Dieta para a prevenção de um infarto do miocárdio ( ataque cardíaco )

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Sabemos que o aumento do consumo de gordura na alimentação associa-se à elevação da concentração do colesterol no sangue e à maior incidência de aterosclerose coronária ( placas de gordura na parede dessas artérias )  , bem como , suas complicações  como a angina do peito , infarto do miocárdio ( ataque cardíaco ) , derrame cerebral , entre outras. Uma alimentação adequada deverá  ser adotada por todas as pessoas , sejam ou não , portadoras de anormalidades do colesterol , visando a prevenção da aterosclerose e as suas complicações. A seguir , mencionamos as recomendações da útlima diretriz brasileira para prevenção da aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia ( 2007 ).  

Colesterol e gorduras saturadas:

Os conteúdos alimentares de gorduras saturadas e de colesterol influenciam diferentemente os níveis das gordura no sangue , em especial os níveis de colesterol no sangue . A maioria das pessoas absorve aproximadamente metade do colesterol presente no intestino, enquanto uma minoria é hiperresponsiva , ou seja , absorve uma quantidade maior . A absorção de   gordura saturada, no entanto, não é limitada e, por isso, sua ingestão promove efeito mais intenso sobre os níveis de colesterol . Para reduzir a ingestão de colesterol, deve-se diminuir o consumo de alimentos de origem animal, em especial as vísceras, leite integral e seus derivados, embutidos, frios, pele de aves e frutos do mar (camarão, ostra, marisco, polvo, lagosta). Para diminuir o consumo de ácidos graxos saturados, aconselha-se a redução da ingestão de gordura animal (carnes gordurosas, leite e seus derivados), de polpa e leite de coco e de alguns óleos vegetais , como os de dendê.  

Gorduras insaturadas:

As gorduras insaturadas são classificados em duas categorias principais:  polinsaturados ( séries ômega-6  e ômega-3 )  e monoinsaturados ( série ômega-9 (oléico). O ácido linoléico é essencial e o precursor dos demais gorduras polinsaturadas da série ômega-6, cujas fontes alimentares são os óleos vegetais de soja, milho, e girassol. A substituição das gorduras saturadas por gorduras polinsaturados reduz o colesterol total e o LDL-C ( colesterol "ruim" )  sangüíneos. As gorduras polinsaturadas possuem o inconveniente de  diminuir o HDL-C ( colesterol "bom" ) quando utilizados em grande quantidade. As gorduras polinsaturadas do tipo ômega-3 , são encontrados respectivamente nos vegetais (soja, canola e linhaça) e em peixes de águas frias (cavala, sardinha, salmão e arenque). Promovem redução dos triglicérides , podendo ainda exercer outros efeitos cardiovasculares, como redução da viscosidade do sangue , maior relaxamento do endotélio ( camada interna das artérias ) e também efeitos anti-arrítmicos. As gorduras monoinsaturadas exercem o mesmo efeito sobre o colesterol , sem, no entanto, diminuir o HDL-C . Suas principais fontes na dieta são o óleo de oliva, óleo de canola, azeitona, abacate e oleaginosas (amendoim, castanhas, nozes e amêndoas).

Gorduras trans:

 As gorduras trans são sintetizados durante o processo de hidrogenação industrial dos óleos vegetais. As gorduras  trans aumentam o LDL-C ( colesterol"ruim" )  e reduzem o HDL-C   ( colesterol "bom" ) e, da mesma forma que outras gorduras, aumentam os trigicerídeos. A principal fonte de gorduras trans na dieta é a gordura vegetal hidrogenada, utilizada no preparo de sorvetes cremosos, chocolates, pães recheados, molhos para salada, sobremesas cremosas, biscoitos recheados, alimentos com consistência crocante (nuggets, croissants e tortas), bolos industrializados, margarinas duras e alguns alimentos produzidos em redes de “fast-foods”. Não há consenso em relação à quantidade máxima permitida na dieta, no entanto, recomenda-se que a ingestão de gordura trans deva ser menor que 1% das calorias totais da dieta .

