Indicadores de uma boa resposta na terapia de ressincronização cardíaca

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A insuficiência cardíaca ou insuficiência cardíaca congestiva , é uma condição grave , na qual a quantidade de sangue que o coração é capaz de bombear a cada minuto ( débito cardíaco) , é insuficiente para suprir as necessidades de oxigênio e  nutrientes de todo organismo. A insuficiência cardíaca  tem muitas causas, incluindo não só as doenças cardiológicas , mas também doenças de outros órgãos que afetem o funcionamento do coração. No Brasil , segundo os dados do DATA-SUS , a insuficiência cardíaca  é a principal causa de hospitalização em nosso país. Além das modalidades de tratamento tradicionais  , que envolvem a utilização de medicamentos , angioplastia , cirugias e , até o transplante cardáico , a estimulação cardíaca surgiu como uma modalidade tratamento útil , na melhora da qualidade de vida e redução da mortalidade de pacientes graves com insuficiência cardíaca. Nos anos noventa , Hochleitner ( 1990 ) e Bakker ( 1994 ) , conduziram os primeiros estudos de estimulação cardíaca artificial. Para pacientes com disfunção cardíaca  grave, estágios de insuficiência cardíaca avançados, refratários ao tratamento medicamentoso convencional, recentemente foi introduzida a terapia de ressincronização cardíaca  ( TRC ). A TRC é uma modalidade de estimulação cardíaca artificial que tem o propósito de corrigir alterações da contração do coração em pacientes com insuficiência cardíaca avançada, por meio do implante de um dispositivo cardíaco eletrônico : o ressincronizador cardíaco ( um espécie de marcapasso artificial ) , associado ou não ao desfibrilador implantável .

Dados de estudos de instituição única sugerem que parâmetros ecocardiográficos de dissincronia mecânica podem melhorar a seleção de pacientes para a terapia de ressincronização cardíaca (TRC). Eugene Chung e colaboradores, do Lindner Clinical Trial Center, EUA, realizaram estudo multicêntrico e prospectivo (PROSPECT – Predictors of Response to CRT) para avaliar a performance desses parâmetros na predição da resposta à TRC.

Cinqüenta e três instituições na Europa, Hong Kong e EUA recrutaram 498 pacientes com indicações definidas de TRC (classe NYHA III ou IV de insuficiência cardíaca, fração de ejeção do ventrículo esquerdo menor ou igual a 35%, QRS ≥ 130ms, esquema de tratamento medicamentoso otimizado e estável). Doze parâmetros ecocardiográficos de dissincronia, baseados nos métodos doppler tradicional e tecidual, foram avaliados após treinamento nos métodos e análise laboratorial central cegada.

Indicadores de resposta positiva à TRC melhoraram o escore clínico e se associaram a uma redução ≥ 15% no volume diastólico final do ventrículo esquerdo (VDFVE), em seis meses. O escore clínico foi melhorado em 69% dos 426 pacientes, enquanto o VDFVE reduziu 15% ou mais em 56% de 286 pacientes com dados pareados. A habilidade dos 12 parâmetros ecocardiográficos na predição da resposta do escore clínico variou amplamente, com sensibilidade indo desde 6% até 74% e especificidade de 35% a 91%. Para a predição da resposta em termos de VDFVE, a sensibilidade variou entre 9% e 77% e a especificidade entre 31% e 93%. Para todos os parâmetros, a área sob a curva ROC para resposta positiva, tanto clínica quanto em termos de VDFVE, foi ≤0,62. Observou-se grande variabilidade na análise dos parâmetros de dissincronia.

Devido à sensibilidade e especificidade modestas, observadas nesse estudo multicêntrico, a despeito de treinamento e análise central, nenhuma medida ecocardiográfica de dissincronia pode ser recomendada na melhora da seleção dos pacientes para a TRC, além das recomendações atuais. Esforços para a redução da variabilidade decorrente de fatores técnicos e de interpretação podem melhorar o poder preditivo de tais parâmetros, em um contexto clínico mais amplo.

Fonte: Circulation ( 2008 ).

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