Crescimento da obesidade entre crianças intensifica os cuidados com o colesterol

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Em uma pesquisa realizada recentemente pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), os autores observaram que a prevalência da obesidade entre crianças e adolescentes brasileiros tem aumentado, tornando-se próxima aos níveis encontrados nos Estados Unidos, país onde cerca de 15% das crianças e adolescentes são obesos. A prevalência encontrada pela UERJ foi de 11,7% .

A presença de obesidade infanto-juvenil é indicativa do desenvolvimento de complicações cardiovasculares na idade adulta. Existe uma forte associação entre a obesidade, hipertensão arterial, anormalidades do colesterol (dislipidemias) e diabete melito. Todas essas condições são importantes fatores de risco para aterosclerose (desenvolvimento de placas de gordura nas artérias do coração e do cérebro), a principal causa do infarto do miocárdio (ataque cardíaco) e acidente vascular cerebral (derrame cerebral).

Com objetivo de abordar a obesidade infantil, novas recomendações para rastreamento e tratamento das anormalidades do colesterol foram propostas. Um recente comitê recomenda uma dieta para todas as crianças obesas com mais de 2 anos, baseada no Dietary Guidelines for Americans, que é publicado pelo Department of Health and Human Services e pelo Department of Agriculture.

Para crianças e adolescentes com um fator de risco maior para doença cardiovascular ou com níveis elevados de lipoproteína de baixa densidade (LDL-colesterol ou “colesterol ruim” ), são também recomendadas mudanças na dieta baseando-se em aconselhamento nutricional e outras modificações no estilo de vida. Para pacientes pediátricos com sobrepeso ou obesos e com altos níveis de triglicerídeos ou baixos níveis de lipoproteína de alta densidade (HDL-colesterol ou “colesterol bom” ), o tratamento primário é a redução do peso associado à melhora da dieta com aconselhamento nutricional e realização de atividade física.

O comitê de redação também  indica o rastreamento de crianças e adolescentes, com história familiar positiva para dislipidemia (anormalidades do colesterol) ou doença cardiovascular precoce. Pacientes pediátricos com história familiar desconhecida e com outros fatores de risco para eventos cardiovasculares, como sobrepeso, obesidade, hipertensão arterial , tabagismo e diabete melito, também devem ser rastreados com dosagem em jejum do nível sérico das gorduras do sangue. O rastreamento deve ser feito entre 2 e 10 anos de idade.

O tratamento com medicamentos deve ser iniciado em pacientes sem fatores de risco, caso os níveis de  LDL-colesterol sejam persistentemente maiores que 190 mg/dL. Para que os medicamentos  sejam iniciados em pacientes com outros fatores de risco associados, diminui-se o ponto de corte para 160 mg/dL.

Embora o objetivo inicial seja diminuir o nível do  LDL-colesterol para níveis inferiores a 160 mg/dL, metas de 130 mg/dL ou até 110 mg/dL devem ser alcançadas caso haja uma forte história familiar de doença cardiovascular, especialmente com outros fatores de risco incluindo obesidade, diabete melitos , síndrome metabólica e outras situações de alto risco, sugeriu o comitê de redação.

Fonte: Pediatrics.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

 

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