Medicamentos para diabete, os inibidores da SGLT2 reduzem o risco de morte e complicações cardiovasculares

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No Brasil, estima-se que cerca de 10% dos adultos sejam portadores de diabete melito do tipo 2 (DM2). Esses pacientes são considerados de risco aumentado para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, embora esse risco possa variar bastante entre os indivíduos com esse diagnóstico.

Um novo grande estudo, chamado CVD REAL 2, teve como objetivo avaliar o risco de morte e complicações cardiovasculares em pacientes que utilizaram um grupo de medicamento para DM2, chamado de inibidores da SGLT2 (inibidor do cotransportador de glicose e
sódio), em comparação a outros medicamentos para redução da glicemia em seis países da Ásia, Oriente Médio e América do Norte. Os inibidores  com SGLT2 disponíveis no Brasil são a Canaglifozina, Dapaglifozina e Empaglifozina.

Aproximadamente 230 mil pacientes iniciariam o uso de um inibidor da SGLT2 e um número similar de pacientes iniciaram um outro tipo de medicamento antidiabético. Cerca de 27% dos diabéticos já tinham uma doença cardiovascular conhecida. Os autores avaliaram o risco de morte por todas as causas, hospitalização por insuficiência cardíaca (“coração fraco”), infarto do miocárdio (ataque cardíaco) e acidentes vascular cerebral (derrame cerebral).

Os autores concluíram que o risco de todos os desfechos mencionados acima foi menor entre os diabéticos que iniciaram seu tratamento com inibidores da SGLT2. O benefício foi observado entre diabéticos com ou sem antecedentes de doenças cardiovasculares.

Os inibidores da SGLT2 impedem a reabsorção de açúcar (glicose) via inibição das proteínas SGLT2, nos túbulos dos rins, dessa forma, eliminam cerca de 30 a 40 gramas de açúcar pela urina. Além disso, esses medicamentos proporcionam perda
de peso de 2 a 3 kg, e um redução da pressão arterial sistólica (pressão arterial máxima) de 4 a 6 mmHg. Os inibidores da SGLT2 podem ser combinados com todos outros antidiabéticos de uso oral e insulina. Esses medicamentos não devem ser utilizados em pacientes com insuficiência renal moderada à grave.

Estudos anteriores, utilizando Empaglifozina e Canaglifozina, que incluíram apenas diabéticos de alto risco cardiovascular ou com doença cardiovascular conhecida, já haviam demonstrado efeitos benéficos sobre mortalidade e complicações cardiovasculares com o uso dos inibidores da SGLT2.

É importante salientar que a maioria dos medicamentos disponíveis para o tratamento do DM 2 não demonstraram reduzir risco de morte ou complicações cardiovasculares.

Fonte: Journal of the American College of Cardiology.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

“O Portal do Coração adverte: nunca incie, substitua ou suspenda uma medicação sem orientação médica”.

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