Hipertensão arterial em crianças e adolescentes

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Estima-se que cerca de 3 a 5% das crianças e adolescentes , sejam portadores de hipertensão arterial . Em crianças e adolescentes , causas secundárias de hipertensão arterial são comuns , sendo as doenças renais as mais comuns . A hipertensão arterial primária , sem causa definida , também ocorre por influência genética . Quanto mais nova a criança e, mais grave , o nível da pressão arterial , maior é a chance da hipertensão arterial ser secundária , ou seja , ter uma causa definida. 

Diagnóstico:

– A medida da pressão arterial deve ser avaliada em toda consulta médica a partir dos 3 anos de idade e, nas crianças abaixo dessa idade, quando houver antecedentes ou condições clínicas de risco para hipertensão arterial , tais como prematuridade e doença renal. O valor normal da pressão arterial em crianças e adolescentes , baseia-se em percentis , que levam em conta a estatura e o sexo da criança e adolescente. Logo , não existe um limite único de normalidade da pressão arterial na faixa etária das crianças e adolescentes , como por exemplo , valores abaixo de 120/80 mmHg em adultos , os quais são considerados ótimos.

– Existem tabelas com os valores da pressão arterial referentes aos percentis 90 , 95 e 99 de pressão arterial para crianças e adolescentes, de acordo com os percentis de estatura para ambos os sexos. Consideram-se os valores abaixo do percentil 90 como pressão arterial normal , desde que inferiores a 120/80 mmHg ; entre os percentis 90 e 95 , como limítrofes ( também chamados de “pré-hipertensão”, de acordo com o The Fourth Report on the Diagnosis, Evaluation, and Treatment of High Blood Pressure in Children and Adolescents), e igual ou superior ao percentil 95, como hipertensão arterial, salientando-se que qualquer valor igual ou superior a 120/80 mmHg em adolescentes , mesmo que inferior ao percentil 95, deve ser considerado limítrofe . Por exemplo, um menino com 6 anos de idade, medindo 110 cm  ( percentil 10 ) e apresentando pressão arterial de 100/60 mmHg , seria considerado normotenso. Já um menino de mesma idade e altura, mas com pressão arterial de 108/70 mmHg, seria considerado limítrofe. Se esta segunda criança, em vez de 110 cm, tivesse estatura de 119 cm (percentil 75), a pressão arterial de 115/75 mmHg o faria ser considerado hipertenso. Por outro lado, um menino com 14 anos de idade, medindo 158 cm (percentil 25) e com pressão arterial de 110/70 mmHg, seria considerado normotenso. Já outro menino de mesma idade e mesma altura, mas com pressão arterial de 122/70 mmHg, seria considerado limítrofe. Se esta segunda criança, em vez de 158 cm, tivesse estatura de 170 cm (percentil 75), a pressão arterial de 130/83 mmHg o faria ser considerado hipertenso. Quanto mais altos forem os valores da pressão arterial e mais jovem o paciente, maior é a possibilidade da hipertensão arterial ser secundária a uma doença , principalmente as doenças renais.

Classificação da pressão arterial  entre crianças e adolescentes:

– Normal: pressão arterial menor que o percentil 90. Conduta médica: reavaliar na próxima consulta médica agendada.

– Limítrofe: pressão arterial entre os percentis 90 a 95 ou se a pressão arterial exceder 120/80 mmHg sempre menor que o percentil 90 até menor que o percentil 95. Conduta: reavaliar em 6 meses.

– Hipertensão estágio 1 : pressão arterial entre o percentil 95 a 99 mais 5 mmHg . Conduta : no paciente assintomático, reavaliar em 1 a 2 semanas, se hipertensão arterial confirmada encaminhar para avaliação diagnóstica .O paciente sintomático deverá ser encaminhado para avaliação diagnóstica.

– Hipertensão estágio 2 : pressão arterial maior que o percentil 99 , mais 5 mmHg .Conduta : encaminhar para avaliação diagnóstica

– Hipertensão do avental branco : pressão arterial maior que o percentil 95 em ambulatório ou no consultório e pressão arterial normal em ambientes não relacionados à prática médica.

Tratamento: 

A ingestão de álcool, o tabagismo, o uso de drogas ilícitas e a utilização de hormônios esteróides, hormônio do crescimento, anabolizantes e anticoncepcionais orais devem ser considerados possíveis causas de hipertensão em adolescente. O objetivo do tratamento é atingir valores de pressão arterial sistólica e diastólica abaixo do percentil 95 para sexo, altura e faixa etária na hipertensão arterial não-complicada, e abaixo do percentil 90 na hipertensão complicada por outras doenças. O tratamento não-medicamentoso deve ser recomendado a partir do percentil 90 de pressão arterial sistólica ou diastólica (hipertensão limítrofe). O emprego de medicamentos antihipertensivos , deve ser considerado nos que não respondem ao tratamento não-medicamentoso, naqueles com evidência de lesão em órgãos-alvo ou fatores de risco conhecidos, como diabete melito , tabagismo e as dislipidemias, e na hipertensão sintomática ou hipertensão secundária. Não há estudos a longo prazo sobre o uso de medicamentos antihipertensivos na infância ou na adolescência. A escolha dos medicamentos obedece aos critérios utilizados para adultos. A utilização de inibidores da enzima de conversão da angiotensina ( exemplos: captopril e enalapril ) ou de bloqueadores do receptor AT1 ( exemplos: losartan e valsartan ) , deve ser evitada em adolescentes do sexo feminino, exceto quando houver indicação absoluta, em razão da possibilidade de gravidez e má-formações congênitas.

Fonte: VI Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial ( 2006 ).

www.portaldocoracao.com.br

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