Fibras:

São hidratos de carbono complexos , classificados de acordo com sua solubilidade, em solúveis e insolúveis. As fibras solúveis são representadas pela pectina (frutas) e pelas gomas (aveia, cevada e leguminosas: feijão, grão de bico, lentilha e ervilha). Estas fibras reduzem o tempo de trânsito gastrointestinal ( melhoram a constipação intestinal ) e a absorção do colesterol pelo intestino. O farelo de aveia é o alimento mais rico em fibras solúveis e pode, portanto , diminuir moderadamente o colesterol no sangue. As fibras insolúveis não atuam sobre os níveis de colesterol , mas aumentam a sensação de  saciedade , auxiliando na redução da ingestão de calorias e perda de peso . São representadas pela celulose (trigo), hemicelulose (grãos) e lignina (hortaliças). A recomendação de ingestão de fibra alimentar total para adultos é de 20 a 30 g/dia, 5 a 10g destas devendo ser solúveis, como medida adicional para a redução do colesterol.

Fitosteróis:

São encontrados apenas nos vegetais e desempenham funções  semelhantes as do colesterol em tecidos dos animais. O β-sitosterol, extraído dos óleos vegetais é o principal fitosterol encontrado nos alimentos. Reduzem o colesterol por competirem com a absorção do colesterol na luz intestinal. Uma dieta balanceada com quantidades adequadas de vegetais fornece aproximadamente 200 a 400mg de fitosteróis . No entanto, é necessária a ingestão de 2 g/dia de fitosteróis para a redução média de 10-15% do LDL-C ( colesterol "ruim" ). Os fitosteróis não influenciam os níveis plasmáticos de HDL-C ( colesterol "bom" ) e dos triglicérides. A ingestão de 3 a 4 g/dia de fitosteróis pode ser utilizada como adjuvante ao tratamento visando a redução dos níveis de colesterol.

Proteína de soja:

A ingestão de proteína da soja ( 25 gramas /dia ) pode reduzir o colesterol do sangue ( -6% do LDL-C ou colesterol "ruim") e, portanto, pode ser considerada como auxiliar no tratamento do colesterol elevado . Os dados disponíveis são contraditórios quanto aos efeitos sobre os triglicerídeos e HDL-C ( colesterol "bom" ). As principais fontes de soja na alimentação são: feijão de soja, óleo de soja, queijo de soja (tofu), molho de soja (shoyo), farinha de soja, leite de soja e o concentrado protéico da soja. Este concentrado exclui a presença de gorduras, mantendo carboidratos e 75% da sua composição em proteínas e é amplamente utilizado como base de alimentos liofilizados e como “suplemento protéico”.

Antioxidantes:

Os antioxidantes , dentre eles os flavonóides, presentes na dieta podem potencialmente estar envolvidos na prevenção da aterosclerose por inibirem a oxidação das LDL-C ( partículas de colesterol "ruim"  que penetram na parede das artérias ) , diminuindo sua aterogenicidade e, conseqüentemente, o risco de doença arterial coronária. Os flavonóides são antioxidantes encontrados nos alimentos, principalmente nas verduras, frutas (cereja, amora, uva, morango, jabuticaba), grãos, sementes ( como a semente do cacau ) , castanhas, condimentos e ervas e também , em bebidas como vinho, suco de uva e chás . Não há estudos com número suficiente de pacientes que demonstrem a prevenção de eventos clínicos relacionados à aterosclerose ( como o infarto do miocárdio ), com o uso de suplementações com antioxidantes como, por exemplo, as vitaminas E, C ou beta-caroteno. Não há evidência de que suplementos de vitaminas antioxidantes previnam manifestações clínicas da aterosclerose, portanto esses não são recomendados. Alimentação rica em frutas e vegetais diversificados fornece doses apropriadas de substâncias antioxidantes, que certamente contribuirão para a manutenção da saúde .

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