Enzimas cardíacas

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As enzimas cardíacas, também chamadas de marcadores de necrose miocárdica, sinalizam a morte de células do músculo cardíaco (miocárdio), e sua elevação é um elemento indispensável para o diagnóstico definitivo do infarto do miocárdio, conhecido popularmente como ataque cardíaco.

O infarto do miocárdio é mais comumente causado pela obstrução de uma artéria do coração, chamada de artéria coronária.

As enzimas cardíacas são dosadas em pacientes cujos sintomas (o principal deles é a dor torácica de início recente), eletrocardiograma, ou outro elemento clínico, levantem a suspeita de um infarto do miocárdio.

As enzimas cardíacas devem ser solicitadas obrigatoriamente em ambiente hospitalar, com o paciente internado ou em observação. Estas dosagens não necessitam de jejum.

O infarto do miocárdio poderá cursar com um eletrocardiograma normal ou inespecífico (sem alterações eletrocardiográficas típicas da doença), no entanto, a elevação das enzimas cardíacas é obrigatória para esse diagnóstico.

Porém, como essas enzimas elevam-se apenas algumas horas após o início do quadro, pacientes com dor torácica sugestiva e eletrocardiograma típico de infarto do miocárdio devem ser encaminhados imediatamente para alguma terapia visando abrir a artéria obstruída, e que causa o infarto do miocárdio. É a chamada terapia de reperfusão. O objetivo da terapia de reperfusão é reduzir ao máximo o grau de necrose miocárdica, minimizando o risco de morte e sequelas.

A terapia de reperfusão poderá ser realizada por meio de uma angioplastia coronariana, na qual a desobstrução da artéria é feita por um cateter, ou com o uso de trombolíticos (medicamentos que dissolvem coágulos  sanguíneos).

As enzimas cardíacas costumam ser dosadas de forma seriada, ou seja , no momento da internação e dentro de alguns intervalos, estabelecidos de acordo com o quadro clínico de cada paciente.

Enzimas cardíacas

– Creatinofosfoquinase (CPK) fração MB:

É a chamada CPK-MB massa. Esta enzima eleva-se no sangue entre 3 e 6 horas após o início dos sintomas de infarto do miocárdio, com um pico de elevação entre 16 e 24 horas, normalizando-se entre 48 e 72 horas.

Essa normalização costuma ser um dos critérios para alta do paciente da unidade de terapia  intensiva. A CPK-MB massa apresenta sensibilidade diagnóstica (capacidade de identificar o infarto do miocárdio) de 50% em três horas após o início dos sintomas, e de mais 90% cerca de 6 horas após. A CK-MB massa apresenta como principal limitação elevar-se após dano em outros tecidos não cardíacos (falso-positivos), especialmente lesão em músculo liso e esquelético.

– Mioglobina:

É uma enzima cardíaca cujos valores de referência variam com idade, sexo e raça. Esta enzima é liberada rapidamente pelo miocárdio lesado, começando a elevar-se entre 1 e 2 horas após o início dos sintomas de infarto do miocárdio, com um pico de elevação entre 6 e 9 horas, e normalização entre 12 e 24 horas.

Embora pouco específica pelo seu elevado valor preditivo negativo (o qual varia de 83% a 98% ), é excelente para afastar o diagnóstico de infarto do miocárdio. A sua elevação não confirma o diagnóstico de infarto do miocárdio, mas quando o seu valor é normal praticamente afasta o diagnóstico da doença.

– Troponinas:

São enzimas que estão presentes no sangue sob três formas de apresentação (troponina C ou TnC, troponina I ou TnI, troponina T ou TnT e troponina ultrassensível ou TnUS). Estas enzimas se elevam-se entre 4 e 8 horas após o início dos sintomas, com pico de elevação entre 36 e 72 horas e normalização entre 5 e 14 dias.

Apresentam a mesma sensibilidade diagnóstica da CK-MB entre 12 e 48 horas após o início dos sintomas do infarto do miocárdio (especificidade e sensibilidade de 97 e 90%, respectivamente, segundo o resultados de grandes estudos). Na presença de portadores de doenças que diminuem a especificidade da enzima CPK-MB, elas são indispensáveis.

A vantagem da TnUS (troponina ultrassensível), como o seu próprio nome sugere, é sua grande sensibilidade, sendo útil para afastar casos suspeitos de infarto do miocárdico com boa margem de segurança.

Causas de elevação das troponinas

As troponinas podem apresentar uma elevação em outras condições clínicas que não sejam o infarto do miocárdio (veja adiante os cinco tipos de infarto do miocárdio). São elas: insuficiência cardíaca (falência cardíaca), miocardite (inflamação do músculo cardíaco), endocardite (inflamação das válvulas e do revestimento interno do coração), pericardite (inflamação da membrana que envolve o coração), tumores que afetam o coração, quimioterapia (alguns medicamentos utilizados para o tratamento de tumores são tóxicos para o coração), exercício extremo, insuficiência renal (falência dos rins), choque elétrico, sepse (infecção grave), acidente vascular cerebral (derrame cerebral) e embolia pulmonar (obstrução de uma ou mais artérias do pulmão por coágulos sanguíneos).

Tipos de infarto do miocárdio

Existem cinco tipos de infarto do  miocárdio:

-Tipo 1: nesse tipo de infarto do miocárdio, que é o mais comum, ocorre um acidente da placa de ateroma, ou seja, uma ruptura de uma placa de gordura localizada em uma artéria do coração. Esta ruptura acarreta a formação de um trombo (coágulo) que interrompe o fluxo sanguíneo neste local da artéria afetada.

-Tipo 2: nesse tipo de infarto do miocárdio há um desequilíbrio entre consumo e oferta de oxigênio para o músculo do coração (miocárdio). Ocorre após cirurgias não cardíacas, anemia profunda, crise tireotóxica (excesso de hormônios circulantes da tireoide, os quais estimulam o coração)  ou secundário a baixo débito (queda da pressão arterial, levando a um prejuízo da irrigação sanguínea do miocárdio). Frequentemente nesses casos as artérias do coração são normais.

-Tipo 3: é o infarto do miocárdio que cursa com morte súbita, chamado de “infarto fulminante”, no qual o paciente evolui para óbito antes da instituição de qualquer tipo de tratamento.

-Tipo 4: são os casos de infarto do miocárdio que ocorrem após uma angioplastia coronariana (4a) ou por trombose do stent (4b). No tipo 4a observamos que após a destruição de uma placa de gordura, durante uma angioplastia coronariana, fragmentos podem obstruir vasos menores localizados distalmente à obstrução tratada. No tipo 4b ocorre a formação de um trombo (coágulo) em torno do stent, uma estrutura metálica geralmente utilizada durante uma angioplastia coronariana.

-Tipo 5: é o infarto do miocárdio que ocorre após uma cirurgia de revascularização do miocárdio, popularmente conhecida como cirurgia de ponte de safena.

Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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