Doença arterial coronariana na mulher

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As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres. Estatísticas dos Estados Unidos  apontam para cerca de 500 mil mortes anuais , sendo que , uma em cada  três mulheres , irá morrer de uma doença cardiovascular. Metade dessas morte são por doença arterial coronariana ( desenvolvimento de placas de gordura ou ateromas, na parede das artérias do coração ).  As doenças do coração, matam mais mulheres que a somatória das mortes por derrame cerebral , câncer de mama e doença pulmonar crônica. Embora a mortalidade por doença cardiovascular entre homens esteja em declínio nos Estados Unidos desde de 1979 , fato inverso , ocorre com as mulheres , ou seja , nesse período a mortalidade por doenças cardiovasculares nas mulheres têm aumentado. Sabemos que cerca de 40% dos homens que sofreram um infarto do miocárdio, morrem subitamente. Nas mulheres esse valor pode  chegar a 50%. Dois terços das mulheres que sofreram um infarto do miocárdio , nunca se recuperam totalmente. Embora os dados do estudo Inter-Heart demonstrem que o pico de aparecimento do infarto do miocárdio nas mulheres seja cerca de 8 a 10 anos mais tarde que no homem ( 63 anos versus 55 anos ),  o risco de morte é maior nas mulheres , segundo os dados do Registro Nacional do Infarto do Miocárdio ( realizado nos Estados Unidos ). Esse “atraso” no surgimento da  doença , pode ser atribuído a ação protetora do estrogênio, que retardaria o processo de aterosclerose  na mulher em idade reprodutiva , sendo que esse processo teriam uma evolução mais rápida , após a menopausa. 

Particularidades da doença arterial coronariana na mulher : 

–   Fatores de risco na mulher : a hipertensão arterial é mais prevalente na mulher que no homem , sendo que o início da doença costuma ocorrer entre 45 e 55 anos de idade ( mais tardiamente que nos homens ). Dados dos Estados Unidos , apontam para uma taxa menor de controle da hipertensão arterial entre as mulheres , quando comparadas aos homens. Estima-se que cerca da metade das mulheres que são diabéticas , não foram diagnosticadas . O diabete melito  dobra  a chance de ocorrência de uma doença cardiovascular e quadruplica as chances de internação. Mulheres diabéticas são mais propensas a um evento cardíaco que os homens diabéticos. A prevalência da síndrome metabólica entre homens e mulheres  vêm aumentando , de uma forma similar para ambos os sexos. Mais da metade das mulheres têm colesterol total acima de 200mg/dl , no entanto , baixos níveis de colesterol bom ( HDL ) são vistos mais em homens. O perfil da gorduras do sangue  costuma pior na mulher após a menopausa : o colesterol bom ou HDL costuma baixar e o ruim , ou LDL , costuma subir. Dados dos Estados Unidos , apontam que apenas 10% das mulheres com colesterol elevado , fazem um  tratamento correto e ,  apenas  4% atingem um controle satisfatório. Outras estatísticas das mulheres desse pais: 18% fumam ; 30% não fazem exercícios físicos regulares ; 60% estão acima do peso , sendo que 20% são obesas ( as taxas de prevalência da obesidade vêm crescendo  ). No Brasil , acredita-se que a hipertensão arterial descontrolada e  a obesidade , ocupem um papel central no processo de crescimento da doença arterial coronariana  entre as mulheres. Comparativamente com os homens , os dados do estudo Inter-Heart , apontam para  uma maior importância do diabete melito e do estresse psicossocial na mulheres , como fatores de risco para o infarto do miocárdio.

