A hipertensão arterial é considerada o principal fator de risco para as doenças cardiovasculares, como o infarto do miocárdio (ataque cardíaco) e o acidente vascular cerebral (derrame cerebral).
Estas doenças são as principais causas de morte em nosso país. A prevalência de hipertensão arterial na população brasileira adulta é cerca de 25 a 30%.
A prevalência da hipertensão arterial aumenta progressivamente com a idade, sendo superior a 50% entre os idosos. Até os 55 anos de idade um percentual maior de homens tem hipertensão arterial. Entre 55 a 74 anos o percentual de mulheres é discretamente maior e, acima dos 75 anos, o predomínio no sexo feminino é significativamente superior.
Assim, cerca de 80% das mulheres desenvolverão hipertensão arterial na fase pós-menopausa, e a incidência de hipertensão arterial aumenta tanto com a idade quanto com o início da fase pós-menopausa.
A hipertensão arterial contribui para cerca de 35% de todos os eventos cardiovasculares e cerca de 45% dos casos de infarto do miocárdio diagnosticados em mulheres, elevando o risco de doença coronariana em quatro vezes nas hipertensas quando comparadas às mulheres normotensas.
A presença da associação de fatores de risco à hipertensão arterial, muitas integrantes da síndrome metabólica, como a dislipidemia (anormalidades do colesterol), resistência insulínica (ação inadequada do hormônio que permite a entrada do açúcar para dentro das células), intolerância à glicose e a obesidade abdominal, aumentam o potencial aterogênico (formação de placas de gordura nas artérias).
Estes achados são considerados os principais mecanismos para o aparecimento das doenças cardiovasculares em mulheres. Assim, o tratamento anti-hipertensivo com medicamentos, concomitante às modificações nos hábitos de vida, tem demonstrado ser uma intervenção significativa para a prevenção de eventos cardiovasculares em mulheres hipertensas.
Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.
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