Hipertrofia ventricular esquerda

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A hipertrofia ventricular esquerda é caracterizada pelo espessamento das paredes do ventrículo esquerdo, a principal câmara do coração.

O ventrículo esquerdo propulsiona o sangue em direção ao cérebro e restante do corpo (exceto para os pulmões, os quais são irrigados pelo ventrículo direito).

A hipertrofia ventricular esquerda é uma alteração cardíaca muito comum, sendo causada por várias doenças.

A hipertrofia ventricular esquerda também poderá ocorrer em indivíduos que praticam desportos (“hipertrofia cardíaca do atleta”).

A hipertrofia ventricular esquerda é considerada um mecanismo adaptativo do músculo cardíaco frente a uma sobrecarga de pressão ou volume.

Causas

– Hipertensão arterial e obesidade:

A hipertensão arterial é uma das principais causas da principal hipertrofia ventricular esquerda. Nesta doença o ventrículo esquerdo sofre uma sobrecarga crônica de pressão. A hipertrofia ventricular esquerda é uma complicação precoce da HA, sendo observada em 20% a 50% dos casos de hipertensão arterial leve e moderada, e em mais de 90% dos hipertensos graves.

A hipertrofia ventricular esquerda confere uma evolução desfavorável aos indivíduos hipertensos, pois associa-se a um risco aumentado de infarto do miocárdio (ataque cardíaco), acidente vascular cerebral (derrame cerebral), insuficiência cardíaca (coração fraco), doença arterial coronariana (formação de placas de gordura na parede do coração) e morte.

A obesidade severa também poderá causar uma sobrecarga crônica ao coração, pois o débito cardíaco, ou seja, a quantidade de sangue que deverá ser bombeada pelo ventrículo esquerdo a cada minuto deve ser proporcional à superfície corporal.

– Doenças da válvulas cardíacas:

O estreitamento da válvula de saída do coração (estenose aórtica) é uma causa importante de sobrecarga de pressão para o ventrículo esquerdo, e ocorre principalmente em idosos. A insuficiência (fechamento inadequado) das válvulas aórtica e/ou mitral poderá causar uma sobrecarga de volume crônica para o ventrículo esquerdo, pois uma quantidade anormal de sangue permanece dentro do ventrículo esquerdo após a sua contração. Estas doenças valvulares podem cursar com hipertrofia ventricular esquerda.

– Doença arterial coronariana:

A doença arterial coronariana caracteriza-se pela presença de placas de gordura na parede das artérias do coração (ateromas). Essa irrigação inadequada de sangue para o músculo cardíaco (miocárdio) poderá causar hipertrofia ventricular esquerda.

– Doenças do músculo cardíaco:

A miocardiopatia hipertrófica é uma doença genética caracterizada pelo desenvolvimento de uma intensa hipertrofia ventricular esquerda (principalmente na região do septo cardíaco, porção do músculo cardíaco que separa o ventrículo esquerdo do ventrículo direito). Nessa doença não é necessário a presença de uma sobrecarga de pressão ou volume para que a hipertrofia ventricular esquerda se desenvolva. Outras doenças do músculo cardíaco, como as miocardiopatias dilatada (forma familiar, por exemplo) e restritiva (amiloidose por exemplo), também podem cursar com graus variáveis de hipertrofia ventricular esquerda.

Sinais e sintomas

A hipertrofia ventricular esquerda poderá  fazer parte do quadro  de uma doença totalmente assintomática, como costuma ser os casos de hipertensão arterial. Nos casos em que a hipertrofia ventricular esquerda associa-se a uma dificuldade de relaxamento ou de contração do coração, certos sintomas, como falta de ar ou fadiga poderão aparecer. Arritmias cardíacas associadas a presença da hipertrofia ventricular esquerda poderão causar palpitações (percepção anormal dos batimentos cardíacos), pré-desmaio e desmaio (lipotímia e síncope, respectivamente). A dor torácica poderá fazer parte do quadro da doença arterial coronariana, estenose aórtica severa e miocardiopatia hipertrófica.

Diagnóstico

Durante o exame físico, a palpação do ictus cardíaco (ponta do coração) na região anterior do tórax poderá sugerir a presença da hipertrofia ventricular esquerda. O eletrocardiograma é o primeiro exame a ser realizado, podendo mostrar indícios da hipertrofia ventricular esquerda, no entanto, esse exame poderá ser normal. Estima-se que menos de 50% dos casos de hipertrofia ventricular esquerda podem ser detectados no eletrocardiograma, pois este exame é muito específico para o diagnóstico de hipertrofia ventricular esquerda, no entanto, é pouco sensível.

O exame mais usado com a finalidade de diagnosticar a hipertrofia ventricular esquerda é o ecocardiograma (ultrassom do coração). Este exame ainda é muito útil para determinar a causa da hipertrofia ventricular esquerda. Existem 3 padrões ecocardiográficos de hipertrofia ventricular esquerda: hipertrofia ventricular concêntrica, hipertrofia ventricular excêntrica e remodelamento concêntrico.

Outros exames poderão ser solicitados na dependência do quadro clínico e da suspeita da causa da hipertrofia ventricular esquerda. A ressonância magnética do coração poderá ser indicada para o diagnóstico de hipertrofia ventricular esquerda, principalmente em alguns casos de cardiomiopatia hipertrófica e amiloidose.

Prognóstico

A hipertrofia ventricular esquerda, como dissemos anteriormente, agrava o prognóstico dos pacientes hipertensos, aumentando o seu risco de desenvolvimento de infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, doença arterial coronariana e morte. O prognóstico da dependerá muito da sua causa, mas também, da capacidade de contração do coração. A hipertrofia ventricular esquerda pode ser reversível com o controle da pressão arterial, redução do peso e o uso de medicamentos.

Tratamento

Dependerá da doença que causa a hipertrofia ventricular esquerda. O controle da hipertensão arterial, do diabete melito e da obesidade, são fundamentais. Medicamentos cardiológicos, como alguns anti-hipertensivos, ajudam a reverter a hipertrofia ventricular esquerda. A angioplastia coronariana poderá ser indicada em casos de doença arterial coronariana. Procedimentos cirúrgicos como a troca de uma válvula ou a cirurgia de revascularização miocárdica (cirurgia de “ponte de safena”), poderão  ser indicados em casos específicos.

Autor: Dr. Tufi Dippe Jr – Cardiologista de Curitiba – CRM/PR 13700. 

 

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