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Desportistas paraolímpicos também desenvolvem o “coração de atleta”

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A síndrome do “coração de atleta” é caracterizada por várias alterações fisiológicas e anatômicas, de caráter benigno e reversível, que correspondem a adaptações ao aumento da demanda energética durante o esforço repetitivo.

Há um aumento da força de contração, com melhor reserva cardíaca e melhor aproveitamento do oxigênio, mesmo em níveis máximos de trabalho. Para a mesma carga de esforço, em relação a um coração sedentário, um coração treinado apresenta menor duplo produto (frequência cardíaca versus a pressão sistólica máxima durante o esforço) e, consequentemente, menor gasto energético. Os portadores do “coração do atleta” , não costumam sentir sintomas inerentes a essa situação.

Alguns efeitos cardiovasculares do treinamento físico vigoroso:

– Menor frequência cardíaca em repouso e em qualquer nível de exercício.

– Redução mais rápida da frequência cardíaca após exercício.

– Maior volume sistólico (volume dentro do ventrículo esquerdo) em repouso e durante exercícios progressivos.

– Elevação do desempenho cardíaco máximo.

– Aumento do consumo máximo de oxigênio por parte do coração.

– Volume cardíaco aumentado em estreita correlação com o volume sistólico durante o exercício.

– Dilatação e hipertrofia cardíacas.

O “Coração do Atleta” foi descrito pela primeira vez por Henschen em 1899. Até a atualidade, não haviam artigos que comprovassem o desenvolvimento do “coração de atleta” em paraolímpicos.

Um estudo realizado em atletas paraolímpicos avaliou o pico de consumo máximo de oxigênio do coração e limiares anaeróbios (achados do teste cardiopulmonar). Além disso, os achados do ecocardiograma (exame que avalia o coração através de ondas de ultrassom) também foram avaliados.

O estudo incluiu  30 atletas paraolímpicos portadores de paralisia cerebral (PC) e poliomielite (PM). Os trinta atletas foram distribuídos em dois grupos: Grupo I (PC), 18 atletas ambulantes, e Grupo II, 12 atletas cadeirantes, submetidos a exame clínico, eletrocardiograma, ecocardiograma e teste cardiopulmonar máximo, em esteira rolante.

Sinais clínicos e achados dos exames complementares, compatíveis com o Coração de Atleta, foram encontrados em 55% e 33% dos atletas dos paraolímpicos dos Grupos I e II, respectivamente. Estes dados sugerem que atletas paraolímpicos podem desenvolver os achados compatíveis como o “coração de atleta”.

Fonte: International Journal of Cardiology.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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