O coração do idoso

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O envelhecimento produz  mudanças progressivas na estrutura do coração. As válvulas aórtica e mitral  se espessam e calcificam , achados que podem interferir com o seu fechamento normal .

Embora esses fenômenos possam levar à estenose ou estreitamento da válvula aórtica (a mais acometida entre todas as válvulas cardíacas), não é freqüente o comprometimento da função da válvula só por estes mecanismos.Nos vasos sangüíneos, ocorre uma diminuição da elasticidade da parede destes  vasos, acarretando  uma  maior rigidez.

No miocárdio (músculo do coração)  o número de miócitos  (células musculares) diminui , havendo uma maior deposição de células adiposas (células de gordura). O pericárdio (revestimeno externo do coração)  também se torna mais espesso.O coração , num todo , torna-se mais rígido.

No sistema de geração e condução do estímulo elétrico cardíaco, ocorre uma perda celular, com substituição por tecido  fibroso e  gordura. No nó sinusal ( marcapasso natural do coração ) observa-se uma substancial diminuição do número de células marcapasso ( cerca de 10% em relação a indivíduo saudável de 20 anos de idade ) . Ocorre ainda , uma deposição de tecido gorduroso em volta do nó sinusal , podendo levar ao isolamento completo desta estrutura . Esses mecanismos podem produzir a doença do nó sinusal , uma causa comum de implante de marcapasso em idosos.

O restante do sistema de condução não é exceção, pois também sofre deposição de tecido de gordura , com perda de células elétricas . Além disto , a calcificação do esqueleto cardíaco esquerdo é evidente, podendo alterar a integridade do sistema de condução .

Em repouso, o débito cardíaco (desempenho do coração como uma bomba)  mantém-se normal. Com a freqüência cardíaca mais baixa, o aumento no volume sistólico (quantidade de sangue bombeada a cada batimento ) é o responsável pelo débito cardíaco mantido. Como exercício, a dificuldade  de atingir a freqüência cardíaca máxima , impede que o idoso atinja o consumo máximo de oxigênio quando comparado a indivíduos mais jovens.

A diminuição da elasticidade da parede das artérias , associadas ao processo de calcificação das mesmas , fazem com que a pressão arterial sistólica (máxima) aumente progressivamente após os 55-60 anos de idade. A pressão arterial diastólica (mínima)  não aumenta após os 55 anos , por isso , clinicamente passa a não ter maior importância. O sistema nervoso autônomo, que controla os batimentos cardíacos e a pressão arterial, torna-se menos eficiente, acarretando maiores variações da pressão arterial, bem como, espisódios de quedas desta pressão  ao adotar a posição de pé (hipotensão ortostática).

O processo de aterosclerose (formação de placas de gordura na parede das artérias do coração) , por ser crônico e degerativo , torna-se mais exuberante em pacientes idosos.  

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