– Sintomas   : as mulheres costumam apresentar sintomas de doença arterial coronariana  crônica ( angina do peito estável ) ou  aguda ( angina instável e infarto do miocárdio ),  de uma forma diferente dos homens , com sintomas mais leves ou inespecíficos. Embora a grande maioria das mulheres com infarto do miocárdio apresentem dor no peito,  a ausência desse sintoma é mais comum nas mulheres que nos homens. Dor nos braços , falta de ar , náuseas e vômitos , fadiga e indigestão , podem ser a manifestação de um infarto do miocárdio em uma mulher . Por ocasião do infarto do miocárdio , a doença costuma ser mais grave nas mulheres que nos homens , pois as mulheres infartam mais velhas e com mais doenças associadas , como a hipertensão e o diabete melito. A doença arterial coronariana aguda , costuma manifestar-se mais sob a forma de infarto do miocárdio nos homens  e, nas mulhertes , a apresentação mais comum é da angina do peito.Uma vez evidenciada , a doença arterial coronariana tem um prognóstico  pior na mulher comparativamente ao sexo masculino. Estima-se que 67% das mortes súbitas de origem coronariana ocorrem em mulheres que não apresentaram qualquer manifestação prévia da doença. Por outro lado , apenas 50% das mulheres com sintomas sugestivos de angina dopeito apresentavam lesão obstrutiva significativa na cinecoronariografia. A  síndrome X ( angina microvascular )  é a caracterizada pela presença de angina do peito , teste de isquemia positivo ( um teste de esforço, por exemplo ) e artérias coronárias normais no cateterismo cardíaco e cineangiocoronariografia . A síndrome do "coração partido" , também conhecida como cardiomiopatia Takotsubo  , afeta   tipicamente mulheres menopausadas , muitas delas  idosas , cursando com dor no peito , alterações do eletrocardiograma  típicas de um infarto do miocárdio e artérias cornárias normais no cateterismo cardíaco e cineangiocoronariografia . Os sintomas da síndrome costumam aparecer após uma situação de  estresse emocional .

-Diagnóstico : o eletrocardiograma de repouso apresenta uma baixa capacidade de detectar a doença arterial coronariana crônica e , também , têm limitações nos casos agudos , como a angina instável e o infarto do miocárdio. O teste ergométrico na valiaçãoda dor no peito ou em check-up , principalmente em mulheres em idade fértil , apresenta grande proporção de casos falso positivos ( sugere a presença de doença arterial coronariana , mas esse diagnóstico acaba sendo descartado pela cintilografia de perfusão miocárdica ou pelo cateterismo cardíaco e cineangicoronariografia ). Talvez o próprio estrogênio ( hormônio feminino ) , possa ser o respónsável pelas alterações do traçado durante o teste de esforço. A cintilografia de perfusão miocárdica e o ecocardiograma de estresse , são boas opções para a investigação da doença arterial coronariana na mulher. 

– Tratamento:  os fundamentos do tratamento da doença arterial coronariana , crônica ou aguda , nas mulheres  , devem ser semelhantes aqueles que são empregados para os homens . As opções são os medicamentos , angioplastia coronariana e a cirurgia de ponte de safena  . Dados de um registro americano , chamado CRUSADE , demonstraram que na vigência de angina do peito instável ou infarto do miocárdio , as medicações recomendadas para ao tratamento  eram menos usadas em mulheres, comparativamente ao tratamento empregado nos homens. Além disso , menos mulheres eram submetidas ao cateterismo cardíaco visando uma angioplastia coronariana e , no momento da alta , recebiam os medicamentos necessários de uso contínuo  numa proporção menor que os homens. Outro registro americamo ( NRMI )  , sobre tratamento de infarto do miocárdio , demonstrou que a terapia com trombolíticos ( medicamentos para dissolver coágulos nas artérias do coração ) era utilizada mais tardiamente nas mulheres, comparativemente aos homens, fato que afetaria o resultado do tratamento. A angioplastia coronariana ( eletiva ou de emergência )  nas mulheres , costuma cursar com mais complicações vasculares e com um maior risco de mortalidade no período da internação. O fato das mulheres terem artérias mais finas , contribui para esses achados. A cirurgia de ponte de safena também apresenta maior risco de morte no perído de internação  nas mulheres. A explicação desse fato é que as mulheres costumam ser operadas mais velhas e com um comprometimento das artérias do coração mais extenso.

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