Devemos tratar a hipertensão arterial em idosos com mais de 80 anos?

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A hipertensão arterial é o principal fator de risco cardiovascular, afetando cerca de 30% dos adultos , sendo que a sua prevalência  aumenta com a idade.

Mais que 60% dos idosos, pessoas com 60 anos ou mais, são hipertensos. Neste grupo populacional  a pressão arterial de maior importância clínica é a sistólica (pressão arterial máxima), a qual aumenta com o avanço da idade, já que sua elevação traduz o processo de endurecimento e calcificação do sistema arterial. A pressão arterial diastólica (mínima) não costuma elevar-se após os 50-55 anos, podendo inclusive diminuir um pouco com o tempo.

A população de idosos cresce progressivamente em nosso país, sendo que destes, muitas são octagenários (mais de 80 anos de idade). Os grandes estudos realizados demonstraram que o tratamento da hipertensão arterial sistólica em pacientes idosos era efetivo na prevenção de complicações cardiovasculares, no entanto, o número de pacientes octagenários destes estudos era relativamente pequeno.

O tratamento da hipertensão arterial em octagenários era motivo de controvérsias, pois as evidências científicas ainda eram escassas. Durante o congresso do Colégio Americano de Cardiologia de 2008, realizado em Chicago, foi apresentado o estudo HYVET (Hypertension in the Very Elderly Trial) que incluiu cerca de 4.000 mil octagenários, que foram divididos em dois grupos: um grupo recebeu placebo, e o outro grupo recebeu um ou dois medicamentos anti-hipertensivos. A pressão arterial sistólica inicial desses pacientes era maior ou igual a 160 mmHg (até 199 mmHg).

O objetivo do tratamento era reduzir a pressão arterial sistólica para níveis iguais ou inferiores a 150/80 mmHg. No grupo de pacientes tratados houve uma redução significativa de casos de derrame cerebral (acidente vascular cerebral), insuficiência cardíaca e morte.

Esse é o primeiro grande estudo em octagenários  que demonstrou de forma inequívoca os benefícios em se reduzir a pressão arterial para níveis próximos de 150/80 mmhg ou menos.

Fonte: Congresso do ACC.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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