Para que serve a dosagem da apolipoproteína B-100 (apoB) e apolipoproteína A-1 (apoA-1)?

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A dosagem da apolipoproteína B-100 (ApoB) e apolipoproteína A-1 (ApoA-1) podem ser realizadas sem jejum prévio, e não sofrem a influência dos níveis de triglicerídeos moderadamente elevados (valores de até 390 mg/dl).

Apolipoproteína B (Apo B)

A ApoB é encontrada nas frações aterogênicas do colesterol: VLDL colesterol (lipoproteína de muito baixa densidade), IDL colesterol (lipoproteína de intermediária densidade), LDL colesterol (lipoproteína de baixa densidade ou “colesterol ruim”) e a lipoproteína (a).

Assim, a dosagem da ApoB torna-se uma medida indireta de todas as partículas aterogênicas presentes na corrente sanguínea, correspondendo à fração do não HDL colesterol (lipoproteína de alta densidade ou “colesterol bom”). Quando falamos em partículas aterogênicas, estamos falando das frações do colesterol que favorecem o aparecimento de placas de gordura ou ateromas nas artérias. Veja o cálculo fração não HDL colesterol (CT é o colesterol totaL):

– Fração não HDL colesterol = CT – HDL-colesterol.

Grandes estudos comprovaram a superioridade do não HDL-colesterol e da ApoB em relação à LDL colesterol na predição do risco cardiovascular. Entretanto, a ApoB não se mostrou superior à fração não HDL colesterol em diversos grandes estudos.

Considerando a falta de um consenso na atualidade sobre a importância clínica da dosagem da Apo B como preditor de risco cardiovascular, e o custo adicional que representa em relação à fração não HDL colesterol (gratuitamente implícita no perfil lipídico de rotina), surge uma natural limitação de seu uso na prática clínica. Em conclusão, a dosagem de rotina da ApoB não é recomendada na avaliação ou estratificação do risco cardiovascular.

Concentrações de ApoB de 120 mg/dL equivalem ao não HDL colesterol de 160
mg/dL e de ApoB de 80 mg/dL correspondem ao não HDL colesterol de 100 mg/dL.

Apolipoproteína A-1 (ApoA-1)

A ApoA-1 é a principal apoliproteína do HDL colesterol (“colesterol bom”) e fornece uma boa estimativa da concentração do HDL colesterol. Cada partícula do HDL colesterol pode transportar várias moléculas de ApoA-1.

Concentrações plasmáticas de ApoA-1 menores que 120 mg/dL para homens
e menores que 140 mg/dL para mulheres correspondem aproximadamente às que são consideradas baixas concentrações de HDL colesterol.

De modo semelhante ao desempenho da ApoB, a utilização da dosagem da ApoA-1 não mostrou superioridade à dosagem do HDL colesterol na previsão do risco cardiovascular.

Diversos estudos analisaram a relação entre a Apo B e Apo A-1 (indicadora do balanço aterogênico no plasma), mas não se mostraram efetivas na melhora da estratificação do risco.

Em resumo, a ApoB é maléfica pois favorece à aterosclerose e a ApoA-1 é benéfica porque protege contra à aterosclerose.

Essas apolipoproteínas não não superiores à dosagem do perfil lipídico tradicional (dosagem do colesterol total, HDL colesterol, LDL colesterol e triglicerídeos, além do cálculo da fração não HDL colesterol conforme fórmula acima) para predizer risco de eventos cardiovasculares.

Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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