Síndrome metabólica

0
83

A síndrome metabólica  é um transtorno complexo , caracterizado por um agrupamento  de fatores de risco cardiovasculares, relacionados com resistência a ação da insulina ( hormônio quem permite a entrada do açúcar na célula ) e obesidade central ( acúmulo de gordura na parte superior do corpo e no interior da cavidade abdominal ).  

A síndrome metabólica é uma doença típica do homem moderno , que ingere mais calorias do que necessita e , faz pouca atividade física. É importante assinalar a associação da síndrome metabólica com doença cardiovascular, aumentando o risco de morte por doença cardiovascular em 3 vezes.

Diagnóstico: 

Para o diagnóstico da  síndrome metabólica ,  a diretriz brasileira de síndrome metabólica ,  sugeriu que os indivíduos portadores de três ou mais dos seguintes critérios devam ser considerados como portadores de SM:

– Obesidade abdominal (visceral), medida ao nível médio do abdômen: cintura maior que 102 cm em homens e maior que 88 cm em mulheres.

– Hipertrigliceridemia ( triglicerídeos elevados ) : maior que 150 mg/dL

– HDL colesterol: menor que 40 mg/dL em homens e menor que 50 mg/dL em mulheres.

– Pressão arterial: maior que 130/85 mmHg.

– Glicemia de jejum: maior que 110 mg/dL ( podendo chegar até um nível de diabete melito ). 

Recentemente, a Associação Americana de Diabetes sugeriu que os valores de normalidade para glicemia de jejum fossem reduzidos para , no máximo, 99 mg/dL, sendo possível que esse critério seja adotado também para SM em uma próxima diretriz . A International Diabetes Federation (IDF, www.idf.org, maio 2005), sugeriu como critérios:

– Obesidade central : cujos limites possa variar conforme a etnia. Assim para europeus sugeriu para medida da circunferencia da cintura os valores de 94cm para homens e 80cm para mulheres ( valores a serem adotados no Brasil ), para asiáticos 90 e 80cm e para japoneses 85 e 90cm respectivamente homens e mulheres.  

– Triglicerídeos: > 150 mg/dL ou estar em tratamento específico para excesso de triglicerídeos.

– HDL colesterol ( "bom" colesterol ) : < 40 mg/dL em homens e < 50 mg/dL em mulheres ou estar em tratamento específico para baixos níveis de HDL colesterol.

– Pressão arterial: > 130/85 mmHg ou estar em tratamento de hipertensão arterial diagnosticada previamente.

– Glicemia de jejum: > 100mg/dL ou diabete melito do tipo 2 diagnosticado previamente.

Outros achados clínicos e laboratoriais tem sido associados a síndrome metabólica : síndrome de ovário policístico, acanthosis nigrican, doença hepática gordurosa não causada pelo álcool ( esteatose hepática ou "fígado gorduroso" ) , microalbuminúria ( perda de proteínas na urina ) , estados pró-trombóticos ( que predispõem a formação de trombos e coágulos ) , estados pró-inflamatórios ( que predispõem a  inflamação ) e de disfunção endotelial ( alteração das funções do revetimento interno dos vasos , fato que predispõe a formação de placas de gordura nas artérias ).

Tratamento:

A síndrome metabólica  deverá ser tratada com mudanças de hábitos alimentares , atividade física e , principalmente , perda de peso ( leia as páginas sobre obesidade e emagrecimento e exercícios físicos e obesidade). A eliminação de 10% do peso diminui em 30% a concentração de gordura no interior do abdômen ( obesidade visceral ).

Medicamentos para ajudar na perda de peso , para controlar a pressão arterial , para normalizar as alterações dos níveis de gordura e açúcar no sangue , também poderão ser necessários. O rimunabanto ( acomplia ) , é um medicamento que atua em um sistema ( chamado de endicanabinóide ) , que está envolvido com o acúmulo central de gordura. A principal indicação do uso do rimunabanto , é a síndrome metabólica.

Eventualmente os portadores de síndrome com obesidade significativa ( índice de massa corporal ou IMC = peso / altura X altura  maior que  40 ou maior que 35 com complicações decorrentes da obesidade ) , poderão ser candidatos a cirurgia de redução do estômago ( cirurgia  bariátrica ).

Artigo  relacionado  –  Síndrome metabólica : o impacto nas mudanças de estilo de vida .

