Hipertensão arterial em crianças e adolescentes

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A prevalência atual de hipertensão arterial na idade pediátrica encontra-se em torno de 3% a 5%. Além da hipertensão arterial, o sobrepeso e a obesidade, cujos índices no Brasil não param de crescer, também são importantes fatores de risco para o desenvolvimento da doença cardiovascular.

Causas

Em crianças e adolescentes causas secundárias de hipertensão arterial são comuns, sendo as doenças renais as mais comuns. A hipertensão arterial primária, ou seja, sem uma causa definida, também ocorre por influência genética.

Quanto mais nova a criança e, quanto mais grave o nível da pressão arterial, maior é a chance da hipertensão arterial ser secundária, ou seja, ter uma causa definida.

A ingestão de álcool, tabagismo, uso de drogas ilícitas e utilização de hormônios esteroides, hormônio do crescimento, anabolizantes e anticoncepcionais orais, devem ser considerados possíveis causas de hipertensão arterial em adolescentes.

A medida da pressão arterial deverá ser realizada a partir de qual idade?

A hipertensão arterial costuma ser uma doença assintomática, por isso, medidas com valores persistentemente elevados da pressão arterial são fundamentais para o diagnóstico da doença.

A  medição da pressão arterial em crianças é recomendada em toda avaliação clínica após os três anos de idade, pelo menos anualmente, como parte do atendimento pediátrico primário, devendo respeitar as
padronizações estabelecidas para a medida da pressão arterial adultos.

Qual o valor normal da pressão arterial em crianças e adolescentes?

Diferentemente dos adultos, a interpretação dos valores de pressão arterial obtidos em crianças e adolescentes deve considerar idade, sexo e altura.

Para a avaliação dos valores normais de pressão arterial de acordo com essas três variáveis, devem-se consultar tabelas específicas, como aquelas encontradas na sétima diretriz brasileira de Hipertensão, ou em aplicativos para smartphones, como o PA Kids e Ped(z).

Crianças e adolescentes são considerados hipertensos quando a pressão arterial sistólica (máxima) e/ou pressão arterial diastólica (mínima) forem superiores ao percentil 95, de acordo com idade, sexo e percentil de altura, em pelo menos três ocasiões distintas.

Tratamento

O objetivo do tratamento é atingir valores de pressão arterial sistólica e diastólica abaixo do percentil 95 para sexo, altura e faixa etária na hipertensão arterial não-complicada, e abaixo do percentil 90 na hipertensão complicada por outras doenças.

O tratamento não-medicamentoso deve ser recomendado a partir do percentil 90 de pressão arterial sistólica ou diastólica, e inclui redução de peso, programação de exercício físico e intervenção dietética.

O emprego de medicamentos anti-hipertensivos deve ser considerado nos que não respondem ao tratamento não-medicamentoso, naqueles com evidência de lesão em órgãos-alvo ou fatores de risco conhecidos, como diabete melito, tabagismo e as dislipidemias, e ainda, na hipertensão sintomática ou hipertensão secundária.

Não há estudos a longo prazo sobre o uso de medicamentos anti-hipertensivos na infância ou na adolescência. A escolha dos medicamentos obedece aos critérios utilizados para adultos.

A utilização de inibidores da enzima de conversão da angiotensina (exemplos: enalapril e ramipril) ou de bloqueadores do receptor AT1 (exemplos: losartana e valsartana) deve ser evitada em adolescentes do sexo feminino, exceto quando houver indicação absoluta, em razão da possibilidade de gravidez e má-formações congênitas.

Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700.

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