Insuficiência cardíaca: tratamento

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Em pacientes com insuficiência cardíaca muito pode ser feito para tornar a atividade física mais confortável, e ainda, prolongar e melhorar a qualidade de vida desses indivíduos. No entanto, não existe uma cura para a maioria das pessoas com a doença.

Os médicos abordam a terapia através de alguns ângulos: medidas gerais, tratamento da causa da insuficiência cardíaca, remoção dos fatores que contribuem para o agravamento da insuficiência cardíaca e tratamento da insuficiência cardíaca propriamente dita.

Medidas gerais

Os médicos podem recomendar um programa de suporte para a interrupção do tabagismo, realização das alterações dietéticas adequadas, perda de peso, interrupção do consumo de bebidas alcoólicas ou, ainda, para a realização regular de exercícios físicos leves a moderados, visando melhorar o estado físico geral.

A manutenção de um peso corporal próximo ao ideal é fundamental. Para os indivíduos com insuficiência cardíaca mais grave, o repouso no leito por alguns dias pode ser indicado como uma parte importante do tratamento. O excesso de sal (sódio) na comida pode provocar retenção de líquidos, complicando o tratamento clínico. Geralmente, a quantidade de sódio no organismo diminui quando o sal da mesa e os alimentos salgados são evitados. No entanto, a questão da restrição do sódio na dieta de portadores de insuficiência cardíaca é um assunto bastante controverso.

Um modo simples e confiável de controlar a retenção de líquidos pelo organismo consiste no controle diário do peso corpóreo. Variações superiores a 1 kg por dia quase que seguramente são devidas à retenção de líquidos. Um ganho de peso rápido e constante (1 kg por dia) é um indício de que a insuficiência cardíaca está se agravando. Por essa razão, os médicos frequentemente solicitam aos pacientes que eles controlem o peso diariamente com o máximo de acurácia possível, basicamente pela manhã (após urinar e em jejum). Em casos mais graves de insuficiência cardíaca a restrição da ingestão de líquidos também poderá ser necessária.

A vacinação contra a gripe (anual) ou contra à pneumonia (a cada 5 ou 3 anos, dependendo da gravidade do quadro) devem ser estimuladas, desde que não haja contraindicação.

Tratamento da causa

Uma cirurgia poderá corrigir uma válvula cardíaca estreitada ou insuficiente, uma conexão anormal entre as câmaras cardíacas (cardiopatias congênitas como as comunicações entre os átrios ou ventrículos , CIA ou CIV , respectivamente) ou ainda, uma ou mais obstruções coronarianas, através de uma cirurgia de ponte de safena.

Algumas vezes, a causa pode ser totalmente eliminada sem necessidade de uma cirurgia. Tratamentos medicamentosos, cirúrgicos ou radioativos podem corrigir a hiperatividade da glândula da tireoide (hipertireoidismo). A cardiomiopatia alcoólica poderá desaparecer totalmente após a cessação da ingestão de álcool. De modo similar, algumas drogas podem controlar a hipertensão arterial, desaparecendo assim o quadro de insuficiência cardíaca.

Um marcapasso artificial definitivo poderá compensar um bloqueio do batimento cardíaco e, desta forma, fazer desaparecer o quadro de insuficiência cardíaca. Esses são alguns exemplos em que podemos tratar a causa da doença.

Remoção dos fatores contribuintes

A ingestão excessiva de álcool, hipertensão arterial descontrolada,  arritmias cardíacas descontroladas , anemia grave, infecções ou  distúrbios da tireoide, são alguns dos fatores que agravam a insuficiência cardíaca, independentemente de sua causa.

Estes fatores deverão ser corrigidos para que ocorra uma significativa melhoria dos sintomas relacionados ao quadro da doença.

Tratamento do quadro clínico

O melhor tratamento para a  insuficiência cardíaca é a prevenção ou a reversão precoce da causa subjacente. Pacientes hipertensos, portadores de doença arterial coronariana (placas de gordura nas artérias do coração), idosos e diabéticos, são de alto risco para o desenvolvimento de insuficiência cardíaca.

Entretanto, mesmo quando isso é impossível, os importantes avanços terapêuticos podem prolongar e melhorar a qualidade de vida dos indivíduos com insuficiência cardíaca.

O tratamento da insuficiência cardíaca costuma envolver o uso de vários medicamentos de forma conjunta (principalmente nos casos de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, subtipo da doença em que os medicamentos são mais eficazes).

Quando apenas a restrição de sal não reduz a retenção de líquido, o médico pode prescrever drogas diuréticas para aumentar a produção de urina e remover sódio e água do organismo através dos rins. Os diuréticos são normalmente tomados por via oral no longo prazo, mas, em uma emergência, esses medicamentos são muito eficazes quando administrados por via intravenosa. Como certos diuréticos podem acarretar uma perda indesejável de potássio do organismo, um suplemento de potássio ou um diurético poupador de potássio também pode ser administrado.

A espironolactona é um diurético poupador de potássio que bloqueia a ação de um hormônio chamado aldosterona, que retém líquidos no organismo. Dessa forma, a espironolactona é comumente prescrita em portadores de insuficiência cardíaca.

A digoxina aumenta a força de cada batimento cardíaco, e reduz a frequência cardíaca quando esta encontra-se muito elevada. Irregularidades do ritmo cardíaco (arritmias), nas quais o batimento cardíaco é demasiado rápido, lento ou errático, podem ser tratadas com medicamentos antiarrítmicos ou com um marcapasso artificial definitivo.

Frequentemente são utilizadas drogas que relaxam (dilatam) os vasos sanguíneos (vasodilatadores) e reduzem a retenção de sal e líquidos pelo organismo, como os inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA), bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA) ou a associação de sacubitril com a valsartana (Entresto).

Os betabloqueadores neutralizam os efeitos deletérios do excesso de adrenalina e noradrenalina, e costumam ser usados precocemente na insuficiência cardíaca.

As câmaras cardíacas dilatadas e com contração deficiente permitem a formação de coágulos sanguíneos em seu interior. Nesse caso, o perigoso um descolamento desses coágulos para o interior da circulação, causando lesões em outros órgãos vitais, como o cérebro, acarretando um acidente vascular cerebral (derrame cerebral). As drogas anticoagulantes são importantes porque ajudam na prevenção da formação de coágulos de sangue no interior das câmaras cardíacas.

A terapia de ressincronização ventricular (uma espécie de marcapasso cardíaco) e o desfibrilador automático implantável (dispositivo que identifica arritmias graves e as trata imediatamente com um choque elétrico) pode ser indicados separadamente ou conjuntamente em pacientes selecionados com insuficiência cardíaca.

O transplante cardíaco está indicado para alguns indivíduos que são saudáveis em outros aspectos e cuja insuficiência cardíaca é grave, e que não responde de modo adequado as outras modalidades de tratamento.

Dispositivos de assistência ventricular aumentam a capacidade de contração do coração, e podem ser úteis temporariamente, principalmente para pacientes que aguardam um transplante cardíaco.

Um terapia experimental é o transplante de células tronco (consiste no implante de células progenitoras com a capacidade de regenerar áreas do coração lesadas, fortalecendo o músculo cardíaco e, desta forma , melhorando o quando de insuficiência cardíaca).

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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