Prolapso da válvula mitral

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O prolapso da válvula mitral (PVM) caracteriza-se por um deslocamento dos folhetos da válvula mitral em direção ao  átrio esquerdo durante a contração do ventrículo esquerdo (sístole ventricular). A válvula mitral separa o átrio esquerdo do ventrículo esquerdo, câmaras cardíacas localizadas no lado esquerdo do coração.

Em alguns casos de prolapso da válvula mitral podemos observar um fluxo sanguíneo retrógrado, ou seja, a passagem de sangue do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo, condição chamada de regurgitação ou insuficiência mitral (IM).

O prolapso da válvula mitral é muito comum, afetando cerca de 2 a 3% da população, no entanto, raramente produz problemas cardíacos graves. A doença é mais comum em mulheres.

Classificação

-Síndrome do prolapso da válvula mitral: é a forma mais frequente, afeta indivíduos entre 20 e 50 anos, mais comum em mulheres, os folhetos da válvula são finos, presença de clique na ausculta cardíaca, associado à palpitações e pressão arterial baixa, curso benigno.

-Degeneração mixomatosa da válvula mitral: afeta indivíduos mais velhos entre 40 e 70 anos, mais comum em homens, folhetos da válvula são redundantes e espessados, associação sopro de insuficiência mitral na ausculta cardíaca, muitos casos precisarão de cirurgia.

-Prolapso secundário da válvula mitral: associação com cardiomiopatia hipertrófica e doenças do tecido conjuntivo.

Causas

Muitas vezes o prolapso da válvula mitral não apresenta uma causa definida. Pode haver um componente genético da doença. O prolapso da válvula mitral poderá surgir a partir de outras doenças cardiovasculares, como a cardiomiopatia hipertrófica.

A causa mais comum de insuficiência mitral primária nos Estados Unidos (cerca de 50% dos casos) é a degeneração mixomatosa da válvula, sendo mais comum em homens com idade mais avançada. É uma anormalidade genética que resulta em um defeito no colágeno, o tecido de sustentação que compõe a válvula mitral, causando um alongamento dos folhetos desta válvula, tornando-os mais redundantes. Existe uma maior propensão ao rompimento das cordoalhas da válvula mitral, uma complicação grave.

Sinais e sintomas

A maioria dos indivíduos com prolapso da válvula mitral não apresenta quaisquer sintomas. No entanto, alguns deles apresentam sintomas que são difíceis de serem explicados baseando-se apenas no problema mecânico. Esses sintomas incluem: dor torácica, fadiga, palpitações e tonturas.

Em alguns indivíduos, a pressão arterial cai abaixo do normal quando eles assumem a posição de pé (hipotensão ortostática), em outros, os batimentos cardíacos discretamente irregulares e acelerados produzem palpitações (percepção anormal dos batimentos cardíacos).

Diagnóstico

O médico poderá diagnosticar ou suspeitar do prolapso da válvula mitral através da ausculta de um som característico (clique ou estalido de abertura da válvula mitral), utilizando um estetoscópio. O diagnóstico da doença será confirmado pelo ecocardiograma, exame que avalia as válvulas do  coração através de ondas de ultrassom.

A insuficiência mitral associada aos casos de prolapso da válvula mitral  poderá ser diagnosticada através da ausculta de um sopro durante a contração ventricular. O ecocardiograma além de identificar uma insuficiência da válvula mitral associada ao prolapso da válvula mitral, poderá estimar a sua gravidade, e ainda, detectar os casos de degeneração mixomatosa da válvula mitral.

Tratamento

A maioria dos indivíduos que apresenta prolapso da válvula mitral não necessita de um tratamento. Nos casos em que o coração bate de uma frequência muito rápida, o paciente poderá utilizar um betabloqueador (atenolol ou metoprolol, por exemplo) para diminuir a frequência cardíaca, reduzindo as palpitações e outros sintomas.

Raramente um indivíduo com  prolapso da válvula mitral necessitará reparar ou trocar a sua válvula com o transcorrer do tempo. Uma exceção são os casos em que há evidências no ecocardiograma de uma degeneração mixomatosa da válvula mitral ou uma evolução do prolapso da válvula mitral complicado por uma insuficiência mitral severa ou endocardite infecciosa (infecção da válvula mitral, geralmente de causa bacteriana).

O indivíduo que apresenta um prolapso da válvula mitral com uma insuficiência mitral associada, e que já tenha desenvolvido previamente uma endocardite infecciosa, deverá tomar um antibiótico antes de certos procedimentos odontológicos, visando evitar uma recorrência desta grave condição.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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