Verdades sobre o leite e a saúde humana

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A humanidade vem consumindo leite de vaca há milhares de anos, fato que contribuiu significativamente para o desenvolvimento da civilização. Apesar disso, alertas classificando o leite de vaca como tóxico e prejudicial à saúde vêm ganhando espaço na mídia. As raízes desse paradoxo são bastante complexas.

Grande parte do negativismo atribuído ao leite está menos relacionado a questões de saúde do que ao antagonismo dirigido para a pecuária. Se a opinião pública acreditar que o consumo de leite é prejudicial ao homem, as fazendas de gado leiteiro e as fábricas de laticínios desaparecerão, para a felicidade de ativistas dos direitos dos animais e alguns ambientalistas.

Se existe um alimento natural aperfeiçoado ao longo de muitos anos pela seleção natural para manter os mamíferos vivos e saudáveis, trata-se do leite. De acordo com registros arqueológicos, os mamíferos – por definição, animais cujas fêmeas secretam leite como alimento para a sua prole – surgiram há cerca de 150 milhões de anos. Qualquer animal produtor de leite de qualidade inferior não consegue manter os descendentes e, portanto, não consegue perpetuar os seus genes.

No século XX, pesquisadores determinaram que o leite de vaca possuía a maioria dos elementos essenciais – micronutrientes, aminoácidos e ácidos graxos essenciais – em quantidades maiores do que em qualquer outro produto isolado. Esse achado permanece irrefutável até os dias de hoje. Além disso, o leite de vaca contém proteínas de alta qualidade, e aproximadamente 77% do cálcio da dieta vêm do leite e seus derivados. Mas além de conter os nutrientes fundamentais, o leite de vaca contém outras substâncias bioativas – enzimas, fatores de crescimento, hormônios e citocinas (moléculas parecidas com os hormônios), componentes que reforçam a importância desse alimento para a saúde do homem.

De modo geral, a coalizão de combate ao leite não parece realmente preocupada com o leite em si. Na verdade, parece ter escolhido-o como o vilão para eliminar o seu alvo principal: a pecuária. Esse grupo conseguiu muitos avanços mesmo entre pessoas que não concordam com este objetivo. Os simpatizantes e ativistas incluem repórteres, médicos e nutricionistas. Dessa forma, torna-se difícil mostrar as evidências objetivas dos benefícios do consumo de leite.

A rejeição ao leite é frequentemente expressa por frases do tipo “é para crianças”. O significado implícito dessa afirmação é que o consumo de leite traz benefícios durante a infância e a juventude, mas não na vida adulta. Assume-se que o organismo adulto completou o desenvolvimento e que a ingestão de leite, que promove o crescimento, torna-se completamente desnecessária. Isso não é verdade. De acordo com as evidências disponíveis até o momento, a quantidade de cálcio nos ossos dos indivíduos aumenta pelo menos até a primeira metade da terceira década de vida. Além disso, várias células do organismo, incluindo os neurônios, replicam-se durante toda a vida.

Entre as pessoas de idade mais avançada, para as quais manter o corpo saudável representa um desafio, a massa óssea encontra-se em redução e os músculos e outros órgãos estão debilitados. Assim, muitos idosos podem obter benefícios da ingestão de alimentos que ajudam a manter a integridade dos tecidos, como o leite de vaca.

Entre outras afirmações sobre o leite de vaca, diz-se que “ele é bom para bezerros” e que o consumo pelo homem “não é natural”. As substâncias presentes no leite de vaca  que constituem elementos essenciais para os bezerros também são importantes para o homem. Não se pode aceitar que a ingestão do leite bovino não seja natural, tendo em vista o amplo espectro de alimentos ingeridos pelo ser humano. Além  disso, mais do que qualquer outro produto animal ou vegetal consumido pelo homem, o leite é um alimento humano por natureza. É graças à seleção natural que os europeus primitivos têm a capacidade de digerir a lactose (um dissacarídeo que é o principal açúcar do leite humano e bovino, e uma substância natural encontrada apenas no leite).

Embora os estudos epidemiológicos forneçam informações muito importantes, podem gerar confusões. A maioria mostra dados sobre associações, que não necessariamente refletem causalidade e, raramente, estabelecem relações causa-efeito. Assim sendo, os estudos possuem fatores – condições, situações e ações – que tendem a coexistir com alimentos particulares e podem ser alvo fácil da “ciência lixo”.

Esses fatores, no entanto, não necessariamente representam a causa de um distúrbio com o qual está associado do ponto de vista estatístico. Essa associação pode ser meramente consequência da amostra selecionada ou de uma associação estatística com outros fatores coexistentes. Em outros casos, o fator em questão pode representar uma ligação ou uma causa secundária, ou apenas um agravante da condição.

Geralmente, logo após um estudo científico que demonstra a associação entre uma doença e algo sob investigação, os pesquisadores procuram repetir o estudo e/ou verificar os resultados. Muito frequentemente, esses estudos apresentam resultados bem diferentes ou até mesmo contrários ao estudo inicial. Essa sequência de eventos pode não dissuadir grupos e pessoas mal intencionadas e/ou com conhecimento deficiente de apresentar os dados obtidos nos estudos realizados inicialmente. Alguns exemplos de dados obtidos recentemente a partir de estudos epidemiológicos com resultados duvidosos em relação a trabalhos anteriores incluem: que uma dieta pobre em gordura e rica em fibras não parece reduzir o risco do câncer de cólon; que a terapia de reposição hormonal não reduz o risco de doença cardíaca; e que a quantidade de gordura na dieta não é um fator relacionado à incidência do câncer de mama.

Recentemente, os bioflavonoides tornaram-se populares. Tratam-se de substâncias amarelas amplamente encontradas em vegetais e cuja ingestão parece contribuir para a prevenção do câncer e de doenças cardíacas. Evidências epidemiológicas sugerem que pode existir uma correlação entre a ingestão de grandes quantidades de bioflavonóides e algumas formas de leucemia. Resultados de outros estudos epidemiológicos mostram que as isoflavonas (da soja, por exemplo) podem ser um fator adverso no câncer de mama. Isoladamente, esses dados não significam que se deve desencorajar o consumo de alimentos de origem vegetal.

Ainda assim, os oponentes ao consumo dos derivados do leite vêm fazendo algo parecido, com afirmações do tipo “leite causa câncer”.

Fonte: AMP- American Council on Science and Health.

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