Síndrome de Lown–Ganong–Levine

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A presença de um feixe elétrico anormal que comunica a parte superior do coração (átrios) com a parte inferior (ventrículos) pode resultar em alterações eletrocardiográficas típicas, que são chamadas de pré-excitação ventricular. A síndrome de Wolf-Parkinson-White e Lown–Ganong–Levine são formas sintomáticas de pré-excitação ventricular (veja adiante).

Essas alterações eletrocardiográficas podem ser aparentes (a condução elétrica anormal ocorre dos átrios para os ventrículos, chamada de via anterógrada) ou “ocultas” (quando a condução elétrica anormal ocorre dos ventrículos para os átrios, chamada de via retrógrada).

Os casos de pré-excitação ventricular aparentes pode ser intermitentes, ou seja, as alterações eletrocardiográficas aparecem e desaparecem.

Diagnóstico

-Eletrocardiograma:

São características do eletrocardiograma da pré-excitação ventricular: diminuição do intervalo PR, entalhe da porção inicial do complexo QRS (onda delta), aumento da duração do complexo QRS, e alterações secundárias do segmento ST e onda T.

Essas alterações podem ser visualizadas no eletrocardiograma, mas também durante um teste de esforço, Holter (registros eletrocardiográfico de 24 horas até 7 dias) ou pelo monitor de eventos (looper externo).

Sinais e sintomas

Muitos pacientes portadores de pré-excitação ventricular nunca apresentaram uma arritmia cardíaca ou perceberam algum tipo de sintoma, sendo o diagnóstico  realizado através de um eletrocardiograma durante uma consulta cardiológica, exame periódico ou avaliação pré-operatória. A pré-excitação ventricular também pode ser detectada por meio de um teste ergométrico solicitado para check-up cardiológico. Exames que avaliam a estrutura do coração, como o ecocardiograma, costuma ser normais.

Síndrome de Wolf-Parkinson-White

Nessa forma de pré-excitação ventricular temos um feixe elétrico anormal chamado “feixe de Kent”. Essa síndrome cursa com episódios de taquicardia paroxística supraventricular (com QRS estreito, chamada de taquicardia ortodrômica, ou com QRS largo, chamada de taquicardia antidrômica) os quais costumam causar palpitações, dor torácica, falta de ar, sensação de desmaio, desmaio, entre outros sintomas. Outras arritmias que não tem origem do feixe elétrico anormal, como a fibrilação atrial, flutter atrial e taquicardia atrial, podem ser conduzidas pelo “feixe de Kent” com frequências cardíacas perigosamente altas. Em resumo, a Síndrome de Wolf-Parkinson-White cursa com arritmias e causa sintomas.

Síndrome de Lown–Ganong–Levine

É outra forma de pré-excitação ventricular. Existem alguns tipos de feixes elétricos anormais descritos nessa síndrome: “Mahaim”, “James”, entre outros. Nesses casos o eletrocardiograma exibe apenas um intervalo PR curto, mas não há onda delta, além disso, o complexo QRS e o segmento ST são normais. Nessa forma de pré excitação ventricular podemos ter taquicardias supraventriculares ou uma condução rápida de arritmias originadas nos átrios, como a fibrilação ou flutter atrial.

Prognóstico

Os casos de pre-excitação ventricular podem  ser totalmente assintomáticos ou cursar com arritmias sintomáticas e risco de morte súbita, por isso, esses pacientes devem ser avaliados e estratificados quanto ao seu risco cardíaco por um médico cardiologista. Durante as crises de arritmia, a utilização de medicamentos antiarrítmicos e a cardioversão elétrica são utilizados para tratar o quadro agudo.

O estudo eletrofisiológico seguido pela ablação por radiofrequência é capaz de identificar e eliminar os feixes elétricos anormais em pacientes selecionados, com elevado índice de cura.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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