados em uma cartilha do Ministério da Saúde, em português e em inglês. As duas versões foram elaboradas pelo Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde e Departamento de Atenção Básica.
Glossário
(Reprodução da cartilha Política Nacional de Alimentação e Nutrição, Ministério da Saúde, Brasília/DF – 2003)

A
Aleitamento Materno – Conjunto de processos – nutricionais, comportamentais e fisiológicos – envolvidos na ingestão, pela criança, do leite produzido pela própria mãe, seja diretamente no peito ou por extração artificial.
Alimentação – Processo Biológico e cultural que se traduz na escolha, preparação e consumo de um ou vários alimentos.
Alimentação complementar adequada e oportuna – Aquela que se inicia como complemento ao aleitamento materno, a partir dos 4-5 meses de vida com dietas adequadas em quantidade e qualidade ( nutrientes e calorias).
Alimentos complementares ou de transição – Aqueles que se oferece à criança em complementação ao leite materno, a partir dos 4-6 meses de vida e que são preparados de modo a oferecer uma dieta de consistência gradativamente maior até que ela possa receber a dieta da família, junto com o leite materno. Atualmente, está em desuso o termo alimento de desmame para não dar a idéia de que a introdução de outro alimento na dieta da criança implica a suspensão do leite materno.
Alimentos “in natura” – Produtos ofertados e consumidos em seu estado natural, sem sofrer alterações industriais que modifiquem suas propriedades físico-químicas (textura, composição, propriedades organolépticas). As frutas e o leite fresco são bons exemplos de alimentos “in natura”.
Amamentação exclusiva – Uso de leite materno, habitualmente até aos 6 meses de vida, como único alimento da criança não sendo admitidos chás ou água como exceção.
Anemia – Redução dos níveis de hemoglobina no sangue para valores abaixo dos limites estabelecidos como normais, de acordo com a idade, sexo e condição fisiológica.
Apoio alimentar – Doação pessoal ou institucional de um ou vários alimentos para pessoas desnutridas ou em risco de desnutrição. O mesmo que suplementação alimentar ou, alguns países, assistência alimentar.
Assistência alimentar – Ver apoio e suplementação alimentares.
Avaliação antropométrica – Uso de medidas – principalmente peso e altura – como critério para avaliar o crescimento físico e, por extensão, o estado nutricional.

B
Baixo peso ao nascer – Os casos de crianças nascidas vivas com menos de 2.500 gramas.
Banco de leite humano – Centro especializado, responsável pela promoção do incentivo ao aleitamento materno e execução das atividades de coleta, processamento, estocagem e controle de qualidade do leite humano extraído artificialmente, para posterior distribuição, sob prescrição de médico ou nutricionista.
Bem-estar nutricional – Estado orgânico em que as funções de consumo e utilização de energia e de nutrientes se fazem de acordo com as necessidades biológicas dos indivíduos.
Biodisponibilidade – O grau de aproveitamento de nutrientes específicos contidos nos alimentos, tomando como referência o conteúdo total – 100% – do princípio nutritivo considerado.
Bócio – Aumento significativo da glândula tireóide, que passe a extrapolar seus limites normais.

C
Caráter intersetorial – Aspecto que considera a co-responsabilidade de dois ou mais de dois setores do governo m relação às causas ou às soluções dos problemas de alimentação e nutrição.
Carências nutricionais – Situações em que deficiências gerais ou específicas de energia e nutrientes resultam na instalação de processos orgânicos adversos para a saúde.
Composição dos alimentos – Valor nutritivo dos alimentos, ou seja, o seu conteúdo em substâncias específicas, como vitaminas, minerais e outros princípios.
Controle de doenças coexistentes – Medidas para prevenir e curar a ocorrência de doenças que agravam o estado nutricional.
Crescimento e desenvolvimento – O primeiro termo refere-se ao aumento de medidas corporais, como peso e altura. O segundo aplica-se ao aparecimento e aperfeiçoamento de funções, como a linguagem, a habilidade motora, as funções cognitivas, a maturidade psíquica e outras.
Cretinismo – Retardo mental resultante da ação adversa da deficiência de iodo na maturação do sistema nervoso da criança.
Critério de sanidade dos alimentos – Princípios e normas para assegurar que os alimentos tenham bom valor nutritivo e não apresentem contaminantes físicos, químicos e biológicos prejudiciais a à saúde dos consumidores .
Cuidados nutricionais específicos – Ações recomendados para situações peculiares de riscos nutricionais, como a anemia, o bócio, a hipovitaminose A e outras condições.

