Classificação dos exercícios físicos

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Muitas pessoas conhecem os exercícios físicos classificados de duas formas exercícios aeróbios e exercícios anaeróbios. Estes termos sugiram a mais de três décadas objetivando esclarecer que há dois caminhos como dois tipos de resultados diferentes, quando qualquer pessoa se propõe a fazer exercícios físicos, principalmente de forma contínua.

Porém, atualmente, esta classificação sofre um preconceito errôneo, levando muitas pessoas a aceitarem o distorcido e não o verdadeiro conceito, de que exercícios aeróbios “queimam gordura” servindo exclusivamente para emagrecer e exercícios anaeróbios “criam músculos” servindo exclusivamente para dar salientes músculos aos praticantes e que não ajudariam em nada a emagrecer.

Estas afirmações populares ganharam força ao longo dos anos e, se infiltraram pelos meios de comunicação no senso comum da população onde exercícios e seus resultados são basicamente entendidos desta maneira. Porém estas afirmações vieram perdendo força enquanto crescia as pesquisas nas áreas de fisiologia do exercício, ciência a qual estuda de forma experimental e comprobatória dos caminhos metabólicos e seus resultados no organismo.

Atualmente está comprovado que “exercícios anaeróbios” podem apresentar significativa participação aeróbia. Quando realizamos esforços de alta intensidade utilizamos muitas calorias apesar do curto tempo de movimento, porém é nesta situação de grande demanda de oxigênio que o músculo encontra-se em uma condição insuficiente de ofertar o oxigênio que é necessário para produzir energia contrátil então, à via anaeróbia é ativada imediatamente.

Esta via tem como característica a produção de ácido lático, que promove uma fadiga antecipada a qual gera uma interrupção mais imediata do movimento; apesar do organismo promover uma maior captação, transporte e utilização de oxigênio ativando a via aeróbia na tentativa de reduzir a participação da via anaeróbia geradora de ácido lático. Esta reação é bem percebida quando notamos um aumento significativo no número de incursões respiratórias acompanhado de um também aumento da freqüência cardíaca elevando o número de batimentos. 

Os exercícios de alta intensidade caracterizam-se por serem de curta duração, como é o caso dos exercícios de musculação (exercícios resistidos, com peso), onde séries com 6 a 15 repetições são aplicadas promovendo um tempo bastante curto, mas insuficiente para a adequada e completa ativação da via aeróbia, a qual poderia ofertar mais oxigênio para o grupo muscular em exercício.

Um ciclista ou um maratonista produzem esforços bastante considerados, porém há tempo suficiente para ativar e adequar a via aeróbia para ofertar energia a partir do oxigênio viabilizando, por causa do tempo prolongado o VO2 máximo ( consumo máximo de oxigênio ) do indivíduo. Esta condição metabólica mais estável, pois há tempo de adaptações nas reações químicas e ajustes nos mecanismos controladores possibilitam a via aeróbia produzir-se a partir de substratos energéticos como a glicose e o ácido graxo (gordura).

Enquanto o tempo de exercícios se prolonga por mais de 6 minutos sem interrupção como é o caso da corrida ou do ciclismo e todo e qualquer movimento onde não haja interrupção de movimento superior a 2 minutos, a via aeróbia produz sua energia por meio da glicose e da gordura corporal. Com este prolongamento de tempo em movimento os estoques de glicose intramuscular e circulatório diminuem, aumentando assim a utilização de ácidos graxos (gordura estocada) para a produção adequada de energia.

Segundo pesquisadores é “o acúmulo de corpos cetônicos e de amônia leva à inibição da contração muscular, de maneira semelhante à que ocorre com o ácido láctico, explicando assim a fadiga muscular aeróbia, sempre acompanhada de graus variáveis de desidratação e hipoglicemia”. Já nos exercícios anaeróbios, os substratos energéticos são a fosfocreatina e a glicose, os quais não precisam da via aeróbia e são capazes de produzirem energia sem o aporte de oxigênio.

Segundo o reconhecido Dr.Prof.Santarem “a compreensão da integração das vias energéticas nos esforços pode levar as algumas considerações importantes. A comparação clássica da produção de ATP nas duas vias metabólicas, que demonstra "maior eficiência energética aeróbia" não tem aplicação prática, visto que a via anaeróbia é sempre continuada pela via aeróbia, sem ser uma alternativa. O estímulo à neo-formação capilar, o aumento das mitocôndrias, e o acúmulo de enzimas oxidativas, não ocorrem apenas nos exercícios em estado estável, ocontecendo também nos exercícios "anaeróbios", em função da ativação aeróbia concomitante”.

O que se afirma ontem não se afirma hoje, antes, entendia-se que exercícios que utilizam a via anaeróbia para produzir energia útil não eram mobilizadores de ácidos graxos (gordura), portanto não eram contribuintes de diminuição de tecidos adiposo, porém esta afirmação esta sendo alterada pelas atuais pesquisas. Pesquisas indicam que a redução de tecido adiposo no ser humano se dá por um complexo processo metabólico onde ocorre a interconversão dos elementos químico sendo o balanço calórico negativo o aspecto mais relevante.

A diminuição, tão desejada pelos praticantes de atividade física ou não, da redução de peso corporal por meio da eliminação dos excessos de estoques de gorduras subcutâneos principalmente está ganhando outros contornos conceituais. O que sugerimos a todos e que antes de praticarem qualquer “tipo” de exercício seja os de produção de via aeróbia como caminhadas, corridas, natação, ciclismo entre outros ou exercícios via anaeróbia como musculação, pilates, localizados, lutas de combate entre outras que passem por um médico especialista.

Faça avaliações e exames necessários e , após liberação médica , “mergulhem” neste universo saudável dos exercícios, pois independente de sua classificação ambos produzirão mais saúde e significativo aumento na qualidade de vida. Lembrem-se exames e avaliações com laudo é ato médico,como prescrição e elaboração de exercícios é um ato do profissional de educação física.

Bom exercício!

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