Pesquisadores brasileiros comprovam alterações cerebrais em portadores da síndrome do pânico

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A síndrome (conjunto de sinais e sintomas) do pânico, também chamada de transtorno do pânico, é uma doença caracterizada por ataques repentinos, inexplicados e recorrentes de grande ansiedade (ataques ou crises de pânico). A doença associa-se a um desequilíbrio dos neurotransmissores do cérebro (como a serotonina e a noradrenalina), no entanto, uma recente pesquisa sugere também a presença de alterações cerebrais em portadores dessa síndrome.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) avaliaram as estruturas cerebrais de pacientes portadores da síndrome do pânico, utilizando uma técnica recente de ressonância magnética. Estes pesquisadores  analisaram de uma só vez, o volume das estruturas cerebrais em funcionamento.

O Dr. Ricardo Uchida da Divisão de Psiquiatria da FMRP e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) explica que através desta nova técnica de ressonância, é possível analisar todas as estruturas cerebrais dos indivíduos estudados, de uma forma  bem mais rápida.

A equipe do Dr. Uchida pôde encontrar alterações volumétricas – aumento e diminuição de volume – em estruturas  específicas no cérebro dos portadores da síndrome do pânico. A  pesquisa foi iniciada em 2000 e avaliou as estruturas cerebrais de 39 pacientes: 19 eram portadores da síndrome do pânico e 20 faziam parte do grupo controle.

As estruturas alteradas com maior relevância durante o estudo foram a ínsula, o tronco encefálico e o cíngulo anterior. A ínsula apresentava um aumento volumétrico nos indivíduos portadores da síndrome do pânico. Estudos prévios mostram que a ínsula é ativada após sensações  como dor, toque (tanto doloroso quanto erótico), falta de ar , percepção do próprio batimento cardíaco, entre outras. O  aumento da ínsula pode estar relacionado às sensações referidas durante uma crise de pânico, como taquicardia, dor torácica, dispnéia, sufocamento e sensação de morte iminente.

O entendimento da neurobiologia dos portadores da síndrome do  pânico pode auxiliar  em longo prazo o diagnóstico e o tratamento da doença.

Fonte:Psychiatry Research: Neuroimaging(2008).

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