D
Deficiência de ferro – Estado orgânico de carência deste micronutriente, que ocorre quando o consumo alimentar de ferro biodisponível é baixo, quando as perdas de sangue são elevadas, o aumento dos requerimentos por processos infecciosos e ou febris, ou ainda, quando ocorrem simultaneamente as duas condições diminuindo o estoque corporal de ferro, podendo resultar no aparecimento de anemia.
Deficiência primária de iodo – É a deficiência de iodo, inicialmente atribuída à baixa ingestão deste micronutriente.
Deficiência de micronutrientes – Estado orgânico de carência de princípios de nutritivos cujas exigências são muito pequenas, medindo-se em miligramas diárias, como a vitaminas A, o ferro, o iodo e o zinco.
Deficiência energética – protéica – Também chamada desnutrição energético – protéica, refere-se ao estado nutricional que ressalta a deficiência de calorias e de proteínas. Ocorre sobretudo em crianças.
Déficit de altura – Atraso do crescimento estatural, quando comparado com os padrões de normalidade por sexo e idade.
Déficit antropométrico – Atraso nas relações peso/idade, peso/altura, altura/idade, tomando como referências tabelas de normalidade convencionalmente recomendadas. Pode referir-se a outros índices de medidas corporais.
Déficit peso/medida – A explicação está implícita na terminologia do déficit antropométrico.
Desmame – Processo que se inicia com a introdução de qualquer alimento na dieta da criança que não seja o leite materno – incluindo os chás e a água – e que termina com a suspensão completa do leite materno.
Desnutrição – Termo genérico usualmente empregado para discriminar deficiências nutritivas, referindo-se principalmente, à desnutrição energético – protéica. Ver as definições correspondentes a deficits antropométricos, desnutrição energético-protéica, deficiência de micronutrientes, que seriam casos específicos de desnutrição ou de doenças carenciais.
Desnutrição crônica – Processo carencial de longa duração, expresso, ilustrativamente, no déficit de altura.
Diabetes – Processo de intolerância à glicose, que se traduz, convencionalmente, na elevação do “açucar” no sangue e sua presença eventual na urina.
Dieta – Genericamente, corresponde aos padrões alimentares dos indivíduos. Especificamente, pode representar uma combinação recomendada de alimentos em determinadas proporções para atender necessidades terapêuticas.
Dislipidemias – Termo que se refere às alterações, quase sempre por excessos, nos teores de lipídeos ou gorduras do sangue, como colesterol e os triglicerídeos.
Distúrbios nutricionais – São problemas de saúde decorrentes da má nutrição, ou seja, situações patológicas de etiologia nutricional.
Doenças da nutrição – Terminologia para uma grande variedade de doenças que resultam do baixo consumo, do consumo excessivo ou do desequilíbrio prolongado da ingestão e utilização de princípios nutritivos que devem ser harmonicamente combinados. Várias referências anteriores configuram essas situações: bócio, deficiências nutricionais, desnutrição. Ver também dislipidemias e obesidade.

E
Endemias carenciais – Doenças carenciais, como a anemia ferropriva, a desnutrição energético – protéica e o bócio, que ocorrem com uma frequencia regular e praticamente constante, e prevalência acima dos limites tolerados como “normais”.
Enriquecimento alimentar – Adição de determinados nutrientes – vitaminas, sais minerais ou outros – a alimentos com baixo conteúdo em relação a determinados princípios nutritivos.
Estresse – Estímulos adversos, com diferentes impactos físicos, psíquicos e nutricionais. Tensão.

F
Ferro medicamentoso – Compostos orgânicos ou inorgânicos de ferro usados para tratamento das anemias.

G
Garantia da qualidade dos alimentos – Ver segurança alimentar, vigilância sanitária dos alimentos.
Grupos biológicos – Ver “vigilância nutricional”, “vigilância de irmãos e contatos”, “vulnerabilidade”. Designativo de riscos induzidos por fatores biológicos.

H
Hábitos alimentares saudáveis – Ver práticas alimentares saudáveis, seguranca e qualidade dos alimentos.
Hipovitaminose A – Baixa disponibilidade de vitamina A nos depósitos hepáticos e níveis diminuídos no sangue, apresentando ou não sintomas e sinais de deficiência.
Hospital “Amigo da Criança” – Maternidade que cumprem os “Dez passos para o sucesso do aleitamento materno”, preconizados pela OMS/Unicef.

