O parcial de urina é um exame rotineiro, comumente solicitado pelos cardiologistas e médicos das diversas especialidades. Nesse exame além da análise da cor e da densidade da urina, avaliamos se há a presença de vários elementos, como: hemácias, leucócitos, proteínas, cilindros, glicose, cetonas, bactérias, nitritos, cristais, etc.
Elementos analisados no parcial de urina
– Hemácias (glóbulos vermelhos do sangue):
A presença de sangue na urina é chamada de hematúria, e pode ocorrer em uma série de doenças que afetam o aparelho urinário (rins, bexiga, ureteres e uretra), tais como: infecção urinária, litíase renal (pedra nos rins), tumores, entre outras. Outras causas de hematúria são os traumas, doenças da coagulação ou por um efeito colateral de algum tipo de medicamento (antiplaquetários, como o ácido acetilsalicílico e o clopidogrel, ou anticoagulantes orais, como a varfarina).
A presença de cerca de duas hemácias por campo (espaço visualizado pelo microscópio do bioquímico) é ainda considerada normal. Exercício físico intenso e fluxo menstrual são causas de hematúria não-patológica (não indicativa de doença).
– Leucócitos (glóbulos brancos de defesa do sangue ):
Contagem superiores a 5 por campo são consideradas anormais (leucocitúria). As causas mais comum de leucocitúria são as infecções urinárias, litíase renal (pedra nos rins), nefrites, tuberculose renal, entre outras.
– Proteínas:
A presença de proteínas na urina (proteinúria) sugere doenças renais, como a síndrome nefrótica. Para o cardiologista, a presença de proteinúria pode indicar uma doença renal avançada causada pela hipertensão arterial e/ou diabete melito. O termo albuminúria se refere a perda de pequenas quantidades de proteína (albumina) na urina.
A albuminúria é o primeiro achado da lesão renal causada pela hipertensão arterial e/ou diabete melito, precedendo por alguns anos o quadro de insuficiência renal crônica. O parcial de urina não é o exame ideal para avaliar a perda de albumina (solicitamos a dosagem de albumina em amostra isolada de urina).
– Cilindros:
Existem inúmeros tipos de cilindros que podem ser encontrados no parcial de urina. De acordo com a modalidade, a presença de certas doenças que afetam os rins como as infecções e glomerulonefrites, podem ser suspeitadas.
– Glicose:
A principal causa da presença de glicose na urina (glicosúria) é o diabete melito descontrolado (é necessário que haja valores de glicose maiores que 180 mg/dl no sangue para surgir a glicosúria ). Outras causas : síndrome de Cushing (produção aumentada de hormônios pela glândula supra-renal ) , hipertireoidismo (produção aumentada de hormônios pela glândula tireoide), situações de estresse (traumas , queimaduras ou cirurgias) entre outras. Alguns medicamentos utilizados para o tratamento do diabete melito podem causar glicosúria (canaglifozina, dapaglifozina e empaglifozina),
– Cetonas:
A presença de corpos cetônicos na urina (cetonúria), em geral, indica a presença de um diabete melito descontrolado (cetoacidose diabética). Mais raramente, pode haver cetonúria em situações de jejum prolongado, dietas hipocalóricas persistentes e em crianças com febre.
-Bactérias:
A urina normal não deve conter bactérias (bacteriúria). A presença de bacteriúria pode indicar uma contaminação na hora da coleta da urina. A bacteriúria verdadeira sugere a presença de infecção urinária. O exame que confirma o diagnóstico de infecção urinária não é o parcial de urina, e sim, a cultura de urina (urocultura).
– Cristais:
Vários cristais como os de oxalato de cálcio, fosfato de cálcio e urato, podem ser encontrados no parcial de urina. Esse achado na maioria das vezes não indica uma doença.
– Nitritos:
A urina normal não costuma conter nitritos. A sua presença (nitrito positivo) sugere a presença de infecção urinária.
– Outros elementos:
Bilirrubinas, urobilinogênio, células lipídicas, células tubulares, entre outros elementos também pode ser identificados no parcial de urina.
Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.
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