Angioplastia coronariana no infarto do miocárdio complicado por choque cardiogênico

0
450

O infarto do miocárdio, conhecido popularmente como ataque cardíaco, ocorre quando geralmente quando há uma interrupção súbita e intensa do fluxo de sangue em uma artéria coronária que irriga o coração, ocorrendo  morte de parte do tecido cardíaco (necrose miocárdica).

A principal causa desta interrupção do fluxo sanguíneo é um “acidente de uma  placa de ateroma”, ou seja, uma ruptura de uma placa de gordura.

Esta ruptura acarreta a formação de um coágulo que interrompe o fluxo sanguíneo neste local da artéria. O infarto do miocárdio é uma das manifestações da doença arterial coronariana, doença caracterizada pela formação de ateromas na parede das artérias coronárias.

Conforme o traçado do eletrocardiograma, o médico assistente poderá suspeitar que a artéria causadora do infarto do miocárdio  esteja  obstruída  parcialmente ou totalmente (infarto do miocárdio sem ou com supradesnível do segmento ST no eletrocardiograma).

No primeiro caso não será necessário a realização de um cateterismo cardíaco e cineangiocoronariografia de emergência, pois nessa situação o tratamento inicial será com medicações para tentar dissolver o coágulo (trombo) formado na artéria.

No segundo caso será necessário utilizar uma opção de tratamento que possibilite abrir a artéria  totalmente obstruída o mais rápido possível e, desta forma, minimizar a área cardíaca afetada pelo  infarto do miocárdio. Para tal, dispomos de duas modalidade de tratamento (terapias de perfusão): trombolíticos (administrados de forma injetável através de uma veia no braço, processo chamado de trombólise) ou angioplastia coronariana primária (introdução de um cateter provido de uma balão em sua extremidade até o local obstruído, permitindo assim o restabelecimento do fluxo de sangue).

Choque cardiogênico

O choque cardiogênico é caracterizado por uma diminuição importante da capacidade de bombeamento de sangue por parte do coração. Tal fato acarreta uma queda da pressão arterial (pressão arterial sistólica inferior à 90 mmHg) e uma inadequada irrigação dos tecidos do organismo.

A causa mais comum do choque cardiogênico é o infarto do miocárdio extenso, ou seja, aquele que compromete mais de 40% da massa muscular do ventrículo esquerdo, a principal das quatro câmaras do coração.

O risco de morte no infarto do miocárdio complicado por choque cardiogênico é muito elevado, ou seja, mais que de 50%. Cerca de 80% desses pacientes apresentam mais de uma artéria estreitada por placas de ateroma.

Indicações da angioplastia coronariana no infarto do miocárdio complicado por choque cardiogênico

Um estudo recente, chamado Culprit-Shock, avaliou o papel da angioplastia coronariana em 706 pacientes com infarto do miocárdio, sendo a maioria com supradesnível do segmento ST no eletrocardiograma, complicado por choque cardiogênico.

O estudo demonstrou que tratar apenas a artéria culpada pelo infarto do miocárdio, ao invés de tratar todas as artérias com estreitamentos significativos, diminui o risco relativo de morte desses pacientes.

Em casos de infarto do miocárdio complicados por choque cardiogênico a angioplastia coronariana poderá ser feita após 24 horas do início dos sintomas, conduta não recomendada em outros casos de infarto do miocárdio.

Fonte: TCT – 2017.

 Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here