Stents coronarianos melhoram fluxo sanguíneo, mas não aliviam sintomas

Pesquisa analisou efeito do procedimento cirúrgico em pacientes com angina estável, condição em que o músculo cardíaco não recebe oxigênio suficiente.

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A eficiência do uso de stents durante procedimentos de angioplastia coronariana, em um grupo de pacientes com doenças cardíacas, foi testada por cientistas do Imperial College London. O estudo abordou apenas pessoas com angina estável – bloqueio arterial que impede a chegada de oxigênio no músculo no coração. Os pesquisadores concluíram que o procedimento aumenta o fluxo sanguíneo, mas não observaram uma melhora significativa nos sintomas após a aplicação.

A pesquisa foi publicada nesta quinta-feira (2), na revista científica “The Lancet”. Os stents são pequenas próteses que podem ser colocadas dentro das artérias para “alargar” e evitar o bloqueio dos vasos sanguíneos. São como pequenas gaiolas compridas de arame.
Para verificar os efeitos do tratamento, os cientistas escolheram 200 pacientes com a angina – doença muito comum no Brasil, que atinge mais de 2 milhões de pessoas por ano e causa dor no peito, resultado do excesso de esforço devido ao fluxo restrito de sangue ao coração. Os pacientes analisados tinham o caso estável da doença e obstrução em apenas uma artéria.

Angina: entenda os sintomas e como acontece a doença

O alívio dos sintomas é o principal objetivo da cirurgia de inserção de um stent para o perfil desses pacientes. Para testar a eficiência, todos os participantes do experimento foram tratados por seis semanas com remédios em alta dosagem para reduzir o risco de ataque cardíaco.

Então, passaram por um procedimento: os médicos enfiaram um catéter por meio da virilha ou pulso e, com ajuda de equipamentos de imagem, seguiram até a artéria bloqueada. Metade do grupo recebeu o stent. A outra parte, sem saber, teve o catéter retirado sem receber a prótese – a ideia era começar um teste de placebo.

Resultados

Antes e durante as seis semanas, os pacientes passaram por testes de exercício. Houve um aumento constatado: aqueles que receberam o stent tiveram um tempo total de 28,4 segundos durante a prática da atividade física, enquanto o grupo do placebo aguentou 11,8 segundos. O artigo aponta, no entanto, que o resultado não é estatisticamente significativo a ponto de comprovar que a diferença de resistência ocorreu devido ao stent ou a outros fatores.

Os testes conseguiram mostrar um alívio do estreitamento da artéria do coração, com uma melhora do suprimento de sangue aos músculos. Os pesquisadores acharam esse resultado intrigante, já que esperavam uma melhora alta na capacidade de exercício e que mais sintomas melhorassem – como a dor no peito –, o que não foi observado.

“Parece que a correlação entre abrir uma artéria coronária e melhorar os sintomas não é tão simples como todos esperavam”, disse o autor Rasha Al-Lamee, do Instituto Nacional do Coração e do Pulmão do Imperial College London.

“Este é o primeiro teste desse tipo e nos ajudará a desenvolver uma melhor compreensão da angina estável, uma doença que afeta muitos pacientes todos os dias”, completou.
De qualquer forma, os próprios autores esclarecem a necessidade de ampliar o número de participantes nos testes e de um isolamento dos efeitos dos remédios para ter resultados mais conclusivos. Novos estudos deverão ser feitos para entender a função dos stents”.

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