Especialista explica os riscos de uma gravidez após os 40 anos

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Seja por dedicação ao trabalho, pelo casamento tardio ou pela simples vontade de adiar a gravidez, cada vez mais as mulheres engravidam após os 35 anos.

Recentemente, a apresentadora Eliana declarou que os avanços da medicina são evidentes e por isso  a gravidez não é uma prioridade para ela. Será assim mesmo? É sabido que a fertilidade cai significativamente após os 35 anos,  mas a popularização dos métodos de fertilização artificial tem facilitado a gravidez. A partir daí, quais cuidados devem ser tomados?  Até que ponto a medicina consegue driblar a natureza e os efeitos da idade?

O Dr. Dalmo Borges é ginecologista e obstetra especializado em gestações  de alto risco e explica quais cuidados a mulher deve ter.

Quais os riscos de uma gravidez tardia?

Dr. Dalmo: o risco relativo mais significativo é o número maior de abortos. Duas mulheres com até 35 anos correm o risco de abortar a cada dez mil gestantes.  A partir dos 40 anos, esse risco relativo passa para 2,4. Em segundo lugar vem a maior incidência de anomalias cromossômicas.

Como a Síndrome de Down?

Dr. Dalmo: principalmente a Síndrome de Down, mas outras anomalias congênitas também aumentam bastante. Os riscos relativos de anomalia cromossômica  é de 4 em uma gravidez até 35 anos. E passa para 9,9 a partir dos 40 anos. Outras anomalias são diabetes gestacional e placenta prévia,  que aumenta bastante na gravidez a partir dos 40 anos. Temos também maior risco de parto prematuro, de descolamento de placenta, de imaturidade, baixo peso ao nascimento e também aumenta o número de morte perinatal.

Esses riscos são devido à idade dos óvulos ou do organismo também?

Dr. Dalmo: na realidade, as anomalias cromossômicas e as congênitas têm a ver com a idade do óvulo que vai ser fecundado.  As demais patologias estão relacionadas ao desgate do próprio organismo materno.

A partir de qual idade podemos considerar uma gravidez como tardia?

Dr. Dalmo: entendemos que a partir dos 38 anos de idade, mas a literatura coloca a partir dos 35. Esse número é questionável, porque sabemos de  pacientes que têm uma condição física muito boa aos 38 anos de idade e pacientes com uma condição péssima aos 35.

As mulheres que adiam – por vontade própria ou não – a gravidez podem amenizar esses riscos?

Dr. Dalmo: uma vez que a própria idade temporal não pode ser retardada, entendemos que uma boa qualidade de vida para quem pretende engravidar  mais tardiamente é fundamental. Deve evitar cigarro, bebida alcoólica, manter hábitos saudáveis de vida, com boa alimentação,  exercícios físicos diários e manter seu peso estável.

Sempre dizem que a ciência está avançando e a idade não é mais tão importante. É assim mesmo?

Dr. Dalmo: se você for analisar nos termos que já citei anteriormente, sim. Do ponto de vista temporal, devido ao envelhecimento do DNA do óvulo,  a ciência ainda não tem como minimizar esses efeitos.

Toda gravidez tardia é uma gravidez de risco?

Dr. Dalmo: toda gravidez tardia deve ser taxada como sendo de alto risco. Nem todas terão a evolução de uma gravidez de alto risco mas todas merecem ser acompanhadas como se fossem. Rotulando essa gravidez assim, vai ajudar essas futuras mamães a terem condição melhor de atendimento,  de atenção e prevenção de determinadas doenças, como o diabetes gestacional que é extremamente frequente.

Quais cuidados essa gravidez vai exigir?

Dr. Dalmo: os cuidados adicionais devem ser estabelecidos antes mesmo da gravidez ocorrer. A orientação pré-concepcional de uma mulher com mais de 40 anos deve ser muito bem feita, contemplando uma série de exames, inclusive cardíacos. Essas orientações devem conter o uso do ácido fólico, vitaminas E e C, já antes da concepção, para que haja risco menor de anomalias cromossômicas e congênitas.

Na orientação do pré-natal essas mulheres devem ser rastreadas ostensivamente para diabetes gestacional, hipertensão arterial, que é a pré-eclâmpsia, placenta prévia e também o trabalho de parto prematuro e a oligodraminia, ou seja, a redução no volume de líquido amniótico que ocorre no terceiro trimestre nessas gestantes. A questão emocional dessas pacientes também deve ser muito bem avaliada, para que elas tenham suporte maior no período próximo ao nascimento e o período pós-parto imediato pois elas costumam desenvolver com mais frequência a depressão pós-parto.

Fonte: Notícias da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2009).

www.portaldocoracao.com.br

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