Uma mutação genética relacionada com a elevação do índice de massa corporal (IMC), pode ter seu risco para obesidade reduzido através da prática regular de atividades físicas. Essa é a constatação de pesquisadores da Universidade de Maryland (Baltimore, Estados Unidos).
O objetivo desse estudo era avaliar a associação entre as variantes de um gene, chamado de FTO, e o IMC em indivíduos de um grupo populacional chamado de Old Order Amish. Além disso, o estudo ainda avaliou a influência da prática de atividades físicas em reduzir a tendência à obesidade mediada por esse gene.
A partir do Heredity and Phenotype Intervention Heart Study, um estudo desenvolvido para avaliar a interação entre os genes e os fatores ambientais nas doenças cardiovasculares, os autores do estudo selecionaram 704 adultos pertencentes ao grupo populacional Old Order Amish. Os participantes foram genotipados para polimorfismos (variantes genéticas) do gene FTO e, ainda, tiveram as suas atividades físicas avaliadas e quantificadas.
As análises estratificadas demonstraram que a associação entre esse polimorfismo e a elevação do índice de massa corporal era encontrada exclusivamente nos participantes que apresentavam baixos níveis de atividade física, ajustados para o sexo e idade. Para os indivíduos com índices elevados de atividade física esse polimorfismo não apresentou relação com uma elevação do índice de massa corporal.
Por limitações inerentes a esse tipo de estudo, não foi possível quantificar o nível ideal de atividade física necessária para neutralizar os efeitos da predisposição genética para o ganho de peso relacionado com o gene FTO.
Os autores do estudo concluíram que esses achados sugerem que o elevado risco de obesidade relacionada com a predisposição genética, através das variantes do gene FTO, podem ser minimizados através da prática de atividade física. Além disso, enfatizam a importância e o papel da prática de atividades físicas nas campanhas públicas de prevenção e combate à obesidade, especialmente naqueles que apresentam uma predisposição genética.
Fonte: Archives of Internal Medicine.
Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.
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