10 fatos sobre a carne vermelha e saúde cardiovascular

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Médicos, especialmente cardiologistas, orientam diariamente seus pacientes para que evitem ou diminuam a ingestão de certos alimentos que poderiam aumentar o risco de morte ou complicações cardiovasculares como o infarto do miocárdio (ataque cardíaco). No entanto, qualquer orientação médica deve ser respaldada por fundamentos científicos, ou seja, baseada em estudos que comprovem benefícios ou malefícios à saúde cardiovascular de um determinado alimento.

Além do seu valor calórico, os alimentos são compostos por uma complexa combinação de macronutrientes (proteínas, carboidratos e gorduras) e micronutrientes (vitaminas e sais minerais). A carne vermelha tem sido apontada como uma vilã para a saúde cardiovascular por apresentar concentrações consideráveis de colesterol, gordura saturada e gordura total, no entanto, estudos recentes questionam o papel do colesterol e das gorduras saturadas como vilões para à saúde cardiovascular.

Abaixo 10 fatos sobre a carne vermelha e a saúde cardiovascular:

1- As carnes vermelhas habitualmente consumidas são uma importante fonte de proteínas de alto valor, vitaminas do complexo B e ferro de fácil absorção pelo organismo, quando comparadas aos alimentos vegetais.

2- Em uma dieta saudável, a ingestão de carne vermelha não é obrigatória, desde que outras fontes alimentares destes nutrientes citados acima estejam  disponíveis na dieta, no entanto, ingerir carne vermelha duas ou três vezes por semana é algo aceitável e benéfico.

3- Ao contrário do que muitos pensam, o valor do colesterol, independentemente do tipo de carne ou de preparo, não varia significativamente. Os maiores teores de colesterol entre todas as carnes são observados nas vísceras (fígado, por exemplo), no coração de frango e no camarão.

4- No entanto, as carnes vermelhas podem fornecer quantidades significativas de gorduras saturadas, em razão do tipo de animal, criação do animal e da localização da carne (corte). Quando falamos em carne vermelha, devemos preferir cortes mais magros como alcatra, patinho, músculo, colchão mole e filé mignon.

5- Ao se preparar quaisquer tipos de carnes, é necessário que se remova a gordura aparente, pois a gordura penetra no interior da carne durante o preparo. Entre os tipos de preparação, deve-se dar preferência ao grelhado, pois essa técnica evita a reabsorção da gordura pela carne, além de preferir a carne bem passada, pois a carne mal passada com gordura apresenta maiores taxas de gordura saturada e, portanto, deve ser evitada. A carne frita também deve ser evitada.

6- De modo geral, estudos que analisaram o impacto de dietas com menor consumo de carne vermelha indicaram redução da pressão arterial e menor risco de mortalidade por doenças cardiovasculares, ou seja, existe benefício científico quando passamos a comer carne vermelha com moderação.

7- Vegetarianos apresentam níveis menores de colesterol sanguíneo, pressão arterial e mortalidade por doenças cardiovasculares, quando comparados aos indivíduos que comem carne.

8- Os especialistas recomendam o consumo controlado de carne vermelha (duas ou três vezes por semana), além da restrição de cortes gordurosos como picanha, fraldinha, cupim e costela. Por exemplo, a costela tem cerca de 4 vezes mais gordura que o patinho.

9- Um grande estudo europeu relacionou o consumo de carnes processadas, como linguiça, salsicha, salame e bacon, a um aumento do risco de morte, doenças cardiovasculares e câncer. Os autores do estudo observaram que o risco de morte por câncer e doenças cardiovasculares aumentava em 11% e 30% respectivamente, quando o consumo de carnes processadas era de 50 gramas ou mais por dia.

10- Finalizando, devemos lembrar do velho ditado popular: “a diferença entre o remédio e o veneno é a dose”. Aprecie os prazeres da carne vermelha com moderação, priorizando as boas escolhas no seu dia a dia.

Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700

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