Quais são as possíveis complicações de um infarto do miocárdio (ataque cardíaco) ?

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Após um infarto do miocárdio , o paciente deverá permanecer na unidade de terapia intensiva por pelo menos 72 horas. Esta medida visa monitorar o surgimento de complicações após o  infarto do miocárdio . As principais complicações são:

Angina do peito após  infarto do miocárdio :

É o ocorrência de dor no peito ( angina do peito , chamada de angina instável  ), após um infarto do miocárdio .Pode ocorrer durante o período de internação ou após a alta hospitalar . Ocorre em cerca de 20% dos pacientes internados . A realização das enzimas cardíacas e do eletrocardiograma , são úteis para afastar o ocorrência de um novo infarto ( re-infarto ). A angina após infarto , aumenta a gravidade dos pacientes infartados.

Novo  infarto do miocárdio ( reinfarto ):

Em geral ocorre no mesmo local do primeiro infarto e, caracteriza-se por um novo pico de elevação das enzimas cardíacas. Com o uso da aspirina e dos trombolíticos ( medicamentos que dissolvem coágulos ) , essa complicação tornou-se incomum ( menos de 5% )  .

Insuficiêcia cardíaca e choque cardiogênico:

A lesão do músculo cardíaco , pode levar a um quadro de insuficiência cardíaca aguda ou piorar uma insuficiência cardíaca prévia. O coração torna-se fraco , levando a um acúmulo de líquidos nos pulmões e falta de ar. Essa complicação aumenta o risco de morte após o infarto do miocárdio.

Existem uma classificação , chamada de Killip ( graus I , II , III e IV ) , que quantifica a gravidade da insuficiência cardíaca após o infarto do miocárdio. No estágio de Killip I , a disfunção cardíaca não causa sintomas , sendo observada só no ecocardiograma. Em um outro extremo , o estágio de Killip IV ,  temos o chamado  choque cardiogênico , uma situação muito grave , que indica um grande comprometimento do coração ( levando a falência cardíaca , acúmulo de líquidos nos pulmões e queda da pressão arterial ). Essa última situação cursa com uma mortalidade maior que 50%.

Infarto do miocárdio do ventrículo direito:

O infarto do miocárdio da parede inferior do coração , pode ser causada pela obstrução da artéria , chamada de coronária direita. Essa artéria , irriga a parede inferior do ventrículo esquerdo , mas também o ventrículo direito ( câmara cardíaca inferior direita , que leva o sangue pobre em oxigênio  em direção aos pulmões, para ser oxigenado ).

O infarto do ventrículo direito deve ser desconfiado , quando um infarto de parede inferior cursa com queda da pressão arterial ( cerca de 10 a 15% dos casos ) , pois a disfunção do ventrículo direito faz com que o sangue venoso não chegue no coração , acarretando uma diminuição da pressão arterial. A realização de um eletrocardiograma , usando pontos para a  colocação dos eletrodos no lado direito do peito ( derivações V4R e V5R ) , é útil para esse diagnóstico. A presença de infarto do ventrículo direito , complicando um infarto inferior do ventrículo esquerdo , aumenta  o risco de morte deste último.

Pericardite :

A pericardite aguda após o infarto do miocárdio , costuma manifestar-se 24 horas após o início do quadro e cursa com dor torácica ( no peito ) , ventilatória ( que piora com a respiração ) e febre baixa.  Na ausculta cardíaca , podemos observar a presença de um ruído , chamado de atrito pericárdico . O eletrocardiograma poderá exibir alterações típicas. O ecocardiograma pode demonstrar a presença de líquido no pericárdio ( derrame pericárdico ).