Ao longo do tempo, a urbanização trouxe grandes benefícios à população, aumentando a expectativa de vida, a disponibilidade de alimentos e a melhora nos meios de transporte. Porém, esses benefícios acarretaram mudanças no estilo de vida, como o consumo elevado de gorduras, menor grau de atividade física, estresse e tabagismo. Essas mudanças, por sua vez, provocaram elevação da ocorrência de diabetes, hipertensão e obesidade fazendo das doenças cardiovasculares a principal causa de morte no mundo.

A síndrome metabólica é um conjunto de anormalidades que compreende a coexistência variável de obesidade, hipertensão arterial, aumento da quantidade de insulina na corrente sanguínea e elevação das taxas de triglicérides, levando ao aparecimento de doenças cardiovasculares e aumentando o risco de morte em até 2,5 vezes. Esta síndrome chega a ocorrer em mais de 40% dos adultos com mais de 60 anos e não é desprezível o acometimento de adultos entre 20 e 49 anos.

A predisposição genética, a alimentação inadequada e a inatividade física estão entre os principais fatores que contribuem para o surgimento da síndrome, cuja prevenção é um desafio mundial contemporâneo com importante repercussão para a saúde. Destaca-se o aumento da ocorrência da obesidade em todo o Brasil e uma tendência, especialmente preocupante, em crianças em idade escolar, em adolescentes e nas camadas de mais baixa renda. A adoção precoce por toda a população de estilo de vida relacionado à manutenção da saúde, com dieta adequada e prática regular de atividade física, preferencialmente desde a infância, é componente básico da prevenção.

O Brasil tem deficiência de dados nacionais com relação ao consumo alimentar da população, desta maneira, dados do IBGE e da Fundação Getúlio Vargas devem ser interpretados com cuidado. Os estudos indicam que os alimentos e bebidas consumidos fora de casa tendem a ser comparativamente mais ricos em gorduras, açúcares, sal e álcool do que os consumidos nas refeições realizadas em casa.

Em geral, por pessoa, decresce o consumo de alimentos de origem vegetal, incluindo grãos, cereais, raízes, tubérculos e leguminosas, e de alimentos com amido. A produção e consumo de alimentos de origem animal, como carne e laticínios e, por essa razão, proteína animal e gordura, aumentam, bem como a produção e o consumo de óleos vegetais, gorduras, açúcar e, em geral, os alimentos altamente energéticos, processados com gorduras sólidas à temperatura ambiente, como manteiga, margarina, e ainda açúcar e sal. Portanto, a falta de conhecimento e de acesso à alimentação saudável e suas conseqüências permanecem como desafios fundamentais de saúde pública no Brasil.

A alimentação adequada para tentar combater a Síndrome Metabólica deve:

– Permitir a manutenção do balanço energético e do peso saudável.

– Reduzir a ingestão de calorias sob a forma de gorduras, mudar o consumo de gorduras saturadas para insaturadas, reduzir o consumo de gorduras trans (hidrogenada).

– Aumentar a ingestão de frutas, hortaliças, leguminosas e cereais integrais.

– Reduzir a ingestão de açúcar livre.

– Reduzir a ingestão de sal (sódio) sob todas as formas.

A atividade física é determinante do gasto de calorias, fundamental para o balanço energético e para o controle do peso. A atividade física regular diminui o risco relacionado a cada componente da síndrome e traz benefícios substanciais para outras doenças, como pós-infarto e insuficiência arterial periférica.

Boa alimentação e atividade física regular são investimentos vitais e cruciais. Deve-se reagir contra as mudanças do padrão alimentar para pior, afirmando que a alimentação deve voltar ao tradicional e sem os modismos que a tornam menos saudável. Os dados científicos disponíveis permitem concluir que:

É possível a aderência a mudanças no estilo de vida e essas promovem redução na pressão arterial, reduzem o risco cardiovascular e diminuem o risco de outras doenças crônicas, como diabetes, alterações na taxa de gorduras sanguíneas e osteoporose. As medidas de prevenção devem ser implantadas para todas as faixas etárias, incluindo crianças, visando adequação à melhor alimentação e atividade física.

Autores : Dra. Cláudia Stéfani Marcílio , Dra. Luci Uzelin , Dr. Antonio Mattos e Dr Álvaro Avezum

www.socesp.org.br ( Blog do Coração )

www.portaldocoracao.com.br 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here