I
Idiotia – Retardo físico, motor e mental ocasionado pela deficiência grave de iodo no período fetal e nos primeiros meses de vida.
Índice de Pobreza Humana (IPH) – Esse índice é composto pelos indicadores relacionados à esperança de vida, à desnutrição em menores de 5 anos, à alfabetização, ao acesso a serviços de saúde e à água potável.
Iodo dependente – Diz-se dos distúrbios funcionais ou morfológicos – entre os quais o bócio e a idiotia – produzidos pela deficiência de iodo na água, sais e alimentos consumidos.

M
Mcg/dl – Microgramas por decilitro. Medida utilizada em exames laboratoriais.
Medidas profiláticas – Medidas tomadas para a prevenção de doenças ou de agravos nutricionais.
Medidas terapêuticas – Medidas adotadas para corrigir situações patológicas clinicamente instaladas. Ações destinadas à cura de doenças.
Megadoses – Grandes quantidades de um medicamento ou micronutriente administradas de uma só vez, como é o caso da vitamina A.
Micronutrientes – Nutrientes demandados pelo organismo em quantidades muito pequena – miligramas ou microgramas – como iodo, a vitamina A, o zinco e o ferro.
Monitoramento do estado nutricional – O mesmo que vigilância nutricional.

N
Nutrição – Estado fisiológico que resulta do consumo e utilização biológica de energia e nutrientes em nível celular.

O
Obesidade – Aumento exagerado do peso em relação à altura. No sinônimo popular, os gordos correspondem a obesos.
Orientação alimentar – Recomendações para escolha, preparação, conservação doméstica e consumo de alimentos mediante critérios de consideração de seu valor nutritivo e indicações específicas, segundo condições fisiológicas ( crescimento, gravidez, lactação), patológicas (obesidades , diabetes, doenças carenciais) ou ainda, por justificativas socioeconômicas ( relação valor nutritivo X custos ). Ver, ainda, práticas alimentares saudáveis.

P
Percentil 10 e percentil 3 da relação peso/idade – O percentil refere – se à posição de um indivíduo em uma dada distribuição de referência. Assim, os percentis 10 e 3, como utilizados no texto, referem-se aos valores de peso apresentados por 10% e 3% das crianças, respectivamente, na distribuição do padrão antropométrico de referência. Dessa forma, uma criança que se encontra com peso igual ou inferior a esse dois limites tem uma possibilidade maior de apresentar uma situação de distúrbio nutricional. Em outras palavras, pode-se afirmar que o percentil 10 ou o percentil 3 da relação peso/idade é a linha de separação entre a normalidade e a possível desnutrição ou retardo de crescimento. A visualização do gráfico esclarece bem o princípio e a aplicação da linha “percentil 10” ou “percentil 3”.
Perigo na cadeia alimentar – Agente biológico, químico ou físico, ou propriedades de um alimento, que pode ter efeitos adversos sobre a saúde.
Práticas alimentares saudáveis – Usos, hábitos e costumes que definem padrões de consumo alimentar de acordo com conhecimentos científicos e técnicas de uma boa alimentação. Ver “orientação alimentar”, “composição dos alimentos” e “bem-estar nutricional”.
Percusores de vitamina A – Substâncias contidas nos alimentos vegetais – carotenos – que depois de ingeridos, se convertem em vitaminas.
Produtos dietéticos – Bebidas ou alimentos processados, com particularidade de que se destinam a atender determinadas situações de interesse médico ou nutricional: baixo conteúdo calórico, reduzido teor de gorduras, por exemplo.
Produtos farmacêutico – Usa-se o termo, neste documento, para discriminar preparações farmacológicas à base de nutrientes específicos, como vitaminas, ferro, iodo, zinco, etc., sob a forma de medicamentos.
Propriedade terapêuticos – Propriedade que tem determinado alimnto ou fármaco – ver ítem anterior – de atuar, curativamente, na correção de desvios ou doenças da nutrição.

R
Riscos nutricionais – Condições caracterizadas probalidades aumentada de que um determinado problema nutricional possa acontecer ou já esteja ocorrendo.
Rotulagem Nutricional – Componente do rótulo que descreve o conteúdo que descreve o conteúdo nutricional do produto.

