Degeneração mixomatosa da válvula mitral

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O prolapso da válvula mitral (PVM) caracteriza-se por um deslocamento dos folhetos da válvula mitral em direção ao  átrio esquerdo durante a contração do ventrículo esquerdo (sístole ventricular). A degeneração mixomatosa da válvula mitral é uma das causas do prolapso da válvula mitral.

Em alguns casos de prolapso da válvula mitral podemos observar um fluxo sanguíneo retrógrado, ou seja, a passagem de sangue do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo, condição chamada de  regurgitação ou insuficiência da válvula mitral (IVM).

O prolapso da válvula mitral é muito comum, afetando cerca de 2 a 3% da população, no entanto, raramente produz problemas cardíacos graves. A doença é mais comum em mulheres.

Causas

Muitas vezes o prolapso da válvula mitral não apresenta uma causa definida. Pode haver um componente genético da doença. O prolapso da válvula mitral poderá surgir a partir de outras doenças cardiovasculares, como a hipertensão arterial e a cardiopatia isquêmica (formação de placas de gordura na parede das artérias do coração, causando uma irrigação sanguínea insuficiente para o músculo cardíaco).

A causa mais comum de insuficiência da válvula mitral primária nos Estados Unidos (cerca de 50% dos casos de insuficiência da válvula mitral primária) é a degeneração mixomatosa da válvula, sendo mais comum em homens com idade mais avançada. É uma anormalidade genética que resulta em um defeito no colágeno, o tecido de sustentação que compõe a válvula mitral, causando um alongamento dos folhetos desta válvula, tornando-os mais redundantes. Existe uma maior propensão ao rompimento das cordoalhas da válvula mitral, uma complicação grave.

Sinais e sintomas

A maioria dos indivíduos com prolapso da válvula mitral não apresenta quaisquer sintomas. No entanto, alguns deles apresentam sintomas que são difíceis de serem explicados baseando-se apenas no problema mecânico, ou seja, que estes sintomas sejam realmente causados pelo prolapso da válvula mitral. Esses sintomas incluem: dor torácica, fadiga, palpitações e tonturas.

Em alguns indivíduos, a pressão arterial cai abaixo do normal quando eles assumem a posição de pé, em outros, os batimentos cardíacos discretamente irregulares e acelerados produzem palpitações (percepção anormal dos batimentos cardíacos).

Diagnóstico

O médico poderá diagnosticar ou suspeitar do prolapso da válvula mitral através da ausculta de um som característico (estalido de abertura da válvula), utilizando um estetoscópio. O diagnóstico será confirmado pelo ecocardiograma, exame que avalia as válvulas do  coração através de ondas de ultrassom.

A insuficiência mitral (IVM) associada aos casos de prolapso da válvula mitral poderá ser diagnosticada através da ausculta de um sopro durante a contração ventricular. O ecocardiograma além de identificar uma insuficiência da válvula mitral associada ao prolapso da válvula mitral, poderá estimar a sua gravidade, e ainda, detectar os casos de degeneração mixomatosa da válvula mitral.

Tratamento

A maioria dos indivíduos que apresenta prolapso da válvula mitral não necessita de um tratamento. Nos casos em que o coração bate de uma frequência muito rápida, o paciente poderá utilizar um betabloqueador (atenolol ou metoprolol) para diminuir a frequência cardíaca, reduzindo as palpitações e outros sintomas.

Raramente um indivíduo com  prolapso da válvula mitral necessitará reparar ou trocar a sua válvula com o transcorrer do tempo. Uma exceção  são os casos em que há evidências no ecocardiograma de uma degeneração mixomatosa da válvula ou uma evolução do prolapso da válvula mitral complicado por uma insuficiência da válvula mitral severa ou endocardite infecciosa.

O indivíduo que apresenta um prolapso da válvula mitral com uma  insuficiência da válvula mitral associada, e que já tenha desenvolvido previamente uma endocardite infecciosa (infecção bacteriana da válvula cardíaca), deverá tomar um antibiótico antes de certos procedimentos (odontológicos), visando evitar uma recorrência desta condição grave.

Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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