A síndrome de Dressler   ( conjunto de sinais e sintomas ) é uma inflamação do pericárdio ( membrana que envolve o coração ), que  ocorre tardiamente , como uma complicação de um infarto do miocárdio ( cerca de 2 a 12 semanas após o início do quadro ).Seu mecanismo de aparecimento parece ser imunológico , podendo também inflamar a membrana que envole os pulmões , levando à uma pleurite e derrame pleural ( água na pleura ). Atualmente , a síndrome de Dressler é uma complicação rara do infarto do miocárdio. O quadro caracteriza-se por dor torácica ( dor no peito ) pleurítica ( que piora com a respiração ) e febre. Um atrito pericárdico ( um tipo de ruído na ausculta cardíaca ) , costuma estar presente , podendo ser detectado também um derrame pleural ( líquido na pleura dos pulmões ) , causando dispnéia ( falta de ar ). 

Arritmias cardíacas e distúrbios da condução elérica do coração  :

O infarto do miocárdio afeta a parte elétrica do coração , podendo levar a arrtmias cardíacas ( alterações do ritmo cardíaco ) que podem acelerar ou lentificar o coração ( taqui e bradiarritmias ) . O comprometimento das vias elétricas cardíacas , pode causar os distúrbios de condução  elétrica do coração.

As arritmias cardíacas podem ser supraventriculares  , como as extrassístoles supraventriculares , taquicardia supraventricular ( menos de 10% ) , fibrilação atrial ( 10 a 20% , sua presença aumenta a mortalidade dos pacientes ) e o flutter atrial . As arritmais ventriculares  são comuns , como as extrassístoles ventriculares , ritmo idioventricular , taquicardia ventricular e a fibrilação ventricular ( estas últimas duas são  graves , podendo levar à parada cardíaca ).

O comprometimento do nó atrioventricular, poderá causar  os bloqueios atrioventriculares  . O bloqueio atrioventricular total , o mais grave, ocorre em 6 a 14% dos casos. Os bloqueios dos feixes de His ( bloqueio do ramos esquerdo e  direito ) , são indicativos de maior gravidade da doença , pois traduzem uma área de lesão cardíaca mais significativa . O infarto do miocárdio , pode apresentar-se inicialmente , com eletrocardiograma de bloqueio do ramos esquerdo.`

Parada cardíaca:

Cerca de 50% das morte em pacientes que sofreram um infarto do miocárdio , ocorrem antes da chegada ao hospital, Cerca de 25% das mortes adicionais , irão ocorrer nas primeiras 24 horas da internação. A principal causa da parada cardíaca após o infarto do miocárdio , é a fibrilação ventricular, arritmia que ocorre principalmente nas primeiras  4 horas iniciais do quadro.

Complicações mecânicas:

A válvula mitral é sustentada por músculos ( musculatura papilar ). O infarto do miocárdio pode levar a uma disfunção , ou até , uma ruptura dos músculos papilares ( condição grave , que necessita de tratamento cirúrgico ). A disfunção dos músculos papilares , fazem com que a válvula não permaneça fechada de forma adequda , deixando passar quantias consideráveis de sangue, sobrecarregando o coração.

A ruptura do septo interventricular é a destruição do músculo que separa os dois ventrículos. É uma complicação rara e grave ( menos de 0,5% dos casos ) , que é suspeitada pela presença de um sopro cardíaco e confirmada pela realização de um ecocardiograma . Essa complicação  exige tratamento cirúrgico imediato.

A ruptura da parede livre do ventrículo esquerdo , é a destruição da musculatura da principal câmara do coração. Ocorre em até 5% dos casos de infarto e é responsavel por 10% das morte de infarto que ocorrem durante o perído de internação. Seu diagnóstico é feito como ecocardiograma e , exige um tratmento cirúrgico imediato. A mortalidade dessa complicação é elevadíssima. 

Aneurisma do ventrículo esquerdo , é um enfraquecimento e dilatação progressiva da parede docoração , causada por um infarto do miocárdio . Ocorre em até 15% dos casos , prncipalmente nos casos de infarto da parede anterior. Pode levar ao aprecimento de arritmias cardíacas , formação de coágulos , insuficiência cardíaca e dor torácica . Seu diagnóstico é feitco como o ecocardiograma ou ressonância cardiovascular.

Fonte:Sociedade Brasileira de Cardiologia ( 2004 ).

www.portaldocoracao.com.br 

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