Doença arterial coronariana

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O coração é uma bomba que propulsiona o sangue constantemente em direção a circulação do cérebro, pulmões e do restante do corpo. Ele bate mais de 100 mil vezes por dia.

Para exercer essa função, o músculo cardíaco (miocárdio) necessita de um suprimento adequado e contínuo de sangue, rico em oxigênio e nutrientes. A doença arterial coronariana  caracteriza-se por depósitos placas de gordura  na parede de uma ou mais artérias coronárias (artérias que suprem o miocárdio com sangue ).

Estes depósitos de gordura, chamados de ateromas, ao se desenvolverem ao longo do tempo, obstruem o fluxo de sangue até o miocárdio. Esse processo gradual de formação de placas de ateroma é conhecido como aterosclerose.

A aterosclerose afeta não só as artérias coronárias, mas também outras artérias do organismo. O crescimento progressivo dos ateromas podem levar a um prejuízo do fluxo de sangue até o miocárdio, processo este chamado de isquemia miocárdica crônica. O sofrimento do músculo cardíaco devido ao processo de aterosclerose é conhecido como cardiopatia isquêmica, a qual pode levar com o tempo a uma dilatação e enfraquecimento do coração (cardiopatia isquêmica).

Outra complicação grave da aterosclerose é a hemorragia ou rompimento da placa de ateroma, liberando fragmentos que caem na corrente sanguínea, podendo levar a formação de coágulos sobre sua superfície (trombose coronariana), obstruindo a luz da artéria de uma forma abrupta e intensa.

Este processo é chamado de acidente da placa de ateroma. Nesta situação, ocorre um prejuízo significativo do fluxo de sangue (isquemia miocárdica  aguda), podendo levar a um quadro de angina do peito instável ou infarto do miocárdio, sendo ambos  potencialmente fatais.

A doença arterial coronariana é a principal causa de morte em todo o mundo, afetando indivíduos de todas as raças.

Causas

A doença arterial coronariana  é uma consequência direta da aterosclerose nas artérias coronárias. Logo, o seu aparecimento associa-se com a presença de fatores de risco cardiovascular ao longo da vida. Este processo inicia quando os monócitos (um tipo de glóbulo brando de defesa ) migram da corrente sanguínea para a parede arterial, e transformam-se em células que acumulam material gorduroso. No decorrer do tempo, ocorre a formação de um espessamento irregular (placa de ateroma) no revestimento interno da artéria.

Esta placa de ateroma apresenta diversos estágios, classificados de acordo com sua forma, tamanho e presença ou ausência de um acidente da placa de ateroma.

Fatores de risco para aterosclerose (fatores de risco cardiovascular)

O risco de ocorrer aterosclerose aumenta com a hipertensão arterial, níveis sanguíneos elevados de “colesterol ruim” (LDL-colesterol), níveis baixos de “colesterol bom” (HDL-colesterol), tabagismo, diabete melito, obesidade (principalmente da cintura para cima ou abdominal), sedentarismo, estresse psicossocial e envelhecimento.

O fato de se ter um parente de primeiro grau que apresentou manifestações de aterosclerose em idade mais precoce (parente homem com menos de 55 anos e parente mulher com menos de 65 anos) também é um fator de risco.

Formas de apresentação

As manifestações da doença arterial coronariana (DAC) podem ser resultado da isquemia miocárdica em sua forma crônica ou aguda.

– Isquemia miocárdica crônica:

Acarreta o aparecimento da  cardiopatia isquêmica, podendo evoluir para uma dilatação cardíaca. As principais manifestações clínicas da isquemia miocárdica crônica são a isquemia silenciosa, angina do peito  estável,  insuficiência cardíaca e morte súbita.

– Isquemia miocárdica aguda ou doença coronariana aguda (acidente da placa de ateroma ):

As suas principais manifestações clínicas são a  angina do peito  instável, infarto do miocárdio  (com suas possíveis complicações), insuficiência cardíaca aguda (ou piora aguda de uma insuficiência cardíaca crônica) e  morte súbita.

– Outras apresentações:

Podem surgir arritmias cardíacas e distúrbios da condução elétrica do coração, além das doenças das válvulas cardíacas, principalmente a insuficiência mitral, poderão surgir em ambas as formas de isquemia miocárdica, crônica ou aguda.

Prevenção

A prevenção da doença arterial coronariana  poderá ser dividida em prevenção primária ou secundária.

– Prevenção primária :

São medidas de prevenção adotadas em pacientes sem manifestações de doença arterial coronariana ou de aterosclerose em outras artérias do organismo. Para evitar o desenvolvimento do processo de aterosclerose devemos primeiramente combater os fatores de risco cardiovascular que são modificáveis : dislipidemias (anormalidades do colesterol e suas frações), hipertensão arterial, tabagismo, diabete melito, obesidade, sedentarismo e estresse psicossocial.

Felizmente, a instituição de medidas para atingir alguns desses objetivos acaba auxiliando a atingir os outros fatores de risco. Por exemplo, o início de um programa de exercícios físicos ajuda o indivíduo a perder peso, o que por sua vez auxilia a reduzir o nível de colesterol, glicemia (açúcar no sangue) e a pressão arterial. A  interrupção do tabagismo  também ajuda a aumentar o nível do “colesterol bom” (HDL-colesterol ) e o controle da pressão arterial. Além das mudanças de hábitos de vida, para obtermos estas metas de prevenção primária poderão ser necessários o uso de medicamentos.

– Prevenção secundária :

São medidas de prevenção adotadas em pacientes com manifestações de doença arterial coronariana (seja através de um exame complementar ou por manifestações clínicas acima descritas) ou naqueles com evidências de aterosclerose em outras artérias do organismo. As medidas mencionadas acima, a nível de prevenção primária, também deverão ser adotadas por estes pacientes.

Como este grupo de pacientes é de maior risco (pois já existem manifestações de aterosclerose), as metas de prevenção cardiovascular serão mais rigorosas. Certos medicamentos como as estatinas (redutores de colesterol), inibidores da PCSK9, inibidores da enzima de conversão da angiotensina (diminuem a pressão arterial, além de apresentarem outras propriedades de proteção cardíaca), betabloqueadores (diminuem a pressão arterial, frequência cardíaca e combatem a isquemia ), trimetazidina (combate a isquemia), os antiplaquetários (inibem a agregação das plaquetas”afinando” o sangue) como o ácido acetilsalicílico (aspirina),  clopidogrel ou ticagrelor, deverão ser prescritos para a maioria dos pacientes de prevenção secundária.

Ainda neste grupo de pacientes, a reabilitação cardíaca e metabólica, através de um programa exercícios físicos e melhora do padrão alimentar será de fundamental importância .

Tratamento 

Além de adotar as medidas de prevenção secundária, o tratamento da doença arterial coronariana será individualizado de acordo com as manifestações clínicas (crônicas ou agudas) e a gravidade de cada paciente. O uso de medicamentos,  angioplastia coronariana,  cirurgia de ponte de safena , entre outras opções de tratamento, poderão ser necessários para o tratamento destes pacientes .

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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