A descoberta da Doença de Chagas completa 100 anos; conheça os sintomas dessa condição que afeta mais de 6 milhões de brasileiros

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Em abril de 1909, Carlos Chagas (1878-1934), pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz, comunicou ao mundo  científico a descoberta de uma nova doença humana.

No ano anterior, Chagas já havia sido capaz de identificar  seu agente causal – o protozoário que denominou de Trypanosoma cruzi, em homenagem a Oswaldo Cruz – e o inseto  transmissor, conhecido como barbeiro.  

A “tripla descoberta” de Chagas, considerada única na história da medicina, constitui um marco na história da ciência e da saúde brasileiras. A Doença de Chagas afeta cerca de 18 milhões de pessoas no mundo, sendo 6 milhões, no Brasil. A doença pode cursar com comprometimento cardíaco, a chamada cardiopatia chagásica crônica.

Causas:

A doença de Chagas é causada pelo Trypanosoma cruzi, um protozoário, sendo transmitida de um hospedeiro a outro por insetos; no caso dos seres humanos, a doença é transmitida pelo inseto conhecido como barbeiro. A doença de Chagas estava primitivamente restrita aos pequenos mamíferos das matas.

Esses animais (tatus, gambás e roedores) convivem com os barbeiros silvestres e, através de uma interação biológica, entre eles circula o Trypanosoma cruzi. Com a chegada do homem e os processos de colonização, em muitos lugares aconteceram desequilíbrios ecológicos (desmatamentos e queimadas) e os barbeiros foram desalojados, invadindo as habitações rústicas e pobres dos lavradores e colonos.  A doença chegou ao homem e aos mamíferos domésticos.

Hoje existem pelo menos 12 milhões de pessoas infectadas pelo Trypanosoma cruzi, das quais, cerca de 6 milhões em nosso país. O Trypanossoma cruzi é transmitido no ato da alimentação do inseto. Assim que o barbeiro termina de alimentar-se, ele defeca, eliminando protozoários e colocando-os em contato com a ferida e a pele da vítima.  A doença de Chagas também pode ser transmitida por transfusão sanguínea ou durante a gravidez, de mãe para filho.

– Manifestações agudas:

Normalmente o quadro clínico da infecção surge de 5 a 14 dias após a transmissão pelo barbeiro e, de 30 a 40 dias para infecções por transfusão sanguínea, mas as manifestações crônicas da doença de Chagas aparecem mais tarde, na vida adulta. Mais ou menos de 4 a 6 dias após o contato com o barbeiro, pode surgir uma inflamação no local da entrada do parasito. Quando a infecção se dá no olho ou próximo a ele, o olho pode ficar inchado, sinal característico da doença, mas pouco frequente. Quando ocorre na pele dos braços, pernas ou rosto, a lesão inicial pode se assemelhar a um furúnculo ou a uma mancha avermelhada, quase sempre dolorosa. Essas lesões iniciais frequentemente são acompanhadas de "ínguas" nas regiões próximas do local de contaminação.

A febre é um dos sintomas mais frequentes nessa fase da doença e, às vezes, o único. Trata-se de febre baixa e contínua, geralmente durando semanas. Alguns dias após a penetração do parasito surge um mal-estar, falta de apetite, aceleração dos batimentos cardíacos, aumento do tamanho do baço e fígado, inchaço da face e de todo o corpo, indicando a disseminação da doença por todo o corpo. Trata-se da fase aguda da doença. Esse quadro é mais comum entre as crianças (1 a 5 anos). Em pessoas mais velhas, geralmente, esses sinais ficam muito atenuados e a fase inicial da doença passa desapercebida, confundindo-se com uma gripe ou mal-estar. A fase aguda tende a desaparecer espontaneamente. Porém em certos casos graves, sobretudo em crianças, pode sobrevir a morte, devido a um ataque intenso do parasito aos órgãos e tecidos mais nobres do corpo, como coração e o sistema nervoso central.

– Manifestações tardias:

Passada a fase aguda, as manifestações da doença vão depender de muitos fatores, dentre os quais a capacidade de defesa do organismo e a intensidade agressora do Trypanossoma cruzi. Muitos pacientes podem passar um longo período, ou mesmo a vida toda, sem apresentar nenhuma manifestação, embora sejam portadores da doença – forma latente. Em outros casos, entretanto, a doença progride e, passada a fase inicial, pode comprometer muitos órgãos, principalmente o coração e o aparelho digestivo. O coração é o órgão mais lesado. O coração aos poucos vai se dilatando e crescendo (miocardiopatia dilatada chagásica), atingindo dimensões enormes.

A capacidade de contração do coração costuma se deteriorar com a progressão da cardiopatia chagásica crônica. São comuns nessa fase avançada, sintomas de insuficiência cardíaca congestiva, como: inchaço nas pernas (edema), fadiga, palpitações e falta de ar (dispnéia). Não são raras, infelizmente, as mortes súbitas e inesperadas entre indivíduos jovens, aparentemente sadios (por arritmias cardíacas complexas). Os batimentos cardíacos podem tornar-se lentos (bloqueios atrioventriculares). Felizmente, a maior parte dos pacientes não chega a desenvolver formas graves da doença no coração e podem ter uma vida praticamente normal. Os comprometimentos digestivos traduzem-se geralmente pelo aumento do calibre do esôfago ou porções finais do intestino (megaesôfago e megacólon chagásicos). Essas alterações podem determinar uma dificuldade progressiva para deglutir (disfagia) e a constipação intestinal prolongada.

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