Obesidade

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A obesidade caracteriza-se por um acúmulo excessivo ou anormal de gordura, o qual é nocivo à saúde. O peso normal de um indivíduo seria aquele que acarretaria uma chance menor de desenvolvimento de doenças, permitindo uma vida melhor e duradoura. No entanto, a separação entre o peso normal e o anormal é arbitrária, podendo haver diferenças entre as diversas populações.

A obesidade é uma epidemia mundial

A obesidade é uma doença universal de prevalência crescente e que vem adquirindo proporções alarmantemente epidêmicas, sendo um dos principais problemas de saúde pública da sociedade moderna.

Excetuando alguns poucos países, como os do continente africano, a prevalência de obesidade vêm aumentando em todo o mundo.

No Brasil, a pesquisa do Ministério da Saúde, Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), realizada em 2016, demonstrou que 53,8% dos brasileiros adultos estavam acima do peso ideal. A proporção de pessoas obesas com mais de 18 anos de idade era de 18,9%.

Diagnóstico

A obesidade pode ser diagnosticada levando em conta dois aspectos: quantativo (leva em conta a quantidade de excesso de gordura corporal) e qualitativo (leva em conta o local onde a gordura corporal está localizada, em região central ou periférica).

– Diagnóstico quantitativo:

Este é feito através do índice de massa corporal (IMC) que é a relação entre o peso  dividido pela altura ao quadrado (IMC = P / H x H). Exemplo um homem de 100 kg e 1,70 m de altura terá um IMC de 100/ 1,70 X 1,70 , ou seja, 34,6 kg/m2. Um IMC igual ou maior que 30 kg/m² faz o diagnóstico de obesidade, no entanto, esse índice apresenta limitações. Além de não distinguir gordura central de gordura periférica, o IMC não distingue massa gordurosa de massa magra, podendo superestimar o grau de obesidade em indivíduos muito musculosos.

Um método que vem ganhando aceitabilidade na prática clínica, pelo desenvolvimento de aparelhos menores e mais baratos, a impedância bioelétrica ou bioimpedância, que é precisa e de fácil utilização, permitindo avaliar com precisão a massa adiposa e a massa de tecidos magros. Aceitam-se como valores normais menos de 25% de tecido adiposo para os homens e menos de 33% de tecido adiposo para as mulheres.

-Diagnóstico qualitativo:

O uso do IMC ignora a distribuição de gordura corpórea. O excesso de gordura pode estar mais concentrado na região abdominal ou no tronco, chamada de obesidade tipo androide ou central (em forma de maçã), mais frequente no sexo masculino. Quando este excesso de gordura está mais concentrado na região dos quadris, temos a  obesidade tipo ginecoide ou periférica (em forma de pêra), mais frequente no sexo feminino.

A obesidade androide caracteriza-se por um acúmulo de gordura dentro da cavidade abdominal (gordura visceral), a qual é ativa metabolicamente, apresentando uma maior correlação com complicações como o diabete melito, hipertensão arterial, dislipidemias (anormalidades do colesterol e suas frações), como consequência, as doenças cardiovasculares. A obesidade androide é um elemento central dentro da chamada síndrome metabólica.

Uma forma simples e rápida de detectarmos a obesidade androide é utilizando a circunferência abdominal (CA), a qual é considerada elevada a partir de 94 cm para os homens e 80 cm para as mulheres. O aumento da CA é um indicativo independente de outros fatores, de um risco cardiovascular aumentado.

Causas

A hereditariedade ou genética pode ser responsabilizadas por apenas 30% do excesso de peso corporal, no entanto, esta participação poderá variar de pessoa a pessoa. São características da obesidade genética: outros casos de na família, maus resultados em tratamentos anteriores e início precoce da obesidade.

A obesidade  sofre influência ambientais, sendo geralmente fruto de um balanço calórico positivo, ou seja, uma ingestão excessiva de calorias em relação ao gasto total diário. A  obesidade ambiental tende a apresentar as seguintes características: nenhum ou poucos casos de obesidade na família, bons resultados em tratamentos anteriores, início mais tardio da obesidade e presença de algum fator desencadeante como a puberdade, casamento, gestação, menopausa, interrupção de atividade desportiva, interrupção do tabagismo ou uso de medicamentos (corticoesteroides, antidepressivos e outras medicações psiquiátricas).

O hipotireoidismo (falta de produção de hormônios pela glândula tireoide), excesso de insulina no tratamento de diabete melito, insulinoma (tumor que produz insulina) e alterações do hipotálamo (centro que controla a fome e saciedade), constituem em causas endócrinas de ganho de peso, que nem sempre justificam a obesidade em sua plenitude.

Estas formas de obesidade genética ou de causa orgânica óbvia representam uma minoria absoluta em relação ao total de obesos .

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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