S
Segurança alimentar – Garantia de que as famílias tenham acesso físico e econômico regular e permanente a conjunto básico de alimentos em quantidade e qualidade significantes para atender os requisitos para os requerimentos nutricionais.
Segurança alimentar e nutricional – Acrescenta-se, a definição anterior, o conceito de que, além do acesso e consumo, o organismo devedispor de condições fisiológicas adequadas para o aproveitamento dos alimentos. Ou seja, para uma boa digestão, absorção e metabolismo de nutrientes.
Segurança alimentar dos alimentos – Trata, em vigilância Sanitária, dos atributos referentes a inocuidade dos alimentos e seu valor nutritivo. Ver também práticas alimentares saudáveis.
Sítios sentinelas – Áreas ou comunidades que podem ser acompanhadas, mediantes a aplicação de um conjunto de indicadores do estado nutricional, para expressar, por analogia, a situação provável em contextos socioeconômicos e sanitários semelhantes.
Sobrepeso – Excesso de peso de um indivíduo quando em comparação com tabelas ou padrões de normalidade. A obesidade é um grau bem elevado de sobrepeso.
Suplementação alimentar – Cota adicional de alimentos destinadas a prevenir ou corrigir deficiências nutricionais. Ver apoio alimentar.

T
Tabela de composição químico alimentar – São tabelas que informam o conteúdo dos alimentos em proteínas, gorduras hidratos de carbonos , vitaminas e minerais de interesse da nutrição humana.
Tradições alimentares – Usos e costumes alimentares que transmitem de geração a geração, segundo a cultura tradicional de determinadas etnias ou grupamentos antropologicamente homogêneos.
Transição alimentar – Refere-se a mudanças lentas ou rápidas que ocorrem no padrão alimentar das crianças, na medida em que medida em que a alimentação vai sendo substituída por outras produtos, até atingir o padrão alimentar da família. É um período crítico em relação aos riscos nutricionais.
Transição epidemiológica – Mudanças que ocorrem nos perfis de morbimortalidade de uma população, tendo como substrato principal a transição demográfica de que uma pirâmide etária “jovem” para um modelo de população madura ou envelhecida. O fato epidemiológico mais representativo seria a passagem do pólo desnutrição/infecção para o pólo obesidade /doenças crônico-degenativas.

U
Utilização biológica dos alimentos – Processo que envolve a cadeia digestão/absorção/ metabolismo/excreção ou ressíntese parcial dos alimentos nos organismos vivos. Pode ser adversamente alterado pela ocorrência de doenças, compreendendo um, dois ou até todos os elos da cadeia de utilização biológica.

V
Vigilância alimentar e nutricional – Consiste na coleta e na análise de informações sobre a situação alimentar e nutricional de indivíduos e coletividades, com o propósito de fundamentar medidas destinadas a prevenir ou corrigir problemas detectados ou potenciais. É um requisito essencial para justificar, racionalmente programas de alimentação e nutrição. Ver, ainda: crescimento e desenvolvimento, controle de doenças, cuidados nutricionais específicos.
Vigilância de irmãos e contatos – Recomendação para acompanhar, de forma atenta, dispensando os cuidados necessários (apoio ou suplementação alimentar, avaliação do crescimento, ações básicas de saúde ), aos irmãos e mães (considerados “contatos”) de crianças desnutridas de 6 a 23 meses. A desnutrição nessa faixa etária pode ser um indicativo de que mães e irmãos podem ser desnutridos, constituindo grupos de riscos nutricional.
Vigilância nutricional – Parte da vigilância alimentar e nutricional, tratando , como enfoque principal, o estado de nutrição dos grupos biológicos (crianças, gestantes) e sociais ( baixa renda)mais expostos aos problemas da nutrição. Pode incluir, também, situações opostas (homens e mulheres adultos e velhos com sobrepeso, obesidade e suas conseqüências).
Vigilância sanitária dos alimentos – Verificação da aplicação de normas e condutas objetivando assegurar a necessária qualidade dos alimentos. Ver “critério de sanidade dos alimentos”.
Vulnerabilidade – Trata-se de fatores biológicos, ocupacionais ou sociais que aumentam os riscos aos agravos nutricionais.

X
Xeroftalmia – Alterações oculares condicionadas pela deficiência de vitamina A.

Fonte:Ministério da Saúde.

www.portaldocoracao.com.br

 

 

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