Interferências sobre dispostivos cardíacos ( marcapasso artificial e desfibrilador automático implantável )

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Cresce diariamente o número de pessoas submetidas a implante de dispositivos cardíacos eletrônicos , como o marcapasso artificial ,  desfibrilador automático ou ambos. Este último , o desfibrilador automático , está indicado para aqueles pacientes com alto risco de morte súbita cardíaca. Por outro lado , com o avanço tecnológico , cresce o número de equipamentos eletromagnéticos que passam a fazer parte da rotina diária de tais pacientes São consideradas interferências sobre dispositivos eletrônicos cardíacos , a presença de sinais elétricos, fenômenos mecânicos ou químicos externos , capazes de provocar modificações no funcionamento destes  dispositivos. A Sociedade Brasileira de Cardiologia publicou uma diretriz ( ano de 2007 ), que  contém várias orientações  para os portadores destes dispositivos . A seguir , enumeramos as principais orientações.

Eletrodomésticos em geral : evitar contato direto do eletrodoméstico em más condições de funcionamento.

Escadas rolantes e portas automáticas : não   há   evidências   de  que  possam causar qualquer  tipo  de interferência.

Automóveis, ônibus, aviões e motocicletas: não é recomendado aproximar o tórax ao local onde está instalado o motor do automóvel, quando em funcionamento. Com relação a aviões, o portador do dispositivo cardíaco , não deve permanecer na cabine de comando , pelo risco de interferência sobre os dispositivos de radiocomunicação.

Colchões magnéticos e mini-ímãs ( ex.: fecho de colar) : pode-se considerar o uso de colchões apenas para os  dispositivo com geradores , cujo comportamento , não seja assincrônico  em modo magnético. Os mini-ímãs devem estar a mais de 3 cm dos dispositivos implantáveis e os pacientes devem ser informados da possibilidade de interferência.

Telefones celulares, telefones sem fio, blue tooth, walkie talkie, wireless ou Wi-Fi : deve ser mantida uma distância mínima de 15 cm para os dispositivos com potência até 3 watts . A distância mínima de 30 cm deve ser observada se a potência estiver entre 3 até 15 watts. Os telefones ( celulares ou sem fio) e walkie talkie devem ser utilizados no ouvido contra-lateral à localização do gerador, não devem ser portados no bolso superior da camisa ou casaco (implante torácico) ou na cintura (implante abdominal). Não devem ser mantidos entre o ombro e a cabeça nos casos de implante peitoral.

Antenas de telefonia celular : dever ser mantida uma distância de 3 metros se a potência da antena for de até 200 watts .iPod MP3 : não há nenhuma recomendação específica para evitar a interação entre este tipo de aparelho e os dispositivos, no entanto, é importante notar que as interferências foram observadas com a aposição do aparelho sobre o gerador ( entre 5 e 45 cm de distância ); assim, é prudente recomendar que o uso desses aparelhos respeite uma distância superior à máxima usada no estudo.

Radiação terapêutica : pode ser realizada desde que se limite o local de atuação, protegendo o gerador com chumbo e reprogramando-o para modo assíncrono. A dose de radiação é cumulativa e nos casos de tratamento prolongado, deve-se indicar troca do local da loja do gerador e avaliações mais freqüentes.

Aparelhos que produzem vibração : pacientes com geradores de pulso dotados de sensores de movimento devem evitar o uso de furadeiras elétricas, barbeadores, escovas elétricas, aparadores de grama , porque podem causar aceleração indevida da freqüência de estimulação.

Sistemas de detecção de metais e antifurto: quando o tipo e a intensidade do campo gerado por detetores de metais não é conhecido, os pacientes devem permanecer o menor tempo possível sob a ação destes, devendo ultrapassá-los rapidamente.

Estimulação transcutânea e eletro-acupuntura : devem ser evitados na região torácica, no membro superior homolateral ( do mesmo lado ) ao gerador e em sistemas com sensibilidade unipolar.

Radares de navegação e radares militares: deve-se orientar os pacientes para guardar distância considerável de radares de grande porte.Torres de transmissão de energia elétrica: sugere-se um perímetro de segurança no mínimo  quatro metros.

Campos eletromagnéticos gerados por grandes fontes ( geradores de energia a óleo),  amplificadores de som e caixas acústicas de grande porte : a orientação deve ser individualizada, evitando sempre o contato próximo, recomendando-se afastamento do local no caso de sintomas de baixo débito cerebral ( como tontura , mal estar e sensação de desmaio ).

Campos eletromagnéticos gerados por subestações de transformação e linhas de transmissão de alta tensão : alguns estudos demonstram proteção desses profissionais por meio do uso de roupas isolantes que permitem trabalho em estações de até 400 KV, desde que guardada distância mínima de 4 m.

Profissional da área de montagem de televisores e uso de equipamentos de solda por radiofreqüência: devem ser obedecidas rigorosamente as regras de segurança elétrica.

Esportes e esforços físicos em geral : podem ser realizados com segurança por pacientes com dispositivo desde que não se utilize a musculatura peitoral com grande intensidade ou desde que os dispositivos não estejam programados com sensibilidade bipolar. Esportes de contato físico são desaconselhados.

Mecânico de automóveis : guardar distância mínima de 50 cm da fonte.

Aparelho de diatermia dental : deve ser respeitada distância mínima de 35 cm de sua fonte.

Secador de cabelo : deve ser respeitada distância mínima de 15 cm entre os secadores e o sistema implantado.

Ressonância nuclear magnética : O portador de desfibrilador não deve ultrapassar os limites da linha de segurança classicamente definida como campo magnético estático de 0,5 mT (5 Gauss). Em situações especiais, em que o exame seja imprescindível ( risco de vida ) deve-se considerar com muito rigor a relação custo-benefício.

Medidor de gordura corporal : a maioria dos fabricantes destes dispositivos desaconselha o uso em pacientes com dispostivos cardíacos.Sumariamente, deve-se desaconselhar aos portadores de dispositivos cardíacos , o contato com as seguintes fontes de interferência:

1. litotripsia em portadores de unidades abdominais; 2. Irradiação terapêutica sobre o local do dispositivo cardíaco; 3. Colchões magnéticos em portadores de desfibrilador; 4. Diatermia sobre a unidade geradora; 5. Diatermia por ondas curtas; 6. Dispositivos de solda elétrica (arco voltaico) com porte acima de 